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PROFECIAS. QUAIS SÃO ESSES LIVROS? E COMO ENTENDER AS PROFECIAS? A PALAVRA DE YHVH É UM TODO E PARA TAL ASSIM TEM QUE SER COMPREENDIDA:

INTRODUÇÃO

 

 

LIVROS PROFÉTICOS:

 

 

 

(ISAÍASJEREMIASLAMENTAÇÕES de JEREMIASEZEQUIELDANIELOSÉIASJOELAMÓSOBADIASJONASMIQUÉIASNAUMHABACUQUESOFONIASAGEUZACARIASMALAQUIAS).

 

 

 

ORGANIZAÇÃO DOS LIVROS

 

Os livros de Isaías a Malaquias (com exceção de Lamentações e Daniel) correspondem à seção do cânon hebraico chamado de “profetas posteriores”. Esses livros proféticos são divididos em dois grupos: “profetas maiores” (IsaíasJeremias e Ezequiel) e “profetas menores” (de Oséias a Malaquias). Dentro dessas duas categorias amplas, os profetas são organizados em ordem cronológica aproximada.

 

 

 

CONTEXTOS HISTÓRICOS

 

         A maioria dos livros proféticos possui sobrescritos que visam apresentar o contexto em que cada profeta ministrou. Joel, Obadias, Jonas, Naum, Habacuque e Malaquias não trazem essa informação, de modo que o contexto histórico deve ser inferido pelo conteúdo dos seus livros. Por mais que o grau de definição do contexto histórico varie de um livro para outro, as informações a esse respeito contribuem de modo significativo para uma interpretação responsável.

         Em termos gerais, podemos falar de três conjuntos de circunstâncias históricas centrais no ministério dos profetas.

         (1) O julgamento por meio dos assírios. No século 8º, a Assíria era o império dominante do antigo Oriente Próximo e, portanto, de motivo grande preocupação para os profetas. Em resposta ao pecado manifesto e prolongado dos israelitas, Yaohu decidiu usar os exércitos da Assíria para julga-los. O ataque ocorreu em três estágios principais. Em c. 734 a.C., Israel, o reino do norte, se aliou à Síria para resistir ao domínio assírio, mas essa coalizão provocou a derrota da Síria e a subjugação severa de Israel pela Assíria (2Rs 15,20-29). Em 722 a.C., os assírios reagiram a novas rebeliões destruindo Samaria; a capital do reino do norte e exilando vários dos seus cidadãos. Por fim, em 701 a.C., o rei assírio Senaqueribe atacou Judá e chegou a sitiar Jerusalém, mas o ETERNO o fez recuar no último instante (2Rs 14 – 19). Os profetas que ministraram nesse período falam com freqüência desses acontecimentos e outros relacionados.

         (2) O julgamento por meio dos babilônios. Em 612 a.C., os babilônios conquistaram Nínive, a capital da Assíria e se tornaram o império dominante da região. Como Israel, o reino no norte, já havia sido derrotado e exilado pelos assírios, Yaohu usou os babilônios para julgar, o reino do sul, mediante invasões e deportações em 605 a.C., 597 a.C., e 586 a.C. A primeira invasão resultou na subjugação e deportação de alguns membros da elite de Judá, como Daniel e seus amigos (Dn 1,3-6). A segunda invasão resultou em mais dificuldades para o povo e em outra deportação de judeus, como Ezequiel (Ez 33,21; 2Rs 24,14). A terceira invasão resultou na destruição de Jerusalém e no exílio de quase toda a população (2Rs 25,1-21). Vários profetas predisseram esses acontecimentos, interpretaram-nos à medida que se desdobravam e refletiram sobre os mesmos após sua ocorrência.

         (3) Restauração. Em 539-538 a.C., o imperador Ciro da Pérsia derrotou a Babilônia e permitiu que os judeus voltassem a Jerusalém. Um pequeno número de judeus regressou à Terra Prometida sob a liderança de Josué, o sumo sacerdote e de Zorobabel, um descendente de Davi. Depois de alguns atrasos, o templo finalmente foi reconstruído em 520-515 a.C. Apesar desse recomeço relativamente promissor da comunidade restaurada, no tempo de Esdras e Neemias e nas décadas subseqüentes (c. 450 – 400 a.C.), a religião falsa se arraigou de tal modo entre o povo que voltou do exílio que todas as esperanças da concretização gloriosa do reino de Yaohu passaram a ser projetadas num futuro distante, conhecido hoje como o período do NOVO TESTAMENTO. Muitos profetas também trataram desses acontecimentos.

         O quadro abaixo fornece um resumo dos principais períodos, as datas aproximadas, as referências bíblicas e o público de cada escrito profético:

 

Período          Profeta         Data            Referência bíblica           Público

 

                        Amós         793-740          2Rs 14,21 – 15,7             Israel

Julgamento     Jonas          786-746           2Rs 14,23-29                      Assíria

Por meio         Oséias        7753-722        2Rs 15 – 18                        Israel

Dos Assírios    Miquéias    742-686          2Rs 14,23 – 20,21              Israel/Judá

                         Isaías         740-686          2Rs 15,1 – 20,21                Israel/Judá

                        Naum          663-627          2Rs 21,1 – 23,35                Assíria               .            

                      Sofonias      640-609        2Rs 22,1 – 23,35              Judá

Julgamento    Jeremias      626-586        2Rs 22 – 25                      Judá

Por meio       Habacuque 605                2Rs 23,36 – 25,21            Judá

Dos               Ezequiel      592-572        2Rs 24 – 25                      Judá no Exílio

Babilônios     Obadias      585                (cf. Jr 49,7-22)                  Edom                .

                      Ageu           520                Ed 5 – 6                           Judá

Restauração  Zacarias      520                Ed 5 – 6                           Judá

                      Malaquias   458-431        (cf. Ne 1,1)                        Judá                 .

       -             Joel             incerta                                                    Judá

 

 

          A verdadeira profecia cessou em Israel por volta do tempo de Malaquias. Em três ocasiões, o autor do livro apocalíptico de 1Macabeus (4,46; 9,27; 14,41) que, no geral, é um relato histórico sério da revolta dos judeus contra Antíoco Epifânio (c. 165 a.C.), afirma claramente que não havia profetas em Israel e sugere que esse fato não era recente.

          O período intertestamentário de silêncio terminou com a proclamação de João Batista de que Yaohu estava prestes a estabelecer o seu reino (Mt 3,12; Mc 1,3-8; Lc 3,2-17). Malaquias encerra a profecia do Antigo Testamento com uma predição de que Yaohu enviaria um mensageiro, um novo “Elias” a fim de preparar o caminho para a vinda futura de Yaohu ao seu povo (Ml 3,1; 4,5). O SALVADOR e os evangelhos identificaram João Batista como o Elias predito em Malaquias (Mt 17,12-13). Assim, João abriu caminho para uma nova era de profecia – a era do reino de Yaohu em Cristo.

 

         (1Co 1,1: Apóstolo – Alguém a quem Cristo escolheu diretamente e a quem deu autoridade para ser mensageiro de sua Palavra!).

 

         [Sendo assim, o meu entender é que: “Todo aquele”, que se auto-intitula ser “Apostolo”; “Profeta – realizando novas profecias”, é falso...!]. Anselmo Estevan.

 

 

O PAPEL DOS PROFETAS

         O profeta era a “boca” ou o porta-voz de Yaohu. O ETERNO disse a Moisés a respeito de Arão: “Ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Êx 4,16) e, posteriormente, resumiu esse papel da seguinte maneira: “Arão, teu irmão, será teu profeta” (Êx 7,1). Ser um profeta significava falar com autoridade em nome de Deus – YAOHU!

         A função básica dos profetas é expressa claramente em três relatos do chamamento de profetas por Yaohu que se assemelham em vários aspectos ao chamamento de Moisés por Yaohu em Êx 3,1-12 (Is 6,1-13; Jr 1,1-10; Ez 1,1 – 3,11). Em todos os casos, Yaohu confronta o profeta diretamente com uma palavra introdutória e uma comissão: Na sarça ardente (Êx 3,1-10), no templo (Is 6,1-10), num lugar não especificado (Jr 1,4-5) e na calmaria de uma tempestade (Ez 1,1 – 2,5). Depois de os profetas apresentarem objeções (Êx 3,11; Is 6,11; Jr 1,6; implicitamente, Ez 2,6.8), o ETERNO os tranqüiliza, por vezes com um sinal (Êx 3,12; Is 6,11-13; Jr 1,7-10; Ez 2,6 – 3,11). Essas vocações divinas não apenas garantiam aos próprios profetas que o chamado era proveniente de Yaohu, como também os autorizavam aos olhos de outros como indivíduos que não falariam com a sua própria autoridade, mas sim com a autoridade de Yaohu.

         Antes da monarquia humana em Israel, os profetas falavam em NOME de Deus – Yaohu de várias maneiras. Quando a monarquia humana foi instituída, os profetas se tornaram cada vez mais ligados aos governantes da terra. Os profetas de Israel serviam de emissários entre Yaohu, o Rei supremo, e seu rei humano e a nação, Israel. Usando de uma analogia como as práticas políticas do mundo antigo, o Rei divino de Israel enviava, emissários proféticos para dar orientação, louvar a fidelidade e condenar as transgressões das alianças que ele havia estabelecido com o seu povo vassalo.

         Essa função de emissário era extremamente importante para o ministério de todos os profetas do Antigo Testamento que registraram suas profecias por escrito. Eles ameaçaram maldições e ofereceram bênçãos de acordo com a aliança firmada entre Yaohu e Israel (veja Lv 26; Dt 28 – 30; cf. Is 1,2; Jr 2,9; Os 4,1; Mq 1,2; 6,2). Em conformidade com os termos da aliança, os profetas anunciaram várias maldições secundárias, bem como a maior maldição de todas, a saber, a destruição total e o exílio da Terra Prometida. Também proclamaram várias bênçãos secundárias, bem como a maior bênção de todas, a saber, a restauração depois do exílio. Todos esses elementos proféticos revelam o papel desses indivíduos como emissários do Rei divino em sua aliança com Israel.

 

 

OS VERDADEIROS PROFETAS E SUAS PREDIÇÕES

        

Tendo em vista os profetas falarem como emissários de Yaohu em sua relação de aliança com Israel, era essencial que o povo fizesse distinção entre os verdadeiros e os falsos profetas. O verdadeiro profeta era definido segundo três critérios: Devia ser um israelita (Dt 18,15); devia ser fiel à aliança mediada por Moisés (Dt 13,1-5); e suas predições deviam se cumprir (Dt 18,21-22). Na história de Israel, muitos dos que se proclamavam profetas falharam quanto a esses critérios, mas todos os profetas que deixaram suas profecias por escrito os satisfizeram plenamente.

         É importante compreender corretamente o terceiro critério que trata do cumprimento das predições. Por um lado, não há dúvidas que os decretos eternos de Yaohu incluem “tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis” e que esses decretos são imutáveis; Yaohu realiza infalivelmente tudo o que determinou (Confissão de Fé de Westminster 3,2; Catecismo Maior de Westminster 13). Assim, quando os profetas revelavam desígnios eternos em suas predições, estas se cumpriam sem falta. No entanto, seria um grave equívoco imaginar que todas as profecias revelam os decretos eternos e imutáveis de Yaohu. Na maior parte das vezes, os profetas falavam de acontecimentos futuros que não haviam sido determinados imutavelmente por Yaohu (veja o parágrafo a seguir). Sua tarefa principal era servir de instrumentos da providência divina.

         Jr 18,1-11 ensina claramente que nem todas as predições feitas por profetas verdadeiros se realizavam necessariamente. Pelo contrário, as palavras dos profetas visavam, com freqüência, motivar seus ouvintes, e não prognosticar acontecimentos. Muitas vezes, anunciavam os julgamentos futuros como ameaças, e não condenações inevitáveis, e falavam de bênçãos futuras como ofertas, e não promessas garantidas. Na verdade, os profetas revelavam que Yaohu tinha níveis diferentes de determinação no que se referia às predições proféticas. Em algumas ocasiões, a natureza condicional da profecia era explicada (p. ex., Jr 22,4-5). Em outras ocasiões, era implícita (p. ex., Jr 7,5-7; Is 7,9). Por vezes, Yaohu oferecia palavras ou sinais para confirmar o seu nível elevado de determinação de cumprir uma profecia (Is 38,7; Jr 44,29). Ocasionalmente, os profetas relatavam que Yaohu estava tão determinado a cumprir uma profecia que ele havia jurado faze-lo (Is 45,23; Jr 22,4-5; 49,13). Nessa última categoria, o juramento divino demonstrava o caráter inevitável do cumprimento de uma predição; elevava a palavra profética até o nível da imutabilidade, pois Yaohu jamais quebra seus votos solenes (Nm 23,19). Ainda assim, os detalhes acerca do modo, tempo, lugar e grau, e contra ou a favor de quem o cumprimento se daria normalmente não eram especificados, permanecendo ocultos até que a profecia jurada se cumprisse.

         Em decorrência disso, todas as predições proféticas podiam ser afetadas em maior ou menor grau pelas reações humanas a essas profecias. As Escrituras estão repletas de exemplos em que o arrependimento, a oração, e recalcitrância e a indiferença levaram Yaohu a suspenderadiarestenderabreviarapressaramenizar ou intensificar o cumprimento das predições proféticas (Êx 32,12; 2Sm 12,14-22; Jo 3,4-9).

         Por esse motivo, quando aplicamos corretamente o critério das predições cumpridas aos verdadeiros profetas, devemos sempre perguntar de que maneira os profetas pretendiam que suas predições fossem compreendidas. Que nível de determinação divina as palavras do profeta indicavam? Era intenção do profeta que suas predições fossem consideradas condicionais ou inevitáveis? Não devemos nos contentar com uma compreensão mecânica da palavra profética desassociada de tais intenções proféticas.

         Mesmo assim, as profecias bíblicas são tão abrangentes e específicas que envergonham os profetas pagãos (Is 41,21-29). Todas as épocas e povos, especialmente do antigo Oriente Próximo, tiveram seus adivinhadores, videntes ou feiticeiros que afirmavam anunciar o futuro (Dt 18,9-13; 1Rs 18,19.25,40). No entanto, não há nada em toda a literatura do antigo Oriente Próximo que se compare às profecias reunidas nas Escrituras. Sua especificidade e cumprimento notável e sua compreensão abrangente e magnífica da História não têm paralelos em nenhuma outra tradição literária. Em muitas ocasiões, suas profecias de destruição foram proferidas quando a nação estava no auge do poder, e suas profecias de vitória foram dadas em situações que pareciam inteiramente perdidas.

 

 

 

AS FORMAS DE LITERATURA PROFÉTICA

      

         Os profetas utilizaram basicamente três formas literárias em seus livros: (1) narrativas – tanto biográficas (Dn 1 – 3) como autobiografias (Is 6; Jr 1); (2) discursos dirigidos a Yaohu – Lamentos (Jr 9,10; [Lamentações de Jeremias]; Ez 2,3-10); petições (Jr 42,2; Dn 9,17) e louvor (Is 12,1-6), e (3) discursos dirigidos a pessoas – como cântico de escárnio (Is 14), ditos de sabedoria (Is 28,23-29) e contestações (Is 1,18; 43,26), entre outros.

         Os oráculos dirigidos a pessoas são predominantes nos livros proféticos. Esses discursos podem ser classificados de acordo com a tendência a focalizar mais as maldições ou as bênçãos da aliança. Embora os profetas se dirigissem ao povo de várias maneiras, alguns padrões básicos de discurso aparecem com tanta freqüência que é proveitoso identifica-los e descreve-los.

         Por um lado, várias formas de discurso tinham como objetivo maior anunciar desde as maldições secundárias da aliança até a maior ameaça de todas, ou seja, o exílio.

         (1) Demandas. Como emissários do Rei celestial de Israel, os profetas ouviam e, por vezes, participavam do tribunal do céu. Em seguida, relatavam o que haviam visto e ouvido em linguagem jurídica formal. Yaohu entrava em juízo contra o seu povo por este haver transgredido manifestamente a sua aliança e os sentenciava a maldições severas (Is 3,13; Mq 6,1-2).

         (2) Oráculos de julgamento. Os profetas também transmitiam mensagem de destruição numa linguagem que não refletia de modo tão direto as formalidades do tribunal celestial. Esses oráculos normalmente se iniciavam identificando a quem eram dirigidos e, em seguida, apresentavam uma ou mais acusações e sentenças (Ez 7,7-10; Zc 9,1-8).

