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Lutero

Título original: (Luther) Lançamento: 2003 (Alemanha) (EUA) Direção: Eric Till

Atores: Joseph Fiennes , Alfred Molina , Bruno Ganz , Jonathan Firth , Peter Ustinov

Duração: 112 minutos

  • título original:Luther
  • gênero: Biografia, Drama, História
  • duração:01 hs 52 min
  • ano de lançamento:2003
  • site oficial:http://www.lutherthemovie.com/
  • estúdio:NFP teleart / Eikon Film / Thrivent Financial for Lutherans
  • distribuidora:Casablanca Filmes
  • direção: Eric Till
  • roteiro:Bart Gavigan e Camille Thomasson
  • produção:Dennis A. Clauss, Brigitte Rochow, Christian P. Stehr e Alexander Thies
  • música:Richard Harvey
  • fotografia:Robert Fraisse
  • direção de arte:Christian Schaefer, Ralf Schreck e Václav Vohlídal
  • figurino:Ulla Gothe
  • edição:Clive Barrett
  • efeitos especiais:CA Scanline Production GmbH / Die Nefzers / R.S.G. Effecti Speciali S.r.l.

Atores: Joseph Fiennes (Martim Lutero), Alfred Molina (Johann Tetzel),Bruno Ganz (Johann von Staupitz),Jonathan Firth (Girolamo Aleandro),Peter Ustinov (Friedrich),Claire Cox (Katharina Lutero),Uwe Ochsenknecht (Leo X),Benjamin Sadler (Georg Spalatin),Jochen Horst (Prof. Andreas Karlstadt),Torben Liebrecht (Imperador Charles V), Mathieu Carrière (Cardeal Jakob Cajetan), Marco Hofschneider (Ulrich),Maria Simon (Hanna)Herb Andress (Gunter),Lars Rudolph (Philip Melanchtlon).

Lutero no seu Tempo e o Filme

Início do século XVI. O Sacro Império abrange principalmente os Estados Germânicos, divididos em grandes Principados*. Em seu interior predomina o trabalho servil na terra ao mesmo tempo em que algumas cidades vivem de um comércio próspero. Apesar do termo “Império”, a situação esta longe da existência de um poder absolutista, ao contrário do que ocorre em Portugal e na Espanha.

Antes da Reforma Protestante (1517), com Martinho Lutero (aliás, ele sentiu-se vocacionado ao ministério em sua juventude), vários jovens sérios e questionadores se levantaram, criticando a situação da Igreja de sua época.

Os escritos e idéias de um homem de Deus, chamado John Wycliffe (professor da Universidade de Oxford na Inglaterra), que viveu de 1328 a 1384, influenciaram enormemente a vida de um jovem de menos de 20 anos, de nome Jonh Huss, que vivia em outro país, a Boêmia, na cidade de Praga (hoje, República Checa).

Jonh Huss (1373 – 1415) continuou seus estudos e tornou-se reitor da Universidade de Praga. Pregava firmemente, contra a baixa moralidade dos líderes religiosos, e alcançou grande apoio do povo. Foi condenado à fogueira pelo Papa.

Mas as idéias de John Huss influenciaram a Martinho Lutero (foi chamado por seus inimigos de "Huss Saxão ou Huss Alemão"), que viveu anos depois e provocou transformações serias na Igreja Cristã.

Outro homem, cujas idéias influenciaram muito a Martinho Lutero, foi um rapaz de Florença, chamado Savonarola.

Em 1519, assumiu o trono Carlos V, que era rei dos Países Baixos desde 1515 e rei da Espanha desde 1516. Pretendendo unificar seus vastos domínios e a instaurar uma monarquia universal católica, o Imperador foi obrigado a enfrentar os príncipes germânicos, contrários a centralização do poder.


As disputas políticas envolvendo a tendência centralizadora do imperador e os interesses dos príncipes foi uma constante desde a formação do Sacro Império. Esta situação de disputa política foi aproveitada por Lutero, que atraiu os Príncipes para suas idéias reformistas, na medida em que o imperador era católico, e por sua vez pretendia utilizar o apoio da Igreja Católica para reforçar sua autoridade. Parcela significativa da burguesia também apoiou as teorias de Lutero, que reforçava o individualismo.

Lançado como superprodução, com boa fotografia, figurinos, atores famosos, esse filme peca por tentar abarcar todo o processo de nascimento da Fé Luterana e conseqüentemente da Reforma, o que tornou o filme cansativo.

O Lutero que nos é apresentado não tem bom senso germânico e nem impressiona pela sua religiosidade. Parece que falta fé! A narrativa parece descrever a história de um personagem político. O modo de atuar parece ser genuinamente americano, não tem a densidade psicológica do cinema alemão. O filme fica a dever, não espelha o sentimento revolucionário da Reforma!

Não adianta falar apenas de "Lutero", porque ele não foi o único a participar dessa Revolução da Reforma Protestante, teve outros momentos (na qual o filme não mostra) que contribuíram para a Igreja Católica fazer a Contra Reforma.

O filme foi bom até um certo ponto, mas eu acredito que Lutero foi muito mais além do que o filme quer mostrar.O filme é, definitivamente, incompleto. O final ficou bastante a desejar, tão decepcionante.

