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BREVE HISTÓRIA DA ÁGUIA E DA CORUJA
Lourildo Costa


Li a história de uma coruja-da-neve, que é uma das aves pertencente ao mito do longínquo Polo Norte, de penas brancas, listradas de preto e de aspecto fantasmagórico.
Também ouvi dizer a respeito da águia-real, que é uma grande ave da rapina que passa a maior parte do dia pairando e voando por cima da imensidão da floresta, em busca de alguma presa.
Pois bem, a águia era um animal experto em capturar presas, principalmente os frágeis filhotes da mãe coruja. E foi por causa dessa invasão de território, em busca de alimento, que a coruja e a águia tornaram-se ferrenhos inimigos. Depois de muito litígio e de muita baixa no reino da coruja, resolveram fazer as pazes.
- Basta de brigas! – exclamou a coruja. – Deixemos de imitar o mundo dos homens, pois não somos tais como os iraquianos e muito menos como os norte-americanos. O mundo é grande e enorme é a floresta. Não fica bem para a nobre águia viver de comer os filhotes de uma indefesa coruja.
- Concordo plenamente – replicou a águia. – Eu também quero viver a fase do "Lula paz e amor!"
A águia fez um gesto de concordância, envergando seus mais de dois metros de asas. Igualmente a coruja manifestou seu acordo, estendendo os cerca de cento e cinquenta centímetros de envergadura dos seus pares de membros emplumados. Assentiram que, daquele dia em diante, a águia deixaria de comer os filhotes da coruja. Ficou combinado, como sinal de distinção, que quando a águia estivesse planando sobre os imensos territórios de caça e se deparasse com uns filhotes tipo "menina-recém-nascida, bonita e atraente", bem feitinhos à primeira vista, joviais e cheios de uma graça fora do comum, a águia deveria afastar-se, pois se tratava dos filhotes da coruja. Tudo combinado e registrado em cartório.
Passaram-se os dias e a águia saiu sobrevoando a floresta em busca de comida, até que encontrou um ninho, escondido entre os galhos de uma frondosa árvore, com duas avezinhas disformes, mal proporcionadas, olhos esbugalhados, bem feiosos. A águia, faminta e mais que depressa, devorou-as, pois sabia não representarem a figura descrita pela mãe coruja. Portanto, não havia probabilidade de serem os filhos dela. Mas eram...
Ao retornar ao ninho, bem de tardinha, a coruja chorou amargamente e sua voz de desespero foi ouvida, ao longe, pelos outros animais da floresta.
- O que aconteceu, senhora coruja? – perguntou-lhe, assustado, o papagaio.
- A águia, a rainha das aves, voltou a comer meus filhotes...
Os animais da floresta, revoltados, reuniram-se e foram tirar satisfação com a águia-real.
- O quê? – respondeu a águia admirada. – aqueles indivíduos assombrosos eram filhos da coruja? Não podiam ser! Não se pareciam nem um pouco com o retrato falado que deles me fizera!...
Esta historia fabulosa fez-me lembrar das palavras de Jesus, registradas no Evangelho de São Mateus, capitulo 7, versos 9 a 11: "E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?"
Jesus ensina-nos, tal como a coruja da fábula, que os pais humanos podem recusar algo com relação a seus filhos, porém, jamais lhes menosprezará. O Pai Celeste, igualmente, nunca desprezará um filho seu.
Os piores pais humanos, mesmos os mais depravados, são exemplos de pessoas que dão coisas boas e falam sempre bem dos seus próprios filhos. Essa inclinação para enxergar os filhos sob um outro ângulo faz parte da natureza do homem. Se houver alguma exceção, certamente estaremos diante de um pai ou uma mãe perversa e desnaturados. Quiçá existam pais dessa estirpe, ainda assim saberão exaltar aos seus filhos, porque a sua natureza os levará a agirem desse modo.
Se assim o considerarmos, com muito maior motivo haveremos de crer que o nosso Pai Celestial não nos deixará de atender, pois somos seus filhos por adoção, ainda que pecadores e miseráveis. O Deus bondoso – em contraste com os seres humanos – é completamente bom e misericordioso e exerce grande zelo por nós, seus filhos, muito mais do que se pode esperar dos melhores progenitores da humanidade.

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