         (3) Os ais. Quando o julgamento de Yaohu era particularmente severo, os profetas expressavam ais. Esses discursos normalmente eram bastante semelhantes aos oráculos de julgamento (identificação do destinatário, acusações e sentenças) com o acréscimo de um clamor de “ai”. Advertiam sobre coisas terríveis que aconteceriam quando as maldições sobreviessem (Is 3,9-11; 5,8-22; Ez 13,3-18; Os 7,13; Na 3,1).

         Por outro lado, os profetas também anunciavam bênçãos, desde vantagens relativamente pequenas e pessoais até à bênção suprema de restauração do povo à Terra Prometida depois do exílio. Normalmente, essas profecias eram dadas de dois modos:

 

         (1) Oráculos de salvação. Os profetas consolavam Israel com oráculos de salvação ou libertação. Esses oráculos assumiam várias formas diferentes, mas normalmente incluíam algum tipo de anúncio de bênção seguido de detalhes sobre a maravilha dessa bênção. O foco principal dos oráculos de salvação era a restauração do povo de Yaohu à Terra Prometida depois do exílio, tema que ocupa seções extensas dos Profetas Maiores (Is 40 – 55; Jr 30 – 33; Ez 34 – 40). Essas profecias de consolo eram baseadas nas promessas feitas por Yaohu em sua aliança com os patriarcas (Gn 15,1-21; 17,1-22; 22,15-18), as quais Moisés confirmou posteriormente ao descrever o período posterior ao exílio vindouro como um tempo em que Yaohu derramaria misericórdia e bênçãos sem precedentes sobre o seu povo (Dt 30,1-10).

         As promessas de restauração se cumpriram parcialmente na volta do exílio em 539-538 a.C. (Veja 2Cr 36,22-23; Zc 1,8-17), mas o Novo Testamento revela que o seu cumprimento total se encontra em Cristo. Nesse sentido, profecias de restauração foram inspiradas pelo Rúkha – YaohushuaO Espírito de Cristo para a sua Igreja (1Pe 1,10-12; 2Pe 1,19-20). Algumas se referem diretamente ao ministério de Cristo aqui na terra, enquanto outras dizem respeito ao ministério e reinado de Cristo no céu e à obra da Igreja em andamento no presente. Todas as profecias se cumprirão plenamente nas realidades dos novos céus e nova terra quando Cristo voltar.

 

         (2) Oráculos contra as nações. Os profetas também transmitiam mensagens de esperança e salvação para o povo de Yaohu por meio do pronunciamento de julgamentos contra outras nações que haviam se rebelado contra o ETERNO. Ainda que num sentido formal essas profecias fossem julgamentos, serviam também de garantia de salvação para o povo fiel de Yaohu, pois eram voltadas contra os seus inimigos. Os livros de Naum e Obadias são inteiramente constituídos de descrições de guerra santa contra os gentios. Seções extensas dos livros maiores também são dedicadas a oráculos contra as nações (Is 13 – 24; Jr 46 – 51; Ez 25 – 32).

         Os oráculos contra as nações se dividem em dois tipos principais. Muitas das profecias anunciavam que Yaohu julgaria nações específicas por meio dos ataques de outras nações (p. ex., Am 1,2 – 2,3; Sf 1,18-21). No entanto, vários profetas proclamaram que um julgamento mundial final contra as nações ocorreria depois que o povo de Yaohu tivesse voltado do exílio (Ez 38,17-23; Am 9,12; Ag 2,20-23).

 

 

CRISTO NOS PROFETAS.

Os profetas do Antigo Testamento apontam para Cristo e sua obra de várias maneiras. Em todos os casos, Cristo cumpriu dimensões dessas expectativas proféticas em sua primeira vinda, continua a cumpri-las em seu ministério à Igreja nos dias de hoje e as cumprirá definitivamente na consumação de todas as coisas em sua segunda vinda (“O Reino de Yaohu” – Mt 4).

         Na maioria dos casos, os profetas prenunciaram Cristo de modo bastante indireto, especialmente ao falarem de julgamentos e bênçãos secundárias cujo cumprimento se deu, em geral, durante o Antigo Testamento. Esses atos de justiça e misericórdia divina já haviam ocorrido, mas também prefiguravam os julgamentos e bênçãos maiores que Cristo traria.

         Os profetas predisseram Cristo e sua obra mais diretamente ao se concentrarem no grande julgamento do exílio e na bênção da restauração do povo à Terra Prometida depois do exílio (com os respectivos julgamentos contra as nações por ocasião da restauração). A destruição e exílio de Israel e Judá foram apenas prelúdios do julgamento eterno que sobrevirá contra o povo da aliança que se rebelar contra Yaohu. Do mesmo modo, a restauração do povo fiel de Yaohu à Terra Prometida e as bênçãos que receberam, bem como o julgamento contra as nações, predito para os dias de restauração, prenunciaram a recompensa e o julgamento final que Cristo trará.

         As predições mais diretas acerca de Cristo podem ser vistas nas ocasiões em que os profetas falam de atividades reais e sacerdotais especificas que ocorreriam em conjunto com a restauração depois do exílio (“Levantarei o tabernáculo caído de Davi” [Am 9,11]; “Te farei como um anel de selar” [Ag 2,23]) É nesse contexto que as profecias messiânicas de cunho real aparecem. Ao falarem dos dias do reino de Yaohu depois do exílio, os profetas se referiram às maneiras em que o Filho de Davi julgaria os inimigos de Yaohu e traria bênçãos eternas sobre o seu povo. Essas predições se cumpriram, estão se cumprindo e se cumprirão em o SALVADOR – CHRISTÓS = O UNGIDO!

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Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:13

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

ISAÍAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

        

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Isaías.

         Propósito: incentivar os contemporâneos do profeta a serem leais ao ETERNO e exortar os futuros leitores exilados a se arrependerem de seus pecados e a confiarem que, após o exílio, o ETERNO abençoaria o remanescente fiel e as outras nações de maneira como nunca antes eles haviam sido abençoados.

         Data: c. 686-650 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu chamou Isaías para advertir o seu povo sobre a decisão divina de manda-los para o exílio e para garantir que, no futuro, após o exílio, o povo voltaria a receber bênçãos sem precedentes.

         A confiabilidade de Isaías foi demonstrada pelo cumprimento de muitas de suas primeiras profecias, feitas antes de o seu livro ser escrito.

         As maravilhosas predições de Isaías sobre o fim do exílio na Babilônia e a restauração certamente aconteceriam, mas somente os arrependidos em Israel e entre os gentios desfrutariam dessas bênçãos.

 

 

         Propósito e características

         Como profeta de Yaohu, Isaías tratou tanto das bênçãos quanto do julgamento das alianças de Yaohu com Israel (veja “Introdução aos livros proféticos”). Por outro lado, o ministério de Isaías consistiu em grande parte em fazer acusações, condenações e críticas à medida que ele pronunciava sobre Israel e Judá as maldições da aliança pela flagrante desobediência a obrigações inerentes a ela (1,2-31; 13,1 – 23,18; 56,9 – 57,13; 65,1-16). O profeta falou de muitas maldições diferentes que viriam, sendo as mais sérias a destruição e o exílio. De fato, tanto Israel quanto Judá ficaram tão aquém dos ideais da aliança que Yaohu ordenou a Isaías que profetizasse para que o coração do povo fosse endurecido e a sua decisão quanto ao exílio não fosse evitada (6,1-13).

 

 

 

         CRISTO EM ISAÍAS.

       As profecias de Isaías prenunciam Cristo em pelo menos três aspectos. Primeiramente, Isaías advertiu sobre os julgamentos que viriam contra o povo rebelde de Yaohu e sobre as nações que resistissem a ele (1,20; 3,13-15; 11,4; 34,2; 51,5). Por fim, as decisões divinas com as quais Isaías ameaçou foram cumpridas no ministério de Cristo (53,4-6.12; 2Co 1,15; Hb 9,26).

         Segundo, Isaías garantiu que o povo de Yaohu que se mantivesse fiel iria desfrutar de uma gloriosa restauração após o exílio – uma restauração que ele chamou de “Os novos céus e a nova terra” (66,22; veja também 65,17). O SALVADOR inaugurou essa nova criação por meio de um ministério terreno que separou novamente a luz das trevas (Jo 1,1-9). Ele dá prosseguimento a essa nova criação por toda a história da Igreja (2Co 4,6; 5,17; Gl 6,15; Tg 1,18) e a levou à sua plenitude quando voltar (Ap 21,1-3). “O Reino de Deus Mt 4”.

         Terceiro, o Novo Testamento refere-se mais a Isaías do que a qualquer outro livro do Antigo Testamento quando a questão é indicar de que maneira o SALVADOR cumpriu as expectativas do Antigo Testamento em relação ao Messias. O mais importante aspecto no qual o SALVADOR cumpriu as profecias de Isaías diz respeito ao tema dominante o do servo (Is 42,1). Isaías predisse que o “servo” traria justiça às nações (42,1-4), restabeleceria a aliança de Israel com o ETERNO (42,5-7), se tornaria luz para os gentios (49,1-7), tiraria os pecados dos eleitos e ressuscitaria dos mortos (52,13 – 53,12). O novo Testamento identifica esse SERVO-SALVADOR como o nosso SALVADOR – Yaohushua – Christós, o ETERNO encarnado: (Mt 8,17; 16,21; 27,26.29.31.38.57-60; Mc 14,49.61; 15,27.43-46; Lc 2,14; 18,31-33; 23,32; Jo 1,10-11.29; 3,17; 12,38; 19,1.7.18.38-41; At 2,23; 3,13; 7,32-33; 8,32-33; 10,43; Rm 4,25; 8,34; 10,15-16; 15,21; 1Co 15,3; Ef 3,4-5; Fp 2,9; Hb 5,8; 9,28; 1Pe 2,22-25; 1Jo 3,5; Ap 14,5).

 

 

 

Bem, como o Livro de Isaías é como se fosse um resumo da Bíblia dentro dela mesma, e, sendo o meu preferido, vamos estuda-lo de forma diferenciada como sendo um Livro – um documentário histórico:

 

 

ISAÍAS

 

INTRODUÇÃO

 

 

I. INTRODUÇÃO DO LIVRO

 

 

         Sob o nome de Isaías encontra-se reunido um conjunto de 66 capítulos que, segundo indícios evidentes, não datam todos da mesma época. O fato de um livro ter uma pluralidade de autores não tem em si nada de surpreendente: muitos outros livros do Antigo Testamento apresentam um caráter compósito: mas, enquanto estes últimos são em geral anônimos, o livro de Isaías se apresenta sob o nome de um personagem, Isaías, que viveu em uma época bem precisa da história de Israel (1,1). A tese de um único autor teve e continua tendo os seus adeptos. A opinião tradicional judaica e cristã foi expressa pelo Sirácida (século II a.C.) o qual, depois de ter falado da atividade do profeta sob o rei Ezequias, diz “que ele viu o fim dos tempos e consolou os aflitos de Sião... anunciou o futuro e as coisas escondidas antes de acontecer” (Sr 48,24-25 – Livro apócrifo). Todavia, a pluralidade de autores não impede que se fale da “unidade” do livro, mas tal unidade tem de ser procurada numa continuidade que se estende por vários séculos e na permanência de determinados temas.

         A prova mais manifesta da pluralidade de autores aparece no início do cap. 40, onde começa a assim chamada obra do Segundo ou Dêutero-Isaías: sem nenhuma transição visível, vemo-nos transportados do século VIII para pleno período do Exílio (século VI). Não se fala mais uma única vez de Isaías, e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com freqüência, assim como o do rei dos medos e dos persas, Ciro, conquistador da Babilônia e artífice do regresso dos judeus a terra deles (41,2; 44,28; 45,1). Com o cap. 40 começa um novo livro, ao qual serão dedicados parágrafos especiais da presente introdução.

         Por mais importantes que sejam, os caps. 40 – 66 não são a única parte do livro seguramente posterior à época de Isaías. Olhando de perto, constata-se que os caps. 36 – 39 constituem a repetição – com importantes variações, é verdade – de um texto histórico que se encontra também no livro dos Reis (2Rs 18,13 – 20,19). Os caps. 34 – 35 revelam uma característica exílica e apresentam parentesco com a obra do Segundo Isaías. Finalmente, o conjunto constituído pelos caps. 24 – 27, correntemente denominado “o apocalipse de Isaías”, está muito longe da mentalidade e das representações dos homens do século VIII. No interior dos conjuntos habitualmente referidos ao próprio profeta (1 – 12; 13 – 23; 28 – 33), há ainda certo número de fragmentos que os comentadores consideram de época posterior.

         Convém, portanto, constatar o caráter heterogêneo do livro e não procurar provar artificialmente a unidade do autor. Tentar apresentar a formação do livro de Isaías é, porém, uma tarefa em grande parte hipotética. O término definitivo do livro situa-se depois do Exílio, e mesmo depois do retorno pressuposto pelos caps. 56 – 66. Os redatores tinham à sua disposição não somente trechos esparsos, mas verdadeiras coletâneas. Pode-se admitir que o núcleo do livro de Isaías é constituído por elementos com dominante autobiográfica, notadamente o relato, pelo próprio profeta, da sua vocação ao ministério profético (cap. 6).

         Que o próprio profeta tenha praticado a escrita é atestado por textos como 8,1.16 e 30,8, mas é provável que a redação de bom número dos seus oráculos não tenha sido feita por ele, e sim, por seus discípulos, agindo sob a sua ordem, ou algum tempo mais tarde, quando era preciso mostrar a concordância entre os acontecimentos e as palavras pronunciadas. O círculo dos discípulos de Isaías parece ter sido constituído primeiro pela sua própria família: seus filhos, que ele associou ao seu ministério, dando-lhes nomes simbólicos, e sua mulher, que é denominada “a profetisa” em 8,3. Ampliado em seguida, este círculo de discípulos – alguns chegam a falar de uma verdadeira escola de Isaías – deve ter desenvolvido uma atividade literária a partir dos oráculos do mestre. Deve também ter constituído ou pelo menos prefigurado o resto fiel que, depois da catástrofe, seria o germe do povo de Yaohu.

         Sobre o número e a dimensão das coletâneas preexistentes que entraram na composição do livro de Isaías, só podemos, evidentemente, fazer conjeturas. O conjunto dos oráculos e histórias reunidas foi inserido num esquema convencional que reencontramos na maioria dos outros livros proféticos, em particular em Jr e Ez, e que comportava três partes:

         a) profecias de julgamento sobre Israel;

         b) profecias de desgraças sobre os povos estrangeiros;

         c) promessas de salvação, principalmente para Israel.

         Contudo, como as diversas coletâneas que entraram na composição do livro já constituídas, por vezes segundo o mesmo esquema, no momento da sua redação definitiva, elas resistiram em parte a este enquadramento geral. No interior dos caps. 1 – 39, podemos encontrar as seguintes subdivisões:

         1. Introdução ao conjunto do livro, constituída por uma seleção de oráculos de épocas diversas e destinada a fornecer um resumo da pregação do profeta.

         2 – 12. Profecias sobre Israel e Judá, que na sua maioria estão entre as mais antigas de Is.

         13 – 23. Oráculos sobre as nações estrangeiras.

         24 – 27. Conjunto com dominante apocalíptica.

         28 – 33. Oráculos diversos de promessas e de ameaças sobre Israel e sobre Judá (cf. 2 – 12).

         34 – 35. Outros fragmentos apocalípticos.

         36 – 39. Relatos sobre a atividade de Isaías no momento da campanha de Senaquerib contra Jerusalém.

 

 

 

II O PROFETA ISAÍAS

 

         A atividade do profeta. Livro aberto, incessantemente ampliado, o livro de Isaías poderia ser comparado a uma biblioteca, talvez a biblioteca profética por excelência. Mas este aspecto de antologia põe justamente em relevo o papel essencial desempenhado pelo profeta Isaías enquanto vivo e, depois da sua morte, na memória do povo. Este personagem extraordinário foi chamado a profetizar enquanto era ainda relativamente jovem, em 740, e sua atividade se estendeu por um período de, no mínimo, quarenta anos. Seu aparecimento no cenário da história coincide com o período de prosperidade conhecida por Judá sob o longo reinado de Ozias (ou Azarias, cf. 2Rs 15,1-7), mas que tinha como contrapartida o desenvolvimento de luxo, o advento de uma classe de proprietários que açambarcavam todas as terras, o esmagamento dos pobres. O profeta só pode estigmatizar o que considera como o contrário da justiça querida por Yaohu e anunciar a cólera dele. Alguns anos antes, Amós falara na mesma linguagem ao povo de Samaria.