Como fecho de análise desse filme o grande mérito de Lutero é valorizar, sobretudo, o aspecto religioso, sem fugir do social que intervinha sobre todo o contexto da época, gerado, principalmente, pelo jugo da igreja Romana sobre o povo, valorizado pela Revolta dos Camponeses.

O próprio Lutero procurou conciliar as facções, e não conseguindo, condenou a rebelião dos camponeses. Cabe destacar que a repressão dos latifundiários sobre os camponeses foi executada com crueldade.

O filme relata a vida de Martinho Lutero, um jovem alemão burguês que após quase ser atingido por um raio acreditou ter recebido um chamado divino e por isso juntou-se a um mosteiro.

Sendo educado num monastério, tornou-se um monge completo de ideologias e com essas idéias lutou para transformar a igreja católica, pois criticava suas regras e a validade das indulgências (documento com o perdão dos pecados), que eram vendidos pela igreja.

Martin Lutero carregou consigo, durante algum tempo, um extremo desejo de se tornar padre. Em 1507 chegou a Enfurt, na Alemanha para trabalhar como professor de Teologia na Universidade de Wittemberg que fora fundada pelo Príncipe Frederico III.

Sua falta de satisfação em sua primeira missa, Lutero obteve um desequilíbrio emocional. Na verdade, dúvidas que pairavam em sua mente, começaram a ganhar força.

A partir deste momento, tais questionamentos sobre a postura da Igreja Católica começaram a incomodar os conceitos de Lutero, que acreditava na existência de um caminho "gratuito" ao amor de Cristo e da salvação.

No filme Lutero é enviado a Roma e aparece transitando pelas ruas, o espectador tem uma clara imagem da deplorável condição social da maioria das pessoas, consideradas súditos do rei e devotos do papa. Essa condição social pode ser expressa em dois termos: ignorância e superstição.

Essas condições as desejadas pelo papado para configurar seus projetos de domínio das consciências humanas. A ignorância deixava as pessoas na incapacidade de visualizar a forma correta de aproximar-se de Deus; a superstição permitia ao papado extorqui-las com ameaças do fogo infernal.

Devido à condição social das pessoas, naquele período da História e da corrupção do papado, o ambiente para uma execução reformadora dos procedimentos da Igreja e dos meios de alcançar a salvação, estava plenamente configurado.

O último impulso para dar início ao movimento reformador foi determinado pela presença do representante papal, oferecendo os benefícios das indulgências.

As cenas projetadas, que exibem essa condição social, impressionam ao apresentar multidões de famintos e esfarrapados, vítimas anônimas da exploração clerical, depositando nos cofres papais suas míseras moedinhas, para poderem eles e seus queridos falecidos se livrar das assaduras eternas do inferno.

O próprio Lutero segue, em cena, uma longa fila para apreciar com reverência o crânio de João Batista, e na condição de penitente, ascende de joelhos sobre os degraus da “Escada de Pilatos”, aquela que, segundo o papado, Jesus subiu durante seu julgamento e que foi levada por anjos até seu lugar, em Roma.

Logicamente, esses objetos como todas as relíquias dessa época eram fraudulentos, levantando em Lutero um sentimento de cólera.

Em Roma o novo papa Leão X, ( Uwe Ochdenknecht ), decide financiar a construção da nova basílica de São Pedro, por intermédio da venda de indulgências que, na Alemanha, fica a cargo do monge dominicano John Tetzel.

Tetzel participava do processo de inquisição da Igreja. Deslocou-se da Espanha para Wittenberg, com intuito de trazer aos fiéis uma "esperança divina", visto que o julgamento de Deus estaria próximo.

Tetzel proferiu um discurso aos fiéis da região com direito a imagens do purgatório para que os "verdadeiros tementes a Deus" pudessem conhecer o seu poder, recomendando assim, a compra da "passagem" ou livramento do purgatório.

Alguns moradores da região "adquiriram" seu livramento após serem convencidos pela Igreja. Essas pessoas se encontraram com Lutero, que por sua vez, se mostrava piamente contra as indulgências, mencionando que tudo não passava de papéis com dizeres de meros homens.

Martin Lutero Condena ensinos errados, alegava ainda, que somente o amor de Cristo era capaz de providenciar paz de espírito, o alcance deste amor era oferecido por meio da Bíblia, gratuitamente.Pregava salvação em Cristo e não a igreja.

A Igreja Católica centralizava seu poder sobre os fieis privando-os de possuírem um exemplar da bíblia, sob alegação que jamais poderiam entendê-la, devido a sua complexidade. Diziam ainda que o papel de ensinar as orientações de Deus era uma responsabilidade exclusiva da Igreja Católica, "comandada" pelo Papa.

Lutero prega 95 Teses pessoalmente na porta da Catedral de Wittemberg. Fiéis da região passaram a ler o que havia nos papéis afixados. Em seguida, os escritos de Martin foram publicados em grande escala, atingindo assim, um maior número de pessoas, inclusive o Papa obteve rápido acesso deste material. Mais tarde Lutero é conduzido ao papa e afirmou suas teses, e suas obras são queimadas.