         É no começo do reinado de Acaz (2Rs 16,1-20) que Isaías desponta no primeiro plano da atualidade política: enquanto Arâm, cuja capital é Damasco, e Israel, cuja capital é Samaria, tentam levantar-se contra o poder cada vez mais ameaçador da Assíria, o rei Acaz de Judá, ao contrário, estima que a melhor solução é submeter-se à proteção do rei da Assíria, o que lhe vale uma expedição punitiva da parte dos seus dois vizinhos, que querem forçá-lo a entrar na coalizão deles. Esta expedição fracassa, porém Acaz continua sua política assirófila. Após esses acontecimentos, que se situam em torno de 734, o profeta parece haver-se retirado, por sua vontade ou à força, da vida pública durante dez anos. Ele assiste impotente à ascensão progressiva da potência assíria, que se irá fazer sentir em várias províncias do reino de Israel, fazendo-o ruir em 722.

         Quando Ezequias sucede a Acaz, em 716 (2Rs 18 – 20). Isaías retorna ao primeiro plano do cenário político. Todavia, se o novo rei se demonstra um fiel do ETERNO, não se deixa aconselhar pelo profeta na condução dos negócios. Isaías sempre se opôs, por motivos religiosos, à aliança de Judá com o Egito e com outros povos vizinhos, mesmo para opor-se à Assíria, quaisquer que fossem as boas razões que pudessem recomendar tais alianças. Ao oportunismo, Isaías sempre opôs as exigências da fidelidade ao ETERNO, em virtude da qual cólera de Yaohu para a punição do povo rebelde, ora o inimigo-tipo, cuja arrogância não podia ficar impune.

         A retirada dos exércitos de Senaquerib de diante de Jerusalém, em 701, fora anunciada pelo profeta. Este evento deve ter favorecido o seu prestígio, a despeito das suas profundas divergências com os chefes políticos acerca das causas e das conseqüências do que acabava de suceder.

         Chegou-se a supor que Isaías era aparentado à família real, mas a sua autoridade lhe vem antes de tudo da sua missão profética. Embora procurado por causa de seus conselhos, Isaías era seguido apenas por uma minoria. Os representantes oficiais da religião, sacerdotes e profetas, não o ouviram e até o afligiram com os seus sarcasmos. A tradição que faz de Isaías um mártir é certamente apócrifa (pseudepígrafo intitulado Ascensão de Isaías e Hb 11,37): parece, de acordo com o sobrescrito do livro (1,1), que ele não estava mais vivo no tempo do rei perseguidor, Manassés, mas percebe-se nesta lenda o eco de uma opinião, muitas vezes confirmada pelos fatos, segundo a qual a existência profética é, humanamente falando, a experiência do fracasso.

         As qualidades essenciais de Isaías – autoridade, nobreza, fé em Yaohu e compaixão pelo seu povo – aparecem na sua linguagem, que se conforma a certas regras tradicionais do oráculo profético, que ele aplica com um domínio da língua até então desconhecido: são freqüentes os trocadilhos, muitas vezes cheios de humor, as aliterações, as assonâncias, as metáforas. Como para os sábios junto aos quais se formou, a realidade lhe parece carregada de sentido. Os elementos da natureza, o fogo, a terra, a água e o vento se lhe apresentam sob o seu duplo aspecto de poder de vida e de morte e exprimem o duplo aspecto de Yaohu, ao qual não se consegue escapar, assim como não se escapa também à realidade que nos cerca. Tudo isto é dito com notável concisão, sem nenhuma palavra supérflua, o que permite distinguir certas frases rasas e redundantes do livro, das palavras autênticas do profeta. Se a linguagem tem não somente poder de expressão, mas também força de criação é sem dúvida em Isaías que encontramos a melhor ilustração bíblica disto.

 

 

         A mensagem do profeta. A mensagem do profeta está intimamente ligada à sua pessoa e às circunstâncias em meio às quais foi levado a exercer a sua atividade: Isaías fala sempre em e para situações precisas, e a sua atitude depende daquilo que ele vive com o povo. É impossível reduzir esta mensagem a um conteúdo esquemático sem sacrificar-lhe a originalidade. Contudo, já que este profeta, sempre presente ao Yaohu eterno sentado em seu trono, está também presente ao mundo com sua história e suas dificuldades, podemos encontrar nas certas constantes mensagens de Isaías.

         Yaohu é para ele o Santo, o que pode ser traduzido pelo termo de transcendência; mas o Yaohu Santo é o Santo de Israel, isto é, ele tenciona ligar-se ao seu povo. A expressão Santo de Israel só aparece mui raramente fora do conjunto do nosso livro e pode ser considerado como característica da teologia da escola de Isaías. A santidade de Yaohu é ciumenta (colocando nos termos “humanos”), não tolera ser compartilhado com ídolos, nem no plano religioso nem no plano político. Ao ser humano – em Isaías a ligação como o povo nunca exclui a visão da humanidade inteira – importa tomar consciência desta verdade, cuja evidência só pode ser negada pelo insensato, e viver em coerência com ela. São, portanto, sempre condenados, quaisquer que sejam as circunstâncias, o orgulho, a idolatria sob todas as formas, a confiança que se deposita nas armas e nas manobras pelas quais as pessoas pensam subtrair-se ao olhar de Yaohu.

         Este Yaohu transcendente tem uma história, que não se desenrola independentemente da história do mundo, mas tampouco coincide sempre com ela: o plano ou o conselho (desígnio) de Yaohu, do qual Isaías gosta de falar, é o de um Yaohu escondido, muitas vezes desconcertante e incompreensível, mas sempre mais sábio que os conselheiros considerados hábeis. Inteiramente convicto da soberania do plano de Yaohu, nem por isso o profeta deixa de atribuir grande importância à atividade e até à iniciativa dos homens, que nunca são salvos ou condenados sem que eles mesmos o queiram. É tudo isso que está contido no termo , que designa uma atitude permanente para o qual Isaías sempre conclamou o povo. Trata-se de uma fé enérgica, a ponto de parecer absurda e contrária à opinião comum, como no momento da guerra siro-eframita: Sem firme confiança não vos firmareis, isto é, se não crerdes firmemente, não sereis consolidados (7,9). Mas esta fé vigorosa é também feita de calma e de humilde confiança (30,15).

         Esta firmeza exigida do homem deve apoiar-se nos sinais que Yaohu deu da sua santidade e da sua vontade de estabelecer a sua realeza de um modo perfeito (cf. tema da terra repleta do conhecimento de Yaohu, 11,9 – Por isso, nada é “Inventado”. E, sim: “Descoberto”): Anselmo Estevan. O trono celeste tem a sua réplica no trono de David estabelecido em Jerusalém. Isaías está fortemente ancorado na tradição davídica e, embora considere que a sucessão dinástica possa ser rompida, o rei ideal do futuro será sempre, para ele, um filho de David, seu messianismo é um messianismo régio. A dinastia de David está estabelecida em Jerusalém, que é não somente o centro de Judá, de Israel e do antigo império, mas também, segundo uma antiga tradição retomada e renovada por Isaías, o centro do mundo, para o qual convergirão todas as nações (2,1-6). David e Jerusalém, eis dois temas principais da sua mensagem, para os quais não cessou de chamar a atenção dos seus ouvintes, e que os discípulos dele retomaram amplamente, adaptando-os ás circunstâncias novas: tanto o messianismo como o papel central e universal de Jerusalém permanecerão no centro da segunda (4 – 55) e da terceira (56 – 66) parte do livro.

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:13

 

III. O SEGUNDO OU DÊUTERO-ISAÍAS

 

         Época e ministério do profeta. A mensagem dos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías é dotada pelo fato de ela anunciar o triunfo dos persas, a derrota dos babilônios e a libertação bem próxima dos israelitas exilados na Mesopotâmia. Portanto, esta mensagem foi pronunciada entre 550 e 539, isto é, após as primeiras vitórias de Ciro II, o Grande (41,2-3), sobre Astíages (550) e sobre Creso (546), e antes da sua campanha contra a Babilônia (Is 45 – 48), na qual ele penetra, sem combate, em 539, saudado como libertador, uma vez que o último monarca babilônico, Nabônides, pelas suas inabilidades, levantou contra si a maioria dos seus súditos.

         Opositores notórios de Nabônides, os sacerdotes caldeus atribuem os sucessos do rei persa ao deus supremo deles. Marduk (Jr 50,2), e seus acólitos Bel e Nebô (Is 46,1). Até na colônia israelita, alguns estariam propensos a ver nos acontecimentos uma intervenção desses falsos deuses, mas o nosso profeta anônimo, o Segundo Isaias, permanece vigilante no meio dos seus irmãos exilados: lembra-lhes que o único soberano do mundo é o ETERNO. Seguro de estar falando em nome dele (Is 48,16), anuncia-lhes a salvação, isto é, a libertação do jugo babilônico, à volta a Terra Santa e a restauração de Jerusalém.

         A libertação vai pôr fim a um exílio de “sete semanas de anos” (587-538); operada de maneira desconcertante por um “messias” pagão, Ciro (Is 45,1), ela fará os israelitas passarem da humilhação para a exaltação. O retorno deles a Terra Santa aparecerá como um Êxodo novo e mais belo que o antigo: recordando a saída do Egito, ele enfatizará a fidelidade de Yaohu ao seu desígnio: eclipsando a saída do Egito, ele deixa entrever a realização definitiva deste mesmo desígnio, o Reino de Yaohu universal (Is 52,7-10). Como este Reino deve instaurar-se a partir de Jerusalém, a Cidade Santa conhecerá uma restauração deslumbrante: é graças a ela que a salvação operada por Yaohu se manifestará a todos os homens sem exceção.

         Se o segundo elemento desta salvação, o novo Êxodo, está presente ao longo de todo o livro (caps. 40 – 55), O primeiro (queda da Babilônia, libertação por Ciro) ocupa, sobretudo os caps. 40 – 48, e o terceiro (restauração de Sião, insistência no universalismo da salvação), sobretudo os caps. 49 – 55. Por conseguinte, existem provavelmente duas fases no ministério do Segundo Isaías.

 

         A) Primeira fase (caps. 40 – 48). O profeta, embora proclamando a salvação, retifica quatro desvios:

         - aos desanimados que acusam o ETERNO de abandona-los (40,27) lembra as duas razões para ter esperanças: por um lado, o ETERNO criou o mundo e o seu poder refulge no universo: por outro, escolheu Israel, e a sua fidelidade brilha na história;

         - aos desavergonhados que acusam o ETERNO de mostrar-se ingrato (43,22-24) o profeta retruca que ingratos são eles, pois acumularam crimes, causa de suas desgraças (43,24-28);

         - aos escandalizados que censuram o ETERNO pela escolha de um libertador pagão (45,11-13);

         - aos que se deixaram seduzir pelos deuses da Babilônia, dispensadores da prosperidade desta, o profeta demonstra a inconsistência desses fetiches, seja nos processos em que o verdadeiro Yaohu, comparado aos falsos, se mostra o único capaz de anunciar e de fazer o futuro, seja em sátiras contra essas pretensas divindades, tão ineficazes quanto os seus ídolos vacilantes (41,24; 42,17; 44,21; 46,8; 48,5.). “E, diga-se de passagem: cada ídolo – tem o seu nome. Por isso é importante conhecer o único e verdadeiro nome de Deus – seu Nome próprio”. Anselmo Estevan.

 

 

 

  §     BEM, VEJA O QUE DIZ A ENCICLOPÉDIA BÍBLICA – O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO (DICIONÁRIO). EDITORA AGNOS. AUTOR: R.N. CHAMPLIN, Ph.D. – SOBRE O ASSUNTO DO NOME “CRISTO”:

 

         “PÁGINA 4748” – O TERMO HEBRAICO MASHIAH, SIGNIFICA “UNGIDO” E VEM DE UMA RAIZ HEBRAICA QUE SIGNIFICA “UNTAR”. A SEPTUAGINTA TRADUZIU ESSA PALAVRA PELO VOCÁBULO GREGO CHRISTÓS, “UNGIDO”. ESSA PALAVRA GREGA FOI PARA O PORTUGUÊS, CRISTO, EM VEZ DE SER TRADUZIDA, PARA UNGIDO. ASSIM, O CRISTO, OU O UNGIDO, CUMPRE AS EXPECTAÇÕES E SIMBOLISMOS DO ATO DE UNGIR. ESSA PALAVRA, REFERINDO-SE AO ESPERADO MESSIAS, É UM PRODUTO DO JUDAÍSMO POSTERIOR, AINDA QUE DESDE TEMPOS BEM REMOTOS, ENTRE OS HEBREUS, ENCONTREMOS INDICAÇÕES SIMBÓLICAS. SOMENTE POR DUAS VEZES, EM TODO O ANTIGO TESTAMENTO, ESSA PALAVRA É USADA COMO UM TÍTULO OFICIAL, VER DANIEL 9,25.26. O CONCEITO MESSIÂNICO, POIS, EMBORA TIVESSE TIDO INÍCIO NO ANTIGO TESTAMENTO, (COMO NO LIVRO DE ISAÍAS, ONDE NÃO É USADA A PALAVRA HEBRAICA ESPECÍFICA), TEVE PROSSEGUIMENTO DURANTE O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO, NOS LIVROS APÓCRIFOS E PSEUDEPÍGRAFOS. VER O ARTIGO SEPARADO CHAMADO UNÇÃO. ESSE ARTIGO INCLUI REFERÊNCIAS BÍBLICAS.

 

         Bem, sendo dessa forma, a partir de agora, quando surgir o nome Cristo – leia-se o Ungido. (YAOHUSHUA) Sem desmerecer os textos anteriores. Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio... Anselmo Estevan.

 

Dando continuidade ao texto de Isaias:

        

 

 

 

         Tal é o conteúdo desta primeira fase. Com o fim do capítulo 48, chegamos ao ponto-chave da obra e pressentimos uma virada na vida do profeta: abandonam-se temas, aparecem outros, e a partir daqui a sua pregação se dirige, ao que parece, sobretudo à elite de Israel (cf. 48,22 nota).

 

        

         B) Segunda fase (caps. 49- 55). A mensagem que o profeta destina aos mais fiéis comporta três aspectos marcantes:

         1. A situação deles vai conhecer uma reviravolta espetacular:

         - perseguidos (51,7-8), como o profeta (50,4-11), eles serão consolados (51,1-8);

         - oprimidos, ver-se-ão salvos.

         2. A restauração de Sião é celebrada, na esteira do profeta Oséias e dos seus imitadores, como a reconciliação conjugal entre Yaohu, o esposo, e a comunidade, sua esposa: viúva, Jerusalém reencontrará o seu marido; estéril, ela vai novamente dar à luz; infiel, ela vai ser reassumida pelo seu ETERNO, cuja aliança é indefectível (49,14-26; 51,9-52.12; 54).

         3. A conversão das nações ao verdadeiro Yaohu, ao Yaohu de todos, é cada vez mais ressaltada; essas nações aparecem, sucessivamente:

         - maravilhadas diante da salvação operada por Yaohu (49,7; 52,10; e já 40,5);

         - prosternadas diante de Yaohu e desejosas de conhece-lo (49,23; 55,5; e já 45,14 – 15,23-25);

         - iluminados e transformados pelo autêntico servo de Yaohu, testemunha da verdadeira fé diante do universo (49,2.6; 53,11).

 

 

         Os servos e o Servo de Yaohu. Ao longo da mensagem que acabamos de resumir, o Segundo Isaías empregou vinte e uma vezes a palavra “servo”, uma só vez no plural (54,17), uma vez no sentido pejorativo de escravo (49,7), e dezenove vezes no sentido positivo de servo de Yaohu. Em catorze casos, este servo recebe um nome próprio: É “Israel” ou “Jacó”, isto é, o povo de Israel no seu conjunto. Em cinco casos, o servo permanece anônimo, e é preciso perguntar-se, de acordo com o contexto, quem é designado por este título em 42,1; 44,26; 50,10; 52,13 e 53,11. Será ainda Israel? Será um grupo restrito personificado? Será um individuo? Além disso, as cinco passagens supracitadas visam a uma só e mesma personificação, ou a várias? Um só e mesmo personagem, ou vários? Todas estas hipóteses podem ser defendidas, e de fato o têm sido.

         Se, num primeiro tempo, nos ativermos ao sentido imediato dos textos no seu contexto, a palavra “servo” pode designar, conforme o caso: Israel no seu conjunto, Israel na sua elite, o próprio Segundo Isaías, e finalmente o rei persa Ciro.

         1. O servo Israel como o povo. Nos caps. 41 – 48, o povo de Israel é efetivamente qualificado como servo do (Senhor) – {termo que só pode ser qualificado como sendo servo = escravo; pois, de Yaohu todos, o seu povo, como nós os gentios; depois do sacrifício do “o Ungido” – nos tornamos “co-herdeiros” da sua Palavra e do sacrifício feito por todos em geral – a Sua morte e Ressurreição...!!}. Anselmo Estevan. Em relação ao resto do Antigo Testamento, isto representa uma novidade; só se encontram alguns outros textos, raros e tardios, em que semelhante denominação é aplicada a Israel (Jr 30,10; Sl 136,22). Ao conferir-lhe este título, o profeta sublinha que o povo eleito [o nome já diz: POVO ELEITO – COMO SE COMPARAR À “SERVO”? Anselmo Estevan.] entrou, desde a sua libertação da escravidão egípcia, no serviço divino, não somente na dependência do ETERNO, mas também em sua intimidade, a ponto de receber dele revelações sobre seu desígnio, bem como a força de colaborar na implantação deste. Em 41,8-16 e 44,1-5, vê-se com que afeição Yaohu se inclina sobre o seu “servo” Israel. [Aqui, O Ungido, na plenitude de seu tempo, iria libertar “Israel-povo” – de sua própria escravidão! Anselmo Estevan.].

         2. O servo Israel na sua elite. No interior do povo de Yaohu, opera-se uma seleção; a partir do cap. 49, o profeta, recusado por uma parte dos seus ouvintes (50,6-9.11), volta-se para o grupo dócil à palavra de Yaohu (50,10). Este grupo, que nunca mais será designado pelas palavras paralelas Israel-Jacó, continua sendo, porém, sempre Israel (49,3), mas um Israel reduzido a uma elite, um resto (46,3): se lhe aplicarmos 49,5-6, a primeira tarefa dele seria reerguer os sobreviventes de Israel tomados em seu conjunto, e sua tarefa maior seria levar a luz às nações. Para certos comentadores, o poema 52,13 – 53,12 também poderia ser aplicado à elite de Israel.

         3. O Segundo Isaías, servo ele mesmo. O nosso profeta em pessoa pertenceu a essa elite. Deportado e, além disso, perseguido, teve de primeiro buscar reconforto Junto a Yaohu, para poder reconfortar os seus compatriotas como discípulo atento; recolheu as palavras do seu ETERNO, depois as transmitiu. Ao fazer isto, deparou com ceticismo e hostilidade; todavia, mesmo sob os ultrajes, permaneceu firme, tendo a certeza de, na fidelidade de Yaohu, confundir os seus perseguidores e fortificar os que acreditaram nele (50,4-11).

         4. O servo Ciro. Os que acolhem a mensagem do profeta, com isto mesmo aceitam as suas declarações, chocantes para muitos, sobre a missão de Ciro. O rei persa é também ele, sem dúvida, um servo de Yaohu. O ETERNO é o soberano que faz triunfar o profeta de Ciro, ao dizer: Jerusalém seja habitada! E Ciro é o servo que faz triunfar o projeto do ETERNO dizendo: Jerusalém seja reconstruída! (44,26-28).

         E em contraste com as estátuas fúteis dedicadas aos falsos deuses (41,24.29), não seria Ciro o eleito de Yaohu, animado pelo sopro de Yaohu (42,1)? Com a maneira benevolente que a história lhe reconhece. Ciro seria então aquele que fará admitir por todas as nações o julgamento decretado pelo ETERNO; ao instaura-lo, ele não esmagará as vítimas da Babilônia, juncos dobrados sob a força do jugo, mechas apagadas pela detenção. Sem esmorecer, Ciro cumprirá até o fim a sua missão; servo do servo de Israel, favorecerá, ao restabelecer este último, o cumprimento do desígnio de Yaohu, que é iluminar os homens com a sua luz e uni-los na sua aliança (42,1-7).

         São estas algumas das interpretações que se podem propor; dão conta dos textos, com maior ou menor propriedade, mas não são as únicas possíveis.

         Por exemplo, os judeus helenizados que produziram a tradução grega (Septuaginta) não hesitaram em dar nome ao servo anônimo de 42,1, e escreveram: EIS AQUI O MEU SERVO JACÓ, QUE EU APÓIO, ISRAEL MEU ELEITO... Na lógica desta interpretação, é Israel que propõe às nações o direito exigido por Yaohu e “a Lei” que Yaohu lhe confiou, para que a transmita ao mundo.

         O Targum, comentário em aramaico, originado da explicação oral do texto hebraico, oferece exegeses diversas no que tange aos oráculos que falam de um “servo” de Yaohu. De data incerta e, para muitos dos seus capítulos, de redação tardia, posterior ao advento da era cristã, ele tenderia a ler nas páginas dolorosas as provações de Israel e, nas páginas gloriosas, os triunfos do Messias vindouro. Sem querer encontrar a qualquer custo nas interpretações do Targum o atestado de uma tradição judaica pré-cristã, reteremos simplesmente que a literatura targúmica reconhece em Is 50,10, nos traços do “servo”, o profeta que denominamos o Segundo Isaias; e que, em 52,13 como em 42,1 e 43,10, essa literatura não hesita em escrever: “Meu Servo: o Messias”.

         Os oráculos do Segundo Isaías são ricos de sentido e abertos para o futuro; as realizações efetuadas por este ou aquele indivíduo, este ou aquele grupo escondido sob o título anônimo de “servo”, permanece parciais e limitadas: nenhuma pode pretender, ao que parece, ter esgotado a missão em escala mundial anunciada pelo Segundo Isaías.

         Para o Novo Testamento, vários textos do Segundo Isaías concernem diretamente à pessoa e à obra de O UNGIDO, o servo perfeitamente justo (50,9; 53,9), cuja morte é aceita como sacrifício de expiação (53,10: afirmação bem nova e única no Antigo Testamento), e a quem foi prometida, para além da morte, uma vida intensa e fecunda (53,9-12).

 

 

         O rosto de Yaohu. O nosso profeta traça um esboço impressionante do rosto de Yaohu, cujos principais traços são os seguintes:

         Yaohu, repete ele, é único e absolutamente incomparável, nenhuma divindade existe ao lado dele. Nenhum ser pode existir antes ou depois dele, pois ele é eterno (43,10; 44,6). Anterior a tudo, ele está também na origem de tudo; sozinho, ele cria tudo (44,24). O verbo criar, reservado ao agir divino, conhece com o Segundo Isaías um aumento repentino do seu índice de freqüência: dezesseis empregos sobre quarenta e quatro (certos) no Antigo Testamento. Além disso, o profeta inova, quando qualifica de criação o surgimento do povo israelita (43,1.7.15), e ganha de Jr 31,22, quando fala de criação a propósito do novo Êxodo (41,20; 48,7). Yaohu, com efeito, põe o seu poder de criador a serviço do seu projeto de salvação: por ter tirado os elementos do caos primitivo e os seus filhos do degredo egípcio (51,9-10), ele poderá tirar os seus fiéis deportados do exílio babilônico, e o seu gesto salvador aparecerá como uma nova explosão de força criadora (41,17-20).

         Isto, tanto mais que a salvação não se destina exclusivamente ao povo de Israel, mas a todos os povos do mundo. Antes de criar Israel, Yaohu de todos, o Yaohu universal criou a humanidade (45,12); antes de fazer aliança com Abraão, fez aliança com Noé (54,9). Ele nunca esquece a totalidade dos homens, aqui designada por uma série de sinônimos: a humanidade ou os filhos de Adão, toda carne, a multidão, a que remonta à noite dos tempos (44,7); os povos; as nações; as cidades, os clãs; as ilhas longínquas; as extremidades ou os confins da terra. Todos esses povos, sem exceção, permanecem sob o império de Yaohu; eles estão na sua mão de Todo-poderoso, leves e frágeis a despeito da sua soberba (40,6-7.15-17; 51,6); estão diante do seu olhar de Juiz, que lhes lembra que o mal gera a infelicidade (47); são levados à escuta dos seus apelos de Salvador, que os convida todos à alegria da salvação (45,22-24; 55,3-5).

         Visões tão amplamente universais não anulam os privilégios de Israel: pelo contrário, os supõem. Aquele que é o absolutamente Santo (40,25) é também o Santo de Israel (mencionado doze vezes). Se, com efeito, o verdadeiro Yaohu é reconhecido por todos, é porque o é, de modo preeminente, em um povo-testemunha (43,10-12; 44,8), especialmente escolhido, chamado, enviado ao mundo. Esta comunidade crente invoca Abraão (41,8; 51,2), Jacó (43,27), Judá (48,1), David (55,3), e mesmo que não mencione Moisés nestes capítulos, recorda incessantemente a obra dele, o Êxodo, penhor da salvação vindoura e promessa para o povo – no presente, humilhado – de uma posteridade não apenas mantida, mas incessantemente ampliada. O ETERNO, com efeito, nunca cessou de ajudar os seus, de apoiá-los, de carrega-los, de suporta-los, de instruí-los, de guia-los, de associá-los ao plano de salvação que, contrariamente aos falsos deuses, só ele é capaz de anunciar e fazer triunfar.

         A constância que o ETERNO manifesta na realização do seu desígnio leva no Segundo Isaías um nome bem especial: sua justiça, vinte e oito vezes mencionada, quase sempre designando bem mais do que o aspecto favorável da justiça judicial ou do que a repartição eqüitativa garantida pela justiça distributiva: esta justiça aparece antes como a misericordiosa fidelidade segundo a qual Yaohu cumpre as suas promessas de salvação, tanto que justiça e salvação são praticamente identificadas (45,8.21; 46,13; 51,5.6.8).

         O fato de que Yaohu salva – repete-se isto vinte e duas vezes – dá testemunho do seu amor fiel e da sua solicitude constante, que é não somente a de um pastor ou de um rei (40,11; 41,21; 43,15; 44,6; 52,7), mas também e, sobretudo a de um pai pelos seus filhos (43,6; 45,10-11), de uma mãe pelos seus filhos (49,15-16), de um esposo pela sua esposa (54). Seu amor é tal, que ele suporta e supera o pecado humano, embora repetido e grave, e chega até a apagá-lo (43,25; 44,22) e perdoá-lo totalmente (55,7).

            A salvação outorgada por Yaohu apresenta dois aspectos: de um lado, Yaohu liberta, livra, alforria e, sobretudo resgata (cf. 41,14 e dezesseis outras passagens); por outro, Yaohu reagrupa e reconforta ou, se preferirmos, consola. É este verbo, primeira palavra da coletânea e nove vezes repetida, que deu tom à nossa obra, muitas vezes chamada de “Livro da consolação”. Tal reconforto traz mais do que a libertação da desgraça e do mal, mais do que o congraçamento de uma comunidade recobrando uma vida pacífica e boa; ele comporta, além disso, o reflexo, naqueles que dele se beneficiam, do próprio brilho de Yaohu. Este “brilho” divino é expresso pela palavra glória (sete vezes), que em hebraico significa primeiramente “peso”: o Deus que “pesa muito” dá a Israel o “ter muito peso”, graças a Yaohu, nos destinos do mundo (43,4), para finalmente manifestar a sua glória a toda carne (40,5). O mesmo brilho divino é também traduzido pela palavra esplendor, repetida cinco vezes, dizendo o profeta que Yaohu “ilustrou em Israel o seu esplendor” (44,23) e quer “através de Israel ilustrar o seu

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esplendor” (49,3). Ao longo do livro inteiro exprime-se o contraste entre o miserável trabalho dos artesãos que esculpem  laboriosamente ídolos, aos quais tentam em vão dar um “esplendor” humano (44,13) e, a obra deslumbrante do Criador, que vitoriosamente modela crentes aos quais comunica realmente o seu “esplendor divino”.

         Este é o rosto de Yaohu que o Segundo Isaías nos faz entrever. Diante desse Deus tão generoso para com os homens, estes últimos são convidados ao acolhimento e à ação de graças. Para suscitar o acolhimento, o profeta convida seus irmãos a voltar ao ETERNO (44,22; 55,7; etc.), a procura-lo (55,1), a freqüenta-lo (55,6), a ouvi-lo (cap. 48 etc.), a desfrutar sua revelação que alimenta mais do que o pão (55,2). Para estimular a ação de graças, o Segundo Isaías multiplica os invitatórios fervorosos, impelindo seus ouvintes a cantar a Yaohu (42,10), a louva-lo até a exaltação (41,16 e seis outras vezes), a aclama-lo (42,11 e onze outras vezes), a exultar (41,16; 49,13), a explodir de júbilo (54,1), a testemunhar júbilo e entusiasmo (51,3.11). Este concerto deve reunir não somente os exilados, mas todos os filhos de Israel, não somente os israelitas, mas todos os povos, não somente todos os povos da terra, mas a própria terra e todos os elementos do cosmo, o céu e os seus astros, o mar e as suas profundezas, para fazer ressoar o hino à alegria de um universo que celebre de maneira unânime o Yaohu que quer a coesão do mundo e a união da humanidade.

 

 

 

IV O TERCEIRO OU TRITO-ISAÍAS

 

A coletânea. Quando se passa de Is 40 – 55 a Is 56 – 66, descobrem-se semelhanças de pensamento e de vocabulário, mas também uma diferença de tom, expressões novas e diversidade maior entre as diferentes peças que compõem esses últimos capítulos. Eis por que os comentadores têm assumido em relação a eles três posições divergentes:

         - Alguns os consideram uma compilação, uma montagem artificial de trechos diversos quanto aos seus autores e às suas datas; esta explicação supõe que exista certa disparidade entre os poemas do nosso livrinho: com efeito, parece difícil atribuí-los todos a um mesmo autor; mas nem por isso se deve renunciar precipitadamente a descobrir relativa unidade entre os mesmos;

         - Outros pensam que os caps. 56 – 66 ainda provém do Segundo Isaías, retornado do exílio e enfrentando em Jerusalém os problemas da reinstalação na Terra Santa. Mas, por um lado, é pouco provável que o profeta se tenha plagiado a si mesmo, deformando os seus próprios achados (cf. 40,3 e 57,14; 52,12 e 58,8; 49,23 e 60,16; etc.), e por outro lado, as diferenças entre as duas coletâneas são ainda mais importantes que as semelhanças;

         - Outros biblistas, finalmente, acreditam que os onze últimos capítulos do livro de Isaías são em grande parte, senão na totalidade, a obra de um único e mesmo profeta, que se inspira no Segundo Isaías, e que exerce seu ministério em Jerusalém nos dois primeiros decênios subseqüentes ao fim do Exílio.

         A este Terceiro Isaías podem-se atribuir os capítulos 60 – 62, que apresentam grande coerência entre si; não há razão decisiva para recusar-lhe 56,9 – 57,21 nem 58, nem 59, nem 65, nem a maior parte de 66, ainda que estes dois últimos capítulos, intimamente aparentados, sejam por vezes considerados como um conjunto à parte. Os dois poemas que mais se sobressaem são 63,1-6 e 63,7 – 64,11; se talvez não provêm do nosso profeta, pelo menos foram cuidadosamente inseridos na sua obra, e o segundo corresponde bem às preocupações dele. Finalmente, é possível que 66,18-24 seja um apêndice devido a editores e que 56,1-8, quiçá pronunciado após a reconstrução do Templo (520-515), seja em trecho mais tardio que o resto, encaixado no início do livrete em razão dos seus contatos literários como o Segundo Isaias (56,5 lembra 55,13; 56,1 retoma 46,13 e 51,5.6.8).