Assim que a Igreja tomara conhecimento dos pensamentos de Lutero com respeito às "verdades" do catolicismo, o Papa Leão X designou um de seus cardeais para conversar pessoalmente sobre o assunto. Lutero respeitou tal solicitação e conversou com um representante oficial do Papado.

Nesta ocasião, muitos achavam que Martin revogaria suas afirmações em respeito à Santa Igreja. Alguns de seus companheiros mais achegados o aconselharam a não desafiar Leão X, com receio à ser condenado como um herege frente a "Santa Igreja".

O próprio Cardeal jamais esperava ouvir a reafirmação de Lutero sobre tudo o que já havia escutado por meio de outras pessoas e, sobretudo, pro meio de suas teses. A partir deste momento, Lutero deixou de ser considerado católico, definitivamente.

Martin Lutero não ficou livre das intenções da Igreja em julgá-lo pela elaboração das 95 teses. Leão X queria um "julgamento" em Roma. O Príncipe Frederico não concordou com as intenções da Igreja e conseguiu um acordo com seu sucessor, Carlos V para que tal situação ocorresse em Wittemberg.

O Imperador disse ainda seria montado um esquema de segurança para Lutero, com intuito de acompanhá-lo até os limites da região. Esta segunda parte do acordo não foi realizada por Carlos V. Foi neste momento que Frederico demonstrou seu verdadeiro apreço por Lutero, providenciando alguns de seus homens para o "capturarem" antes da Igreja.

Lutero ficou escondido em nos arredores da Universidade, foi também neste momento que Lutero tomou a decisão de traduzir a Bíblia para a língua alemã.

Enquanto estava escondido, Lutero ganhou tempo para traduzir a Palavra de Deus para língua alemã. Desta forma, ele esperava poder oferecer o acesso da bíblia a muitas outras pessoas que estavam verdadeiramente interessadas. Um dos exemplares fora dedicado especialmente ao Príncipe Frederico, que o aceitou de muito bom grado.

Katharine Von Bora, uma freira que havia lido todo material de Lutero e queria muito o conhecer pessoalmente. Katharine foi além, casou-se com Martinho e teve filhos.

Nos registros da História se encontra a rebelião armada de camponeses que ocorreu no ano 1525, na Alemanha, ou seja, pouco depois da Dieta de Worms. A causa desse levante era a situação social e econômica à qual estavam submetidos os camponeses.

(A Dieta de Worms (em Alemão: Wormser Reichstag) foi uma reunião de cúpula oficial, governamental e religiosa, chefiada pelo imperador Carlos V que teve lugar na cidade de Worms (Alemanha), entre os dias 28 de Janeiro e 25 de Maio de 1521 )

Dieta de Worms é sobretudo conhecida pelas decisões que dizem respeito a Martinho Lutero e os efeitos subsequentes na Reforma Protestante. Lutero foi convocado à Dieta para desmentir suas 95 teses, no entanto ele as defendeu e pediu a reforma da Igreja Católica, entre 16 e 18 de Abril de 1521.

O Feudalismo os havia reduzido a um estado de virtual “escravidão”, sem proteção das leis. Dessa forma, estimulados pela rebelião religiosa propiciada por Lutero, os camponeses ficaram mais fortes e decididos nas suas pretensões, e a Reforma se tingiu com a cor da política e o movimento social.

O próprio Lutero procurou conciliar as facções, e não conseguindo, condenou a rebelião dos camponeses. Cabe destacar que a repressão dos latifundiários sobre os camponeses foi executada com crueldade.

No filme, as escassas cenas de ambiente de prosperidade espiritual promovida pelo movimento de Lutero se observam na reunião dos príncipes que apóiam a causa luterana, celebrada antes do encontro com o rei Carlos V.

A outra é na atitude de humildade diante do rei Carlos V, na Dieta de Ausburgo, confirmando sua decisão de não seguir as tradições católicas, ainda que essa atitude lhes custasse a própria vida.Assim sendo foi alcançada liberdade religiosa.

Era o “protesto” dos príncipes, embora nas cenas permaneçam excluídas e nem sequer se faça menção da “Confissão de Ausburgo”, que contém a declaração da doutrina da salvação mediante a fé em Cristo Jesus.

Ninguém duvida que Lutero tenha sido o grande reformador da Igreja; mas, que ele e só ele tenha efetuado essa obra, é, no mínimo, ignorar o papel desempenhado por dois movimentos que o precederam, cuja função foi a de aplainar sua estrada de atuação. Esses dois movimentos foram a Pré-reforma e o Humanismo.

Sobre o filme na sua apresentação plena, podemos no entanto, é preciso destacar, em síntese, que o movimento de Lutero, embora tenha sido levado pelos ventos da reivindicação político-social, permitiu que o cristianismo ou os seguidores de Cristo e seu evangelho bíblico tivessem a oportunidade de conhecer o verdadeiro processo de redenção: a justificação pela fé.

*Um principado é um território governado por um príncipe. É distinto de um reino, normalmente porque tem um tamanho modesto, outras vezes porque não tem soberania total.

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