 

 

         O profeta e o seu ministério. O profeta anônimo parece intervir entre os anos 537 e 520. Um primeiro grupo de exilados voltou, sob a direção do governador Sheshbasar, príncipe de Judá (Ed 1,8-11; 5,14; 1Cr 3,18 gr.). Lançaram-se as fundações do Templo (Ed 5,16), mas muito cedo, em razão das dificuldades internas e externas, interromperam-se os trabalhos; foi preciso contentar-se com restabelecer o altar, para nele recomeçar um culto sumário (Ed 3). Pouco a pouco voltam outras caravanas de exilados, uma delas com Josué, o sumo sacerdote, e Zorobabel, neto de Ioiakin, que sucede a Sheshbasar nas funções de alto comissário delegado pelo poder persa.

         Sob a autoridade desses homens, é uma comunidade heterogênea que, em Jerusalém e ao redor da cidade santa, tem de se reconstituir. Distinguem-se nela quatro elementos:

         1. Os judeus retornados do exílio (Ed 2; Ne 7); entre eles figuram muitos sacerdotes; pertencem na maioria às tribos de Judá, Simeão e Benjamin; devem enfrentar alguma dificuldade para reinstalar-se em territórios abandonados ou espoliados.

         2. Os judeus que haviam permanecido na terra: nas suas fileiras encontram-se seguramente fiéis, mas também idólatras que entendem muito mal o zelo (“ciúme”) religioso dos recém chegados; vários deles devem ter-se instalado em detrimento dos exilados e não estão dispostos a ceder os direitos de propriedade que estes últimos reivindicam. Esta dupla divisão (religiosa e social) aparece em numerosas passagens.

         3. Os estrangeiros: muitos haviam podido estabelecer-se na Judéia durante o Exílio; outros vêm trazer-lhes a sua mão-de-obra (60,10; 61,5); outros acompanham israelitas no momento da volta deles a Sião (cf. 60,9; 66,20). Em que medida esses estrangeiros, cada vez mais numerosos, poderão integrar-se ao povo de Yaohu?

         4. Os judeus que permaneceram na diáspora, os que estão longe (57,19), mas para os quais é preciso manter desimpedido o caminho da volta (57,14; 62,10), os que o ETERNO ainda quer congregar em torno dos privilégios que já reagrupou  (56,8).

         A partir desses diversos elementos, o profeta quer refazer um povo unido e santo. Mas choca-se com quatro dificuldades maiores:

         - uma crise da esperança do povo, provocada pelo retardamento da salvação;

         - uma depravação tenaz: o culto aos ídolos;

         - uma divisão do povo exacerbado pelas circunstâncias: o ódio entre irmãos;

         - um risco agravado pela conjuntura: o menosprezo aos estrangeiros.

         A crise da esperança provém da desilusão que se opera dos repatriados: os muros de Jerusalém continuam arrasados, esperando por... Neemias (445-433); o Templo não saiu do esboço e só será reconstruído – menos belo que antes – entre 520 e 515; as condições de vida são penosas, em razão dos entraves externos (da parte dos samaritanos) e internos (da parte dos que haviam ficado na terra). Tendendo ao desânimo, os fiéis, em meio a tantas provações, dirigem ao ETERNO uma série de recriminações indefinidamente repetidas no tocante ao adiamento da salvação e à aparente inércia do ETERNO. Para calar essas queixas, o Terceiro Isaías por uma parte denuncia o pecado, obstáculo à vinda da salvação, e por outra, reafirma a fidelidade de Yaohu, fonte infalível desta salvação.

         O profeta quer, além disso, converter os idólatras, que buscam apoio nos falsos deuses e se entregam a práticas depravadas, como: sacrificar humanos, prostituição sagrada, uso de animais impuros para o culto (65,4; 66,3.17), necromancia (65,4), veneração de Mélek/Moloc (57,9), ou de outras pretensas divindades como Gad e Meni (65,11). Para desvia-los das suas aberrações, o Terceiro Isaías brande duas ameaças: a impotência dos falsos deuses, incapazes de salvar, e o poder do verdadeiro DEUS –, [QUE, AGORA, CONHECEMOS O SEU NOME PRÓPRIO – YAOHU. “Não deixando nada a desejar as concupiscências da CARNE que pra ídolos mortos dão a todos, nomes próprios...! E, para um Deus único, Criador, Salvador, Eterno, Onipotente, Onisciente, Onipresente, só deram “TÍTULOS” – (Alguns – Nobres), outros, Falsos; Blasfemos; etc. Pára não falar um nome Santíssimo...”. E, como fica a oração que O UNGIDO NOS ENSINOU: Mateus 6,9: Portanto, vós orareis assim:

         Pai nosso, que estais nos céus,

         Santificado seja o “TEU NOME”; .....

         O nome de Deus – YAOHU – Tem que ser santificado e não escondido – usando em vez disso, trocadilhos blasfemos e etc. Se descordam da minha opinião; então por que cada ídolo morto feito pelas mãos de homens têm seu nome Próprio e é venerado como tal??? Yaohu é o NOME DO DEUS VIVO. ANSELMO ESTEVAN.], cujo julgamento é inevitável!

         Os que rompem a aliança com o seu Deus – Yaohu rompem-na automaticamente com os seus irmãos: com efeito, quantas divisões na população judaica! Observam-se ali governantes incapazes que praticam a extorsão (56,8 – 57,1); pessoas que exploram o seu próximo; brutalidades, recusas de ajuda mútua, violações da justiça, exclusões arbitrárias etc. Vigorosamente, o profeta denuncia esses delitos e mostra a incompatibilidade deles com um culto que se quer autêntico (cap. 58 etc.).

         Se com tanta freqüência assim se trata o irmão israelita, como será a conduta para com o hóspede estrangeiro? Em relação aos descendentes de nacionalidade estrangeira, os caps. 56 – 66 do livro de Isaías manifestam posturas diferentes:

         - algumas passagens pedem o aniquilamento das nações que se obstinassem no mal (cf. 63,3-6 e 66,15 – 16,24; mais 69,18c e 60,12, que provavelmente são glosas);

         - outras páginas mostram as nações a serviço de Jerusalém (60,3-11.13-17; 61,5-9; 62,2-8; 66,12);

         - contudo, os problemas mais candentes surgem a propósito da eventual admissão do estrangeiro no grêmio do povo de Yaohu; esses não-judeus temem ser discriminados (56,3), mas os oráculos de Is 56 – 66 lhes abrem belas perspectivas: os filhos de Israel devem não somente assistir a qualquer errante em dificuldade (58,7), mas, além disso, admitir no seu Templo os estrangeiros convertidos (56,3-7) e até talvez considerar a possibilidade de vê-los ascender ao sacerdócio (66,21).

 

 

         O rosto de Yaohu. Ao ouvir formular todas essas exigências divinas, já adivinhamos os traços do rosto de Yaohu esboçado pelo Terceiro Isaías.

         Ele nos lembra de passagem (enquanto o Segundo Isaías sublinhava isto longamente) que o ETERNO é o incomparável (64,3) e o eterno (57,15). Que ele é o criador, o nosso profeta também no-lo repete, porém mais raramente que o seu predecessor: sabe-se que Yaohu fez todos os seres (66,2), acrescenta, sobretudo – e isto é importante – que o ETERNO vai criar céus novos e uma terra nova (66,17; cf. 66,22 – Maranata, é isso que espero meu Yaohu – Anselmo Estevan, 2.010); alhures especifica que Yaohu cria o louvor dos corações convertidos (57,19) e uma nova Jerusalém (65,18).

         Criador de tudo, o ETERNO é o Yaohu de todos. Vimos acima à atitude de acolhimento universal que Yaohu prescreve aos seus em favor dos estrangeiros. Ele inspira ao seu profeta que favoreça o universalismo enfatizando a responsabilidade pessoal: não são todos os filhos de Israel indistintamente que, pelo simples fato de pertencer ao povo escolhido, serão seguramente salvos; entre eles figuram fiéis, mas também ímpios. Se o fato de ser israelita não é garantia de salvação, o fato de ser não-israelita também não barra acesso a ela. Pelo contrário, o ETERNO chama a si todos os povos (56,7; 66,18).

         O congraçamento das nações deve-se fazer graças a Israel, cujos privilégios são mantidos. Aquele que é absolutamente o Santo (57,15) permanece o Santo de Israel (mencionado duas vezes, em 60,9.14). Sem dúvida, Israel-Jacó, enquanto povo, não é mais interpelado nos caps. 56 – 66, ao passo que o fora dezessete vezes no Segundo Isaías; sem dúvida, o termo eleitos figura sempre no plural, para designar os crentes em oposição aos apóstatas, enquanto no singular ele designava o povo eleito, no Segundo Isaías; mas outras expressões lembram as predileções divinas pela posteridade de Jacó e de Judá (65,9), pela nação dirigida por Moisés (63,11 – 12) e que permanece para sempre o povo de Yaohu, sua parte escolhida, seu herdeiro, tendo por capital Jerusalém destinada a tornar-se a metrópole religiosa do mundo.

         Equipando o seu povo para uma missão universal, Yaohu testemunha assim um amor absolutamente fiel (65,16), o do único Pai verdadeiro (63,8.16; 64,17), dotado de atenções profundamente maternais (66,13). Cheio de compaixão (63,9). Chega a perdoar, esquecendo e curando o mal cometido (57,16-18; 64,8). Para salvar, ele resgata, reconforta ou consola e reagrupa, dando a seus amigos a sua glória e o seu esplendor. Fazendo isto, manifesta a sua justiça, isto é, a sua fidelidade absoluta às suas promessas, inquebrantavelmente mantidas a despeito do pecado dos homens. A esses temas já encontrados no Segundo Isaías, o Terceiro acrescenta com insistência o do julgamento de Yaohu, que se exerce fatalmente, em detrimento dos maus (estrangeiros ou mesmo israelitas) e em vantagem dos bons (israelitas ou mesmo estrangeiros). Com efeito, o ETERNO entra em julgamento não somente em favor de Israel, mas com Israel; não somente com Israel, mas com todas a nações do mundo, e a sua sentença universal será decisiva e definitiva (66,16.24).

         Diante desse Deus – Yaohu fiel para amar, poderoso para salvar, infalível para julgar, os homens têm de tomar posiçãopara sua infelicidade se o recusam, para a sua alegria se o acolhem. Seu acolhimento supõe conversão, louvor jubiloso, mas também obediência pressurosa: enquanto o Segundo Isaías só falava uma vez do Temor do ETERNO, o Terceiro Isaías o menciona quatro vezes; outro traço original, que só tem paralelo no livro de Esdras: o profeta convida seus ouvintes a tremer (de zelo) à palavra de Yaohu (66,2-5). Este serviço do ETERNO traz consigo uma boa conduta moral e requer também uma grande fidelidade cultual: no Terceiro Isaías, o Templo é mencionado doze vezes, a montanha santa cinco vezes, e os termos que indicam atos de culto são muito numerosos (o sábado, três vezes; o sacerdócio, o altar, os sacrifícios, os jejuns). É que, segundo o nosso profeta, moral e religião são inseparáveis: seria tão vão pretender amar o próximo sem amor a Yaohu, quanto pretender amar a Yaohu sem amar o próximo.

 

V. O LIVRO DE ISAÍAS NA TRADIÇÃO BÍBLICA

 

Finalmente, o livro de Isaías, com todas as partes que o compõem, entrou no cânon dos livros proféticos como uma única obra. A partir daí, ele inicia uma nova história. Da descoberta, em Qumran, de vários fragmentos e de um rolo inteiro do livro de Isaías (que denominaremos o principal ms. de Qumran), podemos concluir que para os membros da comunidade essênia, que se consideravam o verdadeiro Israel, o resto fiel, Isaías representava todo um programa. Com o texto do principal manuscrito de Qumran, é nos restituído o mais antigo manuscrito bíblico, mais de mil anos anterior ao texto masorético: ele apresenta, em relação a este último, variantes bastante numerosas. O interesse suscitado pelo livro de Isaías nos meios judaicos aparece também na tradução grega chamada a Septuaginta: esta por vezes apresenta um texto tão diferente do texto hebraico que se deve ver nela, mais do que uma tradução, uma adaptação. É, todavia útil à medida que da acesso ao texto hebraico do qual ela surgiu, e tem também o seu interesse como testemunha de uma releitura de Isaías pela comunidade judaica Alexandrina.

         Juntamente com os Salmos, o livro de Isaías é aquele do qual o NT tirou mais citações, sendo algumas delas explícitas, ao passo que outras são reminiscências bem perceptíveis. É sabido que o anúncio do nascimento do Emanuel em 7,14 é retomado em Mt 1,22-23. Segundo os evangelistas, o ensinamento das parábolas tem por efeito endurecer os ouvintes (Mt 13,14; Mc 4,12; cf. Is 6,10). Imagens importantes como as da vinha ou da pedra angular são freqüentes no NT. O culto dos lábios oposto à obediência do coração (Mt 15,8 e Is 29,13), o escurecimento dos astros nos quadros que descrevem os últimos tempos (Mt 24,29 e Is 13,10), os temas do ramo, da cepa e, sobretudo do servo, têm ajudado os leitores cristãos a compreender (Christós): “O UNGIDO”, a partir do livro de Isaías e a se compreender a si mesmo como o POVO DE YAOHU, sempre confrontado com as promessas de renovação e a iminência do juízo. Poder-se-ia também falar do lugar de Isaías na iconografia e na hinologia: os portais das catedrais, as iluminaras dos livros de piedade, o hinário cristão reeditam todos, à sua maneira, o livro de Isaías, tanto é verdade que no decurso da história raramente a revelação foi mais bem expressa e a fé, mais interpelada do que por esta extraordinária testemunha de Yaohu!

 

 

 

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ISAÍAS:

 

 

         ISAÍAS.

Pontos fortes e êxitos:

         É considerado o maior profeta do Antigo Testamento.

         É mencionado no mínimo cinqüenta vezes no Novo Testamento.

         Transmitiu mensagens poderosas de juízo e também de esperança.

         Desempenhou um ministério consistente, embora quase não recebesse resposta positiva por parte de seus ouvintes.

         Seu ministério estendeu-se durante o reinado de cinco reis de Judá.

 

 

         Lições de vida:

         A ajuda de Yaohu é necessária para confortar as pessoas que estão efetivamente lutando contra o pecado.

         Um dos resultados de experimentar o perdão é o desejo de compartilhar esse perdão com os semelhantes.

         Yaohu é pura e perfeitamente santo, justo e amoroso.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Jerusalém.

         Ocupações: Escriba e profeta.

         Familiares: Pai – Amós; filhos – Sear-jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

         Contemporâneos: Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés e Miquéias.

 

 

 

         Versículo-chave: “Depois disso, ouvi a voz de Yaohu, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6,8).

 

 

 

         A história de Isaías é contada em 2 Reis 19,2 – 20,19. Ele também é mencionado em 2 Crônicas 26,22; 32,20.32; Mateus 3,3; 8,17; 12,17-21; João 12,38-41; Romanos 10,16.20.21.

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:12

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

JEREMIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autores: Jeremias e Baruque, seu aluno e/ou escriba.

         Propósito: Lembrar aos exilados os motivos de suas provações e garantir-lhes que, ao se arrepender, o povo de Yaohu voltaria para a Terra Prometida com grandes bênçãos.

         Data: 580-539 a.C.

         Verdades fundamentais:

         O exílio na Babilônia foi merecido, pois o povo de Judá e Jerusalém persistia no pecado.

         O templo em Jerusalém não protegeria os habitantes de Judá do julgamento de Yaohu contra eles por sua hipocrisia.

         O povo devia recusar os falsos profetas que proclamavam paz e segurança e aceitar a mensagem dos verdadeiros profetas.

         A decisão divina de mandar o seu povo para o exílio seria seguida de restauração maravilhosa sob uma nova aliança.

 

 

 

         Propósito e características

         As fases da mensagem de Jeremias não correspondem exatamente à estrutura do livro.

         (1) Ele chamou Judá a se arrepender a fim de evitar o julgamento que, de outro modo, certamente lhe sobreviria (p. ex., 7,1-15).

         (2) Anunciou que o tempo de arrependimento havia passado e que a decisão divina contra o povo já havia sido tomada (19,10-11). O julgamento é o tema dominante do livro, sendo entendido como invocação da maldição mais grave da aliança, ou seja, a perda da Terra Prometida (Lv 26,31-33; Dt 28,49-68).

         (3) O ETERNO salvaria o seu povo, ou um remanescente do mesmo, por meio do exílio (24,4-7). Os babilônios prevaleceriam sobre Judá segundo a ordem do ETERNO, mas só por algum tempo. A Babilônia também cairia (25,9.11-12), o que isto de fato ocorreu em 539 a.C., quando os babilônios foram derrotados por uma coalizão de persas e medos sob o comando de Ciro, preparando o caminho para a volta dos exilados (50,3; 51,1.27-28; 2Cr 36,20-23). Essa foi a resposta de Jeremias aos falsos profetas que contestavam a sua mensagem de julgamento (28,2-4).

         Jeremias também anunciou uma mensagem de salvação, dirigida apenas àqueles que sobreviveriam ao julgamento (29,11-14). Essa mensagem se consolidou na profecia da nova aliança (31,31-34). Que é estruturada em torno dos elementos principais da aliança mosaica no Sinai.

 

 

 

CHRISTÓS – “O UNGIDO” –, EM JEREMIAS.

(Yaohushua):

 

         A mensagem de Jeremias antevê O UNGIDO principalmente na certeza de restauração do exílio expressada pelo profeta. Ao mesmo tempo em que deixa clara a iminência do exílio, Jeremias também mostra que depois do mesmo o povo de Yaohu entrará num novo período da aliança repleto de bênção de Yaohu. O SALVADOR é o ETERNOYAOHUYAOHUSHUA da nova aliança (Lc 22,20; Hb 8,8; 9,5; 12,24), o filho de Davi e o Sacerdote que deu início às maravilhas dos últimos dias com o seu ministério aqui na terra. Nos dias de hoje, ele continua realizando esta obra de restauração que será completada quando ele voltar em glória Mt 4.

 

 

 

         JEREMIAS.

         1. A solidão do homem da Palavra. Ao leitor do livro que traz o seu nome, Jeremias se apresenta como um grande solitário. “Eu fico à margem”: são estes os termos que ele usa para caracterizar seu relacionamento com a sociedade (15,17). Incompreendido e perseguido, desamado por aqueles que mais deveriam apoiá-lo e encorajá-lo, os membros de sua família (12,6; 20,10), ele não está com eles quando celebram um casamento, nem quando choram um morto (16,5-9). Nunca chegará a conhecer o reconforto e a responsabilidade da vida conjugal e nunca chegará a ser pai (16,1-4). Preso, brutalizado, arrastado contra a vontade para o Egito, acabará seus dias numa terra longínqua e nenhum vestígio restará de sua tumba.

         Entretanto, estamos muito bem informados sobre sua vida interior. Sabemos que essa solidão de modo algum, correspondia a uma disposição natural de sua parte. Foi-lhe imposta por uma força externa que o violentava, agredia, invadia, prendia, exigindo uma adesão total à sua vontade e que tinha necessidade de sua solidão como de um meio para agir no seio do povo de Judá. Essa força implacável era a Palavra de Yaohu. Nenhum profeta evoca a Palavra de Yaohu e sua maneira de agir com tamanha e dolorosa exatidão quanto Jeremias. “A Palavra do ETERNO veio a mim” – é uma fórmula freqüente em Jr, que introduz e qualifica seu discurso (cf. 1,2). “Ao encontrar tuas palavras, eu as devorava” (15,16); {faço de Jeremias, minhas palavras: ACHADAS AS TUAS PALAVRAS, LOGO AS COMI; AS TUAS PALAVRAS ME FORAM GOZO E ALEGRIA PARA O CORAÇÃO, POIS PELO TEU NOME SOU CHAMADO, Ó “YAOHU”, DEUS DOS EXÉRCITOS”.}; embora elas o alegrem (15,16), seu feito é freqüentemente devastador: “Todos os meus membros estremecem, torno-me como um bêbado, um homem tomado pelo vinho, por causa de tuas palavras” (23,9). Esta palavra de provação, “parecida com o fogo, com uma marreta que pulveriza a pedra” (23,29; cf. 5,1 e nota) onde, na qualidade de profeta, tem o direito de entrar. Além do mais, o ETERNO a põe em seus lábios (1,9), velando sobre ela (1,12), para fazer dela um fogo que devore o povo recalcitrante (5,14). Às vezes, a Palavra parece abandona-lo, torna-se rara e lhe impõe longos dias de espera antes de voltar a comunicar-se (42,7). Na vida desse homem a Palavra tornou-se o fator-chave, o centro incômodo, desmancha-prazeres e ao mesmo tempo razão de ser, uma espécie de déspota imprevisível que, aparentemente, o aliena de si mesmo e de seus semelhantes para, de fato, mergulha-lo no centro mesmo da realidade.

         É compreensível, então, que Jeremias tenha tido de fazer um esforço constante para assumir essa Palavra e para se assumir diante dela. Encontramos indícios disso nos numerosos diálogos que balizam o livro e nos quais o profeta discute asperamente com Yaohu sobre o sentido de sua existência de profeta. Os mais célebres são, sem dúvida, aqueles que os exegetas modernos denominam as “confissões de Jeremias” (11,18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-13.14-18). Nelas o profeta se queixa amargamente de seu isolamento, de sua “alienação”, da insignificância de sua condição, mas a resposta é que essa condição é inelutável e faz parte de sua missão profética. As “confissões” não são, contudo, os únicos diálogos entre Jeremias e seu Deus – Yaohu. Outros podem ser encontrados no começo do livro: a cena de sua vocação, quando o jovem Jeremias tenta em vão esquivar-se ao domínio da Palavra (1,4-10), e as visões iniciais, constitutivas de seu ministério (1,11-14), bem como a passagem em que o profeta é levado a reconhecer o bem-fundado do veredicto divino relativo à situação da sociedade de Judá (5,1-6), e aquela em que ele tenta em vão fazer cessar uma seca que devasta a terra (14,1 – 15,9). Nestes diálogos, a palavra do homem confronta-se com a Palavra de Yaohu, e é sempre esta que triunfa. Sejam quais forem as circunstâncias históricas de seu desenvolvimento – não é fácil penetrar a psicologia da experiência profética –, esses diálogos testemunham que a Palavra de Yaohu era uma preocupação constante de Jeremias.

 

         2. A autenticidade da vocação profética. De todos os problemas que afetavam tal existência, o pluralismo das convicções proféticas era um dos mais dolorosos. Jeremias não era, de fato, o único que falava em nome do ETERNO. O próprio livro de Jeremias nos informa sobre a atividade de homens que, ao mesmo título de Jeremias e ao lado dele, reivindicavam o estatuto e os privilégios próprios de um profeta: Uriáhu ben Shemaiáhu (26,20-24), Hananiá ben Azur (cap. 28), Ahab ben Qolaiá e Sidqiá ben Maaseiá (29,21), e outros, profetas anônimos, mencionados em inúmeras passagens (2,8.26.30; 4,9; 5,13.31; 6,13-14; 26,7-16; 27,16-18), interpelados (23,9-40) ou citados por Jeremias (14,13), talvez até com aprovação (cf. 4,10 nota); alguns inclusive encontravam-se entre os deportados para Babilônia (29,1).

         Os textos nos indicam em particular que, de início, Jeremias não pretendia absolutamente destacar-se de seus colegas profetas (cf. 14,13-16; 28,6-9; também 29,1), nem via motivos para qualifica-los de “falsos profetas”. Encontramo-nos aqui em presença de um aspecto particularmente delicado da solidão de Jeremias. Exceto uns critérios morais de aplicação delicada (23,14.17.22; 29,23), ele praticamente não dispunha de critérios objetivos que lhe permitissem distinguir o verdadeiro do falso, privilegiar sua mensagem em relação à mensagem de muitos outros, que defendiam a sua com tanta convicção quanto ele,  a dele (cf. porém 28,8). Afinal, ele próprio podia errar, como o podia Hananiá, seu concorrente (28,6-9), ainda mais porque a opinião deste coincidia com a da grande maioria dos chefes políticos e militares (cf. a seguir, § 4b).

         A questão da autenticidade e do sentido de sua vocação singular põe-se assim no centro de seus colóquios com Yaohu. Se Yaohu é inspirador das mensagens, por que elas não são unânimes? Se Yaohu enviou Jeremias, por que Jeremias é o único a proclamar uma verdade que só ele aceita como tal (o destino de um homem como Uriáhu, cf. 26,20-24, profeta assassinado por Joaquim, não era capaz de reconfortar Jeremias)? Se Yaohu credenciou seu profeta, por que ele sofre sevícias por parte daqueles que deveriam alegrar-se ao saudar nele um confrade ou o representante qualificado daquele que veneravam como Mestre? Está em jogo a identidade, a pertinência da revelação.

            Jeremias não esconde sua confusão. No que diz respeito ao seu ministério, ele não é consciente de ter cometido erros. Por acaso não assimilou fielmente a Palavra, não a “comeu” (cf. 15,16)? Não foi sempre absolutamente sincero (17,16b)? Não intercedeu por seus semelhantes, até mesmo por seus adversários, como o faz todo

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:12

verdadeiro profeta (18,20; cf. 14,13; 17,16)? Por que, então, conhece a triste sorte de um solitário, de um inadaptado, um eterno revoltado?

         A resposta de Yaohu, peremptória, não oferece nenhuma justificação. Todas as suas desgraças são previstas por Yaohu e irão mesmo se agravar (12,5); o mensageiro contestado nada pode, a não ser refazer-se e seguir caminho (15,19-21), empenhando a própria pessoa em tornar seu discurso ainda mais incisivo (15,19). No que diz respeito aos outros profetas, o ETERNO, que não os credenciou (14,14-16), denuncia-lhes a impostura (23,16). Para dissipar as dúvidas que assolam a alma do profeta, resta somente a absurda certeza de que é realmente o Yaohu vivo que lhe fala.

         Jeremias não viverá o bastante para saber que, uma vez acontecida a catástrofe que ele anunciara, os judeus iriam refletir sobre seu destino: alguns teólogos precavidos iriam colecionar não somente os oráculos dele, mas também as tradições relativas a seu ministério; ele terminará por ser considerado um profeta autêntico do ETERNO (cf. infra § 5).

 

         3. Dados biográficos. Comparadas com esse conflito fundamental, as circunstâncias externas da vida do profeta apresentam um interesse apenas secundário. Aliás, elas são pouco conhecidas, e as conclusões que podemos tirar de alguns dados são, na maioria dos casos, conjeturais.

         De acordo com 1,1, o profeta era originário de Anatot, pequena aldeia nos arredores de Jerusalém, onde sua família possuía algumas propriedades (cap. 32; cf. 37,12), e era membro de uma família sacerdotal. Chegou-se a deduzir que Jeremias fosse parente longínquo do sacerdote Ebiatar de Shilô, exilado em Anatot por Salomão (1Rs 2,26-27), e que a formação religiosa recebida na família paterna, as lembranças ancestrais e a proximidade das fronteiras do extinto reino do Norte teriam moldado o estilo e o conteúdo de sua mensagem. Mas nada é mais incerto.

         De acordo com 1,2, Jeremias foi chamado a ser profeta em 626, quando era “ainda jovem” (1,6). Estas duas indicações biográficas sugerem que ele teria nascido por volta de 650-645. Contudo, não se exclui que o número mencionado em 1,2 (e repetido em 25,3) baseie-se numa tradição tardia a respeito da data da vocação de Jeremias e que esta se situe com maior probabilidade por volta de 609-608. Isto significa que várias hipóteses relativas aos primeiros anos de seu ministério profético repousem sobre fundamentos um tanto frágeis: Jeremias teria saudado com alegria a reforma de Josias em 622; ele teria chegado a colaborar ativamente nesse empreendimento, através da pregação (cf. 11,1-14); por comportar a supressão de todos os santuários, exceto o de Jerusalém, esta reforma arriscava prejudicar os interesses vitais dos sacerdotes que neles serviam, o que explicaria a hostilidade da família do profeta (11,18-22), mais tarde, constatando os escassos resultados da reforma de Josias, que ficou sem perspectivas para o futuro, o profeta teria fustigado, com ardor redobrado, a infidelidade dos judaítas. Todas essas hipóteses são pouco convincentes, não só porque a base cronológica é fraca (isto é, a vocação de Jeremias em 626), mas também porque o livro não menciona de forma alguma essa famosa reforma de Josias (que é elogiado por outras virtudes, cf. 22,15-16) e porque os resíduos do vocabulário e do pensamento deuteronomista, que se percebem em 11,1-14 e que caracterizam o conjunto do livro, admitem uma interpretação diversa (cf. a seguir § 5); e, sobretudo, porque a oposição à mensagem de Jeremias é motivada, de acordo com o próprio testemunho dele, não por eventuais conseqüências materiais da reforma de Josias por ele divulgada, mas pela irrupção desconcertante e até revoltante da palavra de Yaohu por meio de Jeremias (cf. 11,21 e as outras “confissões”).

         É mister reconhecer que dispomos de menos informações sobre o início do ministério de Jeremias do que desejaríamos. Em compensação, alguns incidentes posteriores nos são relatados com muitos detalhes, na segunda parte do livro. Em 608, vemo-lo pronunciar um discurso, junto à entrada do templo, que o coloca numa situação muito difícil (cap. 26; cf. 7,1 – 8,3). Em 605-604, ele elabora uma primeira edição de seus oráculos, conservados até então unicamente em sua memória – e, talvez, na memória de alguns de seus ouvintes [cap. 36]. Em 594, Jeremias discute com outros profetas {caps. 27 – 28} e, pouco tempo depois, envia aos exilados em Babilônia uma carta decisiva para a evolução espiritual da diáspora judaica (cap. 29). Finalmente, as disputas com o rei Sedecias e seus funcionários durante o sítio de Jerusalém em 588-587 e sua atividade junto aos sobreviventes depois da queda da cidade são objeto dos caps. 32 – 35 e 37 – 44. Vale a pena frisar que essas informações, embora detalhadas, não constituem uma verdadeira biografia do profeta – a própria posição no texto desafia a exatidão cronológica –; elas representam apenas uma série de exemplos que ilustram a ação da Palavra na existência profética no meio de um povo que atravessa o período mais difícil de sua história.

 

         4. O ministério da Palavra no decorrer dos anos.

         A solidão que caracteriza o ministério de Jeremias desde o começo não é apenas o produto de uma experiência religiosa que o singulariza; ela é fruto do conteúdo da mensagem a ele confiada. Essa mensagem defronta constantemente os judeus com o nada, com o abismo do não-ser da comunidade e da criação (cf. 4,23-26). A solidão de Jeremias possui uma dimensão política, pois o ser ou o não-ser de todos depende da aceitação ou da rejeição de sua mensagem. Se sua solidão se prolongar e os judeus se obstinarem recusando escuta-lo, o profeta será efetivamente o único a sobreviver ao desastre universal. Ao contrário, se encontrar audiência, o desastre será evitado, ou, ao menos, atenuado, abrindo-se uma nova perspectiva de bem-estar. A mensagem contestatária de Jeremias exige imperativamente escolhas radicais. Pare ele, como para a maioria dos profetas, a Palavra é necessariamente palavra total, envolvendo todos os aspectos, pessoais e comunitários, da vida humana.

         Podemos identificar três períodos no ministério de Jeremias.

         a) O primeiro vai desde a vocação (data incerta) até aproximadamente 605, ano da batalha decisiva de Karkemish. Sob o reinado de Josias, morto em 609, Judá vive, primeiro, um período de calma, caracterizado por certa prosperidade. A Assíria deixou de dominar o mundo, e Judá goza de uma ampla liberdade, da qual Josias tira proveito para ampliar o território e promover todo tipo de reforma. Depois de sua morte, a região gravita, durante alguns anos, na órbita dos egípcios, sem, porém sentir tal jugo como particularmente duro. Trata-se, para Judá, de anos relativamente pacíficos, excetuando a escaramuça – se realmente houve uma! – de Meguido, fatal apenas para Josias (cf. 2Rs 23,29). É justamente durante esses anos que Jeremias é obrigado a anunciar uma mensagem completamente estranha: através de poemas dotados de extraordinário poder evocador, ele descreve a chegada de um exército invencível que, vindo do norte, vai se abater sobre Jerusalém e Judá (cf. especialmente caps. 4 – 6), exército implacável, que não deixaria nenhuma esperança aos vencidos – a menos que estes se convertessem a Yaohu antes que fosse tarde. Jeremias sabe que a inverossímil advertência que ele é encarregado de dar aos seus conterrâneos não tem chance de encontrar reação favorável. O povo e seus dirigentes estão demasiadamente seguros de si, convictos de que suas instituições são inabaláveis, destinadas a durar para sempre (cf. 18,18; 8,8). Em caso de necessidade, eles terão sempre como último refúgio o templo e sua secular inviolabilidade (cf. 7,4.10). Além disso, depois de uma sondagem cuidadosa junto às diversas classes da população, Jeremias deve render-se à evidência: o povo todo, dirigentes e súditos, exploradores e explorados, está corrompido (cf. 5,1-6), irremediavelmente perdido – um negro pode por acaso mudar de pele? Uma pantera, de pêlo? E os judaítas, acostumados a praticar o mal, poderiam praticar o bem (13,23)? – Essa mensagem, contudo, sem nuanças (é tudo ou nada), não será levada a sério. A reflexão do profeta é abstrata demais, ela não casa com a realidade, que nunca é totalmente preta ou totalmente branca, e sim, sempre um pouco preta e um pouco branca. O que ele fala paira nas esferas nebulosas de um conhecimento de Yaohu em flagrante contradição com aquilo que a tradição ensina – pois Yaohu é um Deus próximo, familiar (cf. 23,23), que não abandona os seus. O gesto eloqüente do rei Joaquim que, imperturbável, destrói, pedaço por pedaço, o rolo que contém esses textos inacreditáveis, expressa bem o fracasso da pregação de Jeremias durante todo esse primeiro período de seu ministério (cap. 36).

         b) O segundo período, que vai de 605 a 587, desde a ascensão de Nabucodonosor ao trono à destruição de Jerusalém, é, sob muitos aspectos, o mais significativo no ministério de Jeremias. Suas profecias relativas a uma invasão militar, de repente, se realizam. Repetidamente, o rei dos babilônios invade com seus exércitos vitoriosos a Síria e a Palestina, decidida a impor sua vontade a todos os pequenos estados que encontra no caminho. A independência de Judá acabou. Mesmo assim, os responsáveis pela sua política não chegam a um entendimento sobre as medidas a tomar.

         A maioria opta decididamente por uma política voltada a reconquistar a independência; pensa-se numa aliança com o Egito, sempre disposto a manter os babilônios a boa distância, e com os vizinhos pequenos, igualmente ameaçados pelo avanço dos babilônios. Esta dura política goza do manifesto apoio do chefe de estado, o rei davídico.

         Uma minoria, contudo, está disposta a se acomodar à tutela babilônica, na esperança de conservar certa autonomia no âmbito do império de Nabucodonosor. Os nomes de vários membros eminentes do partido favorável aos babilônios foram conservados graças ao livro de Jeremias: Ahiqâm, poderoso protetor de Jeremias (26,24), seu filho Godolias, que será nomeado governador da província, após a queda de Jerusalém, e Baruk ben Neriá, a pessoa que ajudou Jeremias a editar seus oráculos. Seria errado considerar Baruc como um simples “escriba”, um personagem de segunda monta a serviço de Jeremias, uma espécie de estenógrafo que teria estado à disposição do profeta para facilitar sua tarefa. Baruc era, ao contrário, um sofer, isto é um secretário de estado, um alto funcionário então, quase um chanceler, portanto uma personalidade de destaque, assim como o seu irmão Seraiá, que se tornará chefe de distrito na administração babilônica (cf. 51,59). Aliás, o prestígio de Baruc era tal que era considerado como uma das lideranças do partido pró-babilônio e como o verdadeiro instigador dos oráculos de Jeremias (43,3).

         A alternativa política se apresenta em termos extremamente claros: ou se aposta na liberdade – ou algo parecido, já que o Egito estará pouco disposto a se retirar depois de ter auxiliado Judá –, sob o risco de perder tudo em caso de derrota; ou se aceita a integração no sistema político dos babilônios.

         Sem querer, Jeremias se vê envolvido nessas discussões. A sua posição é clara: é necessário aceitar a supremacia de Babilônia. Não por oportunismo (Jeremias não é um político), mas porque essa é à vontade de Yaohu. Aquilo que Yaohu deseja não é um estado judaíta independente e forte, com o poder firmemente assentado nas mãos de uma dupla hierarquia, civil e religiosa, e sim, um povo que lhe seja fiel, que responda ao seu apelo paterno (cf. já 3,22 – 4,4), preocupado em defender o direito e em viver na harmonia (cf. 22,13; 23,5-6 e já 5,1-3). Na opinião dele, o partido favorável à independência caracteriza-se pelo desprezo de todos os valores que agradam ao ETERNO, sendo o rei o principal responsável (22,13-17). É por causa disso que Yaohu decretou o fim do Estado. Ele pensa num projeto completamente novo: no seio do império babilônico, Yaohu se propõe criar, com aqueles que se submetem a seu julgamento, uma comunidade renovada, que não procure mais a própria glória, mas desejosa de atender ao bem estar de todos, já que a prosperidade dos outros é a condição da sua (29,5-7). Esta comunidade conhecerá finalmente, após a volta feliz à terra dos ancestrais, uma maravilhosa interiorização dos compromissos outrora assumidos com o ETERNO, a tal ponto que não será mais necessária nenhuma hierarquia mediadora entre Yaohu e os homens (31,31-34). Esta mensagem supera a visão de 3,15 e 23,6, conforme a qual o ETERNO dirigiria o seu povo com a ajuda de pessoas totalmente consagradas a ele; ela divisa a total realização da Aliança da Jerusalém celeste.

         c) O terceiro período do ministério de Jeremias começa depois de 587, isto é, depois da catástrofe de Jerusalém. Período cuja importância é freqüentemente subestimada, porque se esquece que, apesar das deportações efetuadas pelos babilônios (envolvendo apenas algumas camadas da população) a maioria dos habitantes ficou em Judá. No meio dessas massas sem rumo, iam aparecendo três tendências. Uma delas, sustentada pelas lideranças do antigo partido pró-babilônico, em particular por Godolias, visava reconstruir o país sob a égide babilônica. Jeremias pertencia a esse grupo. Outro grupo, dirigido por Iishmael, homem sem escrúpulo e que contava com o apoio do rei amonita, pretendia continuar a luta, praticando atos de terrorismo (cf 41,10). Finalmente, um terceiro grupo, animado por um certo Iohanan ben Qarêah, preferia expatriar-se para o Egito. Contrariando um oráculo de Jeremias que desaconselhava essa conduta, este grupo realizou os seus projetos, levando consigo o profeta, cujo rastro se perde no longínquo Egito.

 

         5. A formação do livro. As grandes articulações do livro de Jeremias são bastante simples:

         1,1 – 25,14: Oráculos e ações simbólicas de Jeremias dirigidas contra Judá;

         26,1 – 45,5: Oráculos de salvação para Israel-Judá e relatos acerca do ministério de Jeremias;

         46,1 – 51,64 (com uma introdução em 25,15-38): Oráculos contra as nações estrangeiras;

         52,1-34: Anexo histórico baseado em 2Rs 24,18 – 25,30 (com a inclusão de algumas novas informações): A queda de Jerusalém.

         Na versão grega, os oráculos contra as nações estrangeiras estão inseridos imediatamente depois de 25,13. Esta disposição representa provavelmente um estágio mais antigo do rolo, pois constata-se que vários outros livros proféticos (Is 1 – 39; Ez; Hc; Sf) foram compostos de acordo com o esquema tripartido que situa os oráculos contra as nações entre os oráculos de desgraça contra Israel e os oráculos de salvação para Israel.

         No interior de cada uma das grandes partes do livro, percebem-se seções menores, composições coerentes, blocos de oráculos que parecem ter existido sob forma de folhetos ou de livros independentes, antes de serem inseridos na grande coleção de textos. Notamos, por exemplo, coleções como 22,11 – 23,8, reunindo oráculos sobre “a casa de David”; 23,9-40: “Sobre os profetas”; 30,1-31.40: o “livro” (30,2) que anuncia a restauração do novo Israel. Ainda, composições como o capítulo 2; os caps. 4 – 6; 14,1 – 15,4. Etc. poderiam ser contados entre as coletâneas jeremianas que precederam a formação da coleção definitiva.

         No que diz respeito à composição da primeira parte do livro (caps. 1 – 25), o episódio do rolo escrito por Baruc, destruído por Joaquim e recomposto numa edição ampliada (“e ainda foram acrescentadas outras palavras semelhantes”, 36,32), desempenha um papel importante nas considerações dos exegetas. Este rolo continha os oráculos ameaçadores pronunciados antes de 605, e é bem provável que seu conteúdo tenha entrado no material atualmente reunido em Jr 1 – 25. A sagacidade dos exegetas se tem esforçado bastante para identificar esses textos, mas as pesquisas conduziram a resultados contraditórios e não se chegou até agora a um consenso. Por enquanto é melhor renunciar à reconstrução desse “rolo primitivo”.

         O problema se complica pelo fato de os caps. 1 – 25 conterem, ao lado dos oráculos poéticos, de autenticidade indubitável, um grande número de passagens, mais ou menos longas – às vezes capítulos inteiros –, redigidos numa prosa, que pelo vocabulário e pensamento teológico, lembram o trabalho dos editores deuteronomistas, que durante o exílio redigiram o grande afresco histórico atualmente encontrado nos livros denominados “profetas anteriores” (cf. Introdução aos Livros Proféticos). Assim como estão, essas passagens não devem ser consideradas como obra pessoal de Jeremias, sendo necessário admitir, ao menos, que elas representam oráculos de Jeremias reelaborados por editores posteriores.

         Na segunda parte do livro, os relatos sobre o ministério de Jeremias são comumente atribuídos a Baruc. Pensa-se nele como autor, por causa das informações precisas que os relatos contém, representando, sem dúvida, as observações de uma testemunha ocular dos acontecimentos, e também porque terminam com um oráculo pessoal dirigido a Baruc. Essa atribuição, embora possível, não é nada segura. O autor acompanhou provavelmente Jeremias no Egito (cf. os caps. 43 – 44), e o versículo 43,6 nos informa que Baruc, antigo líder do partido pró-babilônico, foi levado à força para o Egito, junto com Jeremias.

         No início do tempo do Exílio existiam portanto numerosos livrinhos, folhetos e coletâneas dispersas e ainda, provavelmente, algumas tradições orais relativas a Jeremias. Um redator anônimo reunirá todo esse material num único volume. Ignoramos a identidade desse redator; contudo, ele se entrega nos inúmeros acréscimos, composições coerentes (discursos, um ou dois relatos) e comentários de estilo deuteronomistas que acima mencionamos e que balizam quase todos os capítulos do livro. O redator final do livro de Jeremias pode ser tranqüilamente associado à escola “deuteronomista”. Devemos admitir que a Palestina manifesta, por volta da segunda metade do séc. VI, uma intensa atividade literária e teológica; um trabalho de reflexão, de pesquisa e de edição, que consistia em colecionar e interpretar documentos, reuni-los em volumes compactos e deles tirar as conclusões que se impunham em vista de uma melhor compreensão do destino de Israel.

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JEREMIAS:

 

         JEREMIAS.

         Pontos fortes e êxitos:

         Escreveu dois livros do Antigo Testamento: Jeremias e Lamentações.

         Ministrou durante o reinado dos últimos cinco reis de Judá.

         Foi um incentivador da grande reforma espiritual que ocorreu no reinado de Josias.

         Agiu como um fiel mensageiro de Yaohu, apesar de ter sofrido muitos atentados contra a sua vida.

         Ficou tão profundamente entristecido com a condição decaída de Judá, que ganhou o título de “profeta chorão”. (O que discordo plenamente... Pois quando sofremos pelos outros em nome de Yaohu – somos rotulados como o foi Jeremias. Um absurdo. Anselmo Estevan.).

 

 

         Lições de vida:

         A opinião da maioria não é necessariamente a expressão da vontade de Yaohu.

         Embora o castigo pelo pecado seja severo, há esperança na misericórdia de Yaohu.

         Yaohu não aceitará uma adoração vazia ou que não seja sincera.

         Servir a Yaohu não garante segurança terrena.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Anatote.

         Ocupação: Profeta.

         Familiares: Pai – Hilquias.

         Contemporâneos: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim, Zedequias e Baruque.

 

 

Versículos-chave: “Então disse eu: Ah! ETERNO YAOHU! Eis que não sei falar; porque sou uma criança. Mas o ETERNO me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o ETERNO” (Jr 1,6-8).

         A história de Jeremias é contada no livro que tem o seu nome. O profeta também é mencionado em Esdras 1,1; Daniel 9,2; Mateus 2,17; 16,14; 27,9.

         (Veja em 2 Crônicas 34 e 35 a história do avivamento espiritual durante o reinado de Josias.).

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:11

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

LAMENTAÇÕES de JEREMIAS:

 

 

 

         INTRODUÇÃO

        

 

 

         Visão geral

         Autor: Desconhecido.

         Propósito: Expressar e orientar outros em suas expressões de lamento sobre as terríveis condições impostas sobre Jerusalém e sobre o povo de Yaohu pelos babilônios.

         Data: c. 586-516 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Judá e Jerusalém mereceram a decisão que resultou do julgamento divino a que foram submetidas.

         Não fosse o alívio proporcionado pelo lamento, a dor da destruição e do exílio seria maior do que as pessoas poderiam suportar.

         A única esperança de libertação do sofrimento causado pelo exílio era apelar a Yaohu para que fosse misericordioso.

 

 

 

         Propósito e características

         O propósito de Lamentações foi cumprido na própria execução do livro e, depois, na sua aceitação por outros como um meio de conformar-se com a destruição de Sião. O livro apresenta três perspectivas harmoniosas sobre a ira de Yaohu vertida em grande quantidade contra Judá por meio dos babilônios.

         Primeiro, o livro afirma que a destruição e o exílio foram conseqüências justas do pecado. Os profetas haviam repetidamente advertido Judá de que, se o povo continuasse a violar a aliança que Yaohu havia feito com eles, o julgamento aconteceria. Muito antes de Jeremias, Amós falou sobre um dia do ETERNO contra o seu povo (Am 5,18), e esse dia havia chegado (Lm 1,12). Os profetas haviam recorrido aos princípios da aliança, expressos mais enfaticamente em Deuteronômio, os quais estabelecem uma forte ligação entre a fidelidade do povo ao ETERNO e a sua permanência na Terra Prometida. Em parte, o propósito do livro era justificar a punição de Yaohu imposta a Judá e defender os profetas que haviam anunciado o julgamento com antecedência.

         Segundo, expressar a forte resistência emocional ao julgamento de Judá. Teria sido excessivo o julgamento de Yaohu sobre o seu povo (2,20-22)? Seria certo ele se comportar como um inimigo do seu próprio povo (2,4ss.)? Essas expressões honestas tornaram o livro poderoso na sua época e o fazem poderoso ainda hoje, quando os sentimentos de angústia e abandono novamente permeiam a alma.

         Terceiro, o livro afirma que o ETERNO ainda é um Deus de misericórdia e fidelidade (veja 3,22-36). Lamentações expressa uma fé sincera de que o exílio terá um fim. Também expressa a esperança de que haverá reparação para a culpa de Judá e que os seus inimigos serão julgados pelos crimes que cometeram contra o povo. Essa esperança reflete uma compreensão da soberania de Yaohu sobre todas as nações, uma soberania que assegurou o cumprimento de todas as suas promessas pactuais (veja 3,37-39).

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM LAMENTAÇÕES

(Yaohushua):

 

         Lamentações aponta, de diversas maneiras importantes, para além da situação do exílio, para Yaohushua. Em sua humilhação, O UNGIDO sofreu um tipo de exílio em razão de sua expiação substitutiva pelo povo de Yaohu. Nos dias anteriores ao seu próprio grito de abandono como parte do seu sofrimento redentor (Mt 27,46), O UNGIDO pronunciou o seu lamento pessoal sobre Jerusalém (Mt 23,37; Lc 13,34-45). A exaltação de Yaohushua deu início ao fim do sofrimento do povo de Yaohu. Ele assumiu o seu trono e continuará a reinar, subjugando, finalmente, todos os seus inimigos. Lamentações também proporciona aos seguidores de Yaohushua um meio de expressar os seus próprios lamentos sobre as condições de vida do povo de Yaohu no presente. Embora Yaohushua tenha inaugurado o reino de Yaohu e a exaltação do povo de Yaohu, a Igreja continua a sofrer privação e exílio (1Pe 1,2). Lamentações afirma que, num mundo de dor e injustiça, Yaohu ainda é bom e que um dia ele trará toda a bondade “para os que esperam por ele” (3,25).

        

 

         LAMENTAÇÕES: 1. Na Bíblia hebraica, o nome deste livro é tomado da primeira palavra dos dois primeiros e do quarto poema: Eiká (lit. “Como!” também traduzido por “Oh!”). Cf. Is 1,21; Jr 48,17. Mas o título grego, que se tornou tradicional – inclusive no Talmud –, corresponde bem ao gênero hebraico do “lamento”, ao lado do canto fúnebre (cf. 2Sm 1,17ss.), pode aplicar-se também a uma catástrofe nacional. A catástrofe aqui em foco é a tomada de Jerusalém e a destruição do Templo em 587 por Nabucodonosor, que deportou para Babilônia parte da população. Por isso, os judeus lêem esse livro no dia nove de ab (o quinto mês, iniciando-se o ano com a Páscoa),  que coincidência curiosa – marca não somente esse aniversário, mais também a queda do Segundo Templo sob os golpes dos romanos. Cf. Já Jr 41,5.2.

         2. A Septuaginta atribui esta livro a Jeremias, talvez com base em 2Cr 35,25, onde, de fato, se fala de um canto fúnebre sobre Josias. Na realidade, Lm 4,20 não se coaduna absolutamente com aquilo que Jeremias pensava a respeito de Sedecias (Jr 24,8; cf. 23,6). Por outro lado, a doutrina sobre a retribuição expressa em 5,7 é combatida por Jr 31,29-30, da mesma forma que a Aliança com o Egito em 4,17 é impugnada por Jr 37,5-7 (comparem-se Jr 2,18 e Lm 5,6); e seria contraditório que Jeremias tenha podido pronunciar Lm 2,9. Diga-se que esse último texto é um indício de que estes cantos foram escritos na Palestina – de onde Jeremias esteve ausente depois da forçada fuga para o Egito (Jr 43,6) – e não na Babilônia, onde Ezequiel tinha certa audiência (cf. Ez 8,1) e não poderia ter sido assim ignorado. Mais: as diferenças de forma e de fundo demonstram que talvez se trate de cinco poemas de origem diversa. Por isso, as Lamentações não são de autoria de Jeremias; segundo alguns, elas teriam mesmo sido escritas “contra” Jeremias e o partido pró-babilônico, que podia ser visto como o inimigo interno enquanto se aproximava o invasor.

         3. Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, sendo que o começo dos vinte e dois versos alista em ordem as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Mas há uma leve diferença na ordem do alfabeto entre o primeiro poema e os três seguintes; e no terceiro, o alfabetismo é tríplice, incidindo no começo de cada um dos três membros de cada verso. Essa técnica podia auxiliar a memorização e, além disso, indicar que o assunto estava completamente tratado, como costumamos dizer, “de A a Z”.

         No que tange ao assunto, as duas primeiras e as duas últimas são lamentações de cunho político; aí Sião representada sob os traços de uma mulher (ressalvando a quinta, que é uma queixa coletiva); mas a terceira parece ser vazada em prisma individual e destaca um homem, cujos aspectos em sua maioria fazem pensar em Jeremias Sofredor; é verdade que se poderia ver nesse homem uma representação do Povo inteiro, sob os traços do profeta encarnado os sofrimentos de sua nação. Seria este, de certo modo, o mais antigo comentário sobre os outros poemas, agora situado, em vista dessa finalidade, no centro das lamentações nacionais.

4. O anonimato e a diversidade levantam a questão da data. É difícil categoricamente uma determinada ordem de composição, mas está claro, em todo caso, que todos os poemas datam de antes do fim do Exílio em 538 e, mesmo, que muitos detalhes (notadamente no segundo e no quarto poema) revelam proximidade com os acontecimentos de 587. Pode ser até que o primeiro poema remonte à época da primeira deportação, em 598.

         A tristeza na miséria física e moral da catástrofe política e religiosa, o arrependimento em relação à conduta pecaminosa, que forçou Yaohu a aniquilar o seu povo, e a esperança da fé no ETERNO, mestre da história, infundem nesse livro uma beleza trágica e expressam uma mensagem, que, embora ligada a estas circunstâncias particulares, permanece atual através dos tempos.

         5. As Lamentações deploram o luto de Jerusalém (1,1.4; 2,8; 5,15): ela está prostrada em lágrimas (1,2.16; 2,11.18; 3,48s.), em gemidos (1,4.8.11.21.22), em aflição (1,4.5.8.12; 3,32s.), em estado solitário (1,4.13.16; 3,11; 4,5; 5,18), em desnudamento (1,8) e fome (1,11.19; 2,12.19; 4,4.5.8-9; 5,6.10).

         Está ferida nos seus seres mais queridos: as crianças (1,5.20; 2,4.11.19.20.22; 4,4.10; 5,13), as jovens: (1,4.18; 2,4.10.21; 5,11), os jovens (1,15.18; 2,21; 4,7; 5,12.14), os anciãos (1,19; 2,10.21; 4,16; 5,12.14), os sacerdotes (1,4.19; 2,6.20; 4,16), os profetas (2,9.20) e os reis (1,6; 2,2.6.9; 4,20; 5,12). Está profanada em suas realidades mais santas: o Templo (1,4.10; 2,1.4.6.7.20) e a assembléia fiel ao Encontro divino (1,4.10; 2,6.7.22).

         Em sua aflição e graças a ela, a Cidade Santa toma consciência de seu pecado, que é revolta (1,5.14.22; 3,42), desobediência (1,18.20; 3,42), falta (1,8; 3,39; 4,6.13.22; 5,7.16) e perversidade (2,14; 4,6.13.22; 5,7). Esse pecado, ela o confessa (3,42; 5,7.16), pecado que faz pesar sobre ela a sua mão, que não é senão a mão dos inimigos (mais de vinte vezes nomeados) e, no fundo, a mão do próprio Yaohu (1,14).

         Com efeito, é Yaohu que faz descobrir aos seus filhos a rejeição absoluta de todo mal, rejeição que provoca a sua ira (1,12; 2,1.3.6.21.22; 3,43.66; 4,11), o seu furor (2,4; 4,11), a sua fúria (2,2; 3,1), sua chama aterradora (1,13; 2,3-4; 4,11). É ele, a quem os pecadores encaram como um inimigo (2,4-5; 3,1-18.43-45): ele aflige (1,5.12), entristece (2,1) e traga (2,1-8). Ele parece, então, longínquo (1,16), e, todavia está sempre perto (3,57), ouve (3,56.61), vê (1,9.11.20; 2,20; 3,50.59-60.63; 5,1), se lembra (3,19; 5,1.20).

         Pode-se confiar nele, pois é justo (1,18; 3,34-36), todo-poderoso (3,37-38; 5,19), fiel (3,32), Salvador (3,26), redentor (3,58), capaz de consolar (1,16) e tão bom (3,25) que manifesta entranhas, que dizer, ternuras materiais, renovadas todas as manhãs (3,22-23). A desgraça, fruto do pecado, é de sua parte a graça suprema: ela conduz à humildade confissão e finalmente à conversão, não propriamente à conversão que o homem pretenderia realizar por si mesmo (3,40), mas à conversão que somente Yaohu pode operar no homem: Faze-nos voltar a Ti, ETERNO, e voltaremos (5,21).

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:11

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

EZEQUIEL

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Ezequiel.

         Propósito: Incentivar os exilados a permanecerem fiéis ao ETERNO, para que ele cumprisse a sua promessa de reconduzi-los à Terra Prometida e de conduzir o templo e Jerusalém a novas alturas de glória.

         Data: c. 593-570 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Judá e Jerusalém merecerem a sentença dada por Yaohu de destruição total e exílio.

         O julgamento vem sobre aqueles que violam flagrantemente a lei de Yaohu.

         Yaohu julgará as nações que se voltaram contra o seu povo.

         Depois do exílio, Yaohu mandaria grandes bênçãos ao seu povo.

         Jerusalém e o seu templo seriam o centro do povo restaurado de Yaohu.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Ezequiel é inigualável no sentido de que, com algumas exceções ocasionais, ele é inteiramente autobiográfico, isto é, escrito na primeira pessoa do singular, do ponto de vista do próprio Ezequiel. O livro se divide em três partes. Nas duas primeiras, Ezequiel anunciou o julgamento sobre Jerusalém (caps. 1 – 24) e sobre outras nações estrangeiras (caps. 25 – 32). A partir do momento em que um mensageiro chegou relatando a destruição de Jerusalém (33,21 – 22), a pregação do profeta passa a ser dominada pelas promessas de restauração e misericórdia para o futuro (caps. 33 – 48). Tanto à parte que anuncia julgamento sobre Jerusalém como a parte que profetiza restauração, iniciam com oráculos a respeito do papel de Ezequiel como atalaia (3,16-21; 33,1-20).

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM EZEQUIEL. (Yaohushua):

 

         O ministério profético de Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel anunciou que Yaohu destruiria Jerusalém e enviaria a sua população para o exílio em razão de sua continuada descrença. O julgamento contra os apóstatas dentre o povo da aliança estendeu-se também ao ministério do UNGIDO, “O SALVADOR”, – Yaohushua. Yaohushua apelou para o arrependimento entre os judeus e um REMANESCENTE respondeu em fé. Entretanto, como Ezequiel, Yaohushua – O UNGIDO anunciou que a destruição do templo e de Jerusalém ocorreriam novamente após a sua partida (Mt 24; Jo 2,19). Ezequiel também anunciou julgamento contra as nações que atormentavam o povo de Yaohu (29,19; 30,25; 38,21-23). Num certo grau, esses julgamentos ocorreram na inauguração do reino de Yaohushua (Mt 24,34; Lc 11,32.51), mas serão plenamente realizados no julgamento que acontecerá  quando Yaohushua retornar (Ap 11,18; 14,7; 15,1).

         A obra de Yaohushua foi antecipada quando Ezequiel anunciou que Yaohu um dia poria um fim ao exílio (caps. 33 – 48), estabeleceria uma aliança de paz (34,5; 37,6) e restauraria Jerusalém a uma glória maior do que nunca antes (cap. 48). De acordo com essas esperanças, a morte, a ressurreição e a ascensão de Yaohushua ocorreram perto da cidade (Mt 16,20). A descida do Rúkha hol – Rodshua (Espírito Santo) ocorreu ali, no dia de Pentecostes, quando milhares de exilados creram no Yaohushua (At 2). Além disso, entre a sua primeira e a sua segunda vinda, a Jerusalém celestial, onde Yaohushua está, tornou-se um aspecto importante da fé dos remanescentes (Jo 3,31; Cl 1,5). O Novo Testamento também fez de Jerusalém a peça central dos novos céus e nova terra a serem estabelecidos quando Yaohushua retornar (Ap 21,2).

         O próprio Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel mencionou “o príncipe” em 34,24; 37,25; 44,3; 45,7.16-17.22; 46,2.4.8.10.12.16-18. Esse príncipe seria o filho de Davi que reinaria sobre o povo de Yaohu após o exílio. Da época do exílio até Yaohushua, nenhuma figura real da casa de Davi reinou sobre Israel (Lc 1,32-33). Assim, Yaohushua cumpre as esperanças que Ezequiel tinha para a restauração da casa de Davi após o exílio. Veja a nota sobre 37,24.

         Ezequiel depositava muitas de suas esperanças para o futuro de Israel na restauração do templo e do seu sacerdócio (caps. 40 – 48). Como filho encarnado de Yaohu, Yaohushua é o cumprimento final tanto do templo de Yaohu (Jo 2,19-22; Ap 21,22) como do sacerdócio (Hb 7,1 – 8,6). Sua morte foi um sacrifício expiatório (Rm 3,25; Hb 2,17). Ele agora ministra diante do trono de Yaohu no céu, intercedendo pelos santos (veja Hb 8). Quando retornar em glória, Yaohushua santificará os novos céus e a nova terra para ser uma morada santa para Yaohu (Ap 21,22-23), substituindo o templo como lugar de sua presença especial – 1Rs 8.

 

         Como a palavra “Christós” – O UNGIDO – foi transliterada erroneamente para o português – “CRISTO”. E, dessa palavra, se derivou a palavra: CRISTÃO – (At 11,26; 26,28; 1Pe 4,16). Entendendo que esse termo é: SEGUIDOR DE CRISTO – DE SUAS OBRAS...! Mas o correto é: REMANESCENTE – OU SEJA: “O QUE RESTA DE ALGUMA COISA, O QUE SOBROU, O SEGUIMENTO MAIS PURO O DNA, ETC”. Sendo desta forma quando houver a palavra: cristão, leia-se REMANESCENTE – OS VERDADEIROS SEGUIDORES DE YAOHUSHUA – SUA SEMENTE – O QUE BUSCA A VERDADE PURA DOS CÉUS SOMENTE...!!! (Is 49,6; Jr 50,20; Rm 9,27; Rm 11,5). Por isso que é fundamental conhecer o seu verdadeiro Nome Pessoal único e intransferível: “Yaohu”, “Yaohushua”, “Rúkha hol – Rodshua” – O ÚNICO NOME QUE “SALVA”! Anselmo Estevan.

 

         Vamos ver o que diz a Enciclopédia Bíblica, O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO versículo por versículo; da editora HAGNOS. R.N. Champlin. Dicionário – pág. 5154:

 

         REMANESCENTE:

         No hebraico temos três palavras diversas, com o sentido de “aquilo que resta”, “escape” e “remanescente”. No N.T. também temos três palavras gregas, Katáleimma, leîmma e loipós, todas com o sentido de “remanescente”.

         O conceito de remanescente encontra-se ao longo da Bíblia, com vários aspectos e significações. Aquelas palavras originais algumas vezes eram usadas em combinações que lhes emprestavam um efeito intensificador ou especial. Podiam indicar objetos ou pessoas que sobraram, após o uso ou alguma mortandade ou destruição. Os profetas se utilizaram especialmente de expressões como “restantes de Sião” (Is 4,3; Jr 6,9, “resíduos de Israel”; Mq 2,12, “restante de Israel”; Mq 5,6ss, “restante de Jacó”) e expressões similares. Essas expressões têm um sentido teológico e escatológico, um resumo das esperanças dos crentes israelitas. O povo ao qual seria dada a salvação final consiste na comunidade daqueles que, pelo desígnio gracioso de Yaohu, vierem a escapar do juízo condenatório, por haverem sido escolhidos pelo ETERNO. Todavia, como muitos outros conceitos teológicos, o conceito de “remanescentetambém sofreu uma evolução ao longo da revelação bíblica:

         1. Uso profano ou natural. A idéia de algo que sobrou é comum no uso secular. A Bíblia alude ao resto das ofertas de manjares ou de cereais (Lv 2,3), ao resto do azeite (Lv 14,18), os restantes dos prostitutos cultuais (1Rs 22,46), etc. A palavra “restante” é usada, especialmente, para indicar minorias políticas de vários tipos (ver Js 23,12; Dt 3,11; 2Sm 21,12; Is 14,22.30; 16,14; 1Rs 14,10; 2Rs 25,11; Ez 14,22; etc.). Os grupos de exilados que retornaram da Babilônia em companhia de Zorobabel e Esdras também eram chamadosremanescente”.

         2. Uso teológico. É nesse campo que a palavra se reveste de grande importância. O destino político de Israel é uma questão escatológica, profetizada. Um exemplo pertinente disso é Mq 5,3: “Portanto os entregará até ao tempo em que a que está em dores de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel”. Estão em foco os eleitos de Yaohu dentre todas as nações, que serão unidas aos israelitas salvos no fim de nossa dispensação, completando a Igreja. Os profetas do A.T. apenas vislumbravam o que o N.T. descreve com maior clareza.

         Aquele que faz a vontade de Yaohu é irmão, irmã ou mãe de Yaohushua (Mt 12,50); Yaohushua não se envergonha de chamá-los irmãos (Hb 2,11). A promessa se estende a todos quantos são chamados por Yaohu (At 2,39).

         Que a Bíblia ensina um retorno literal dos judeus à Palestina que pode ser identificado ou não ao contemporâneo movimento sionista, parece claro, através de trechos como Jr 31,7-9 e Mq 5,7.8. Mas, quando chegamos ao N.T., a palavra “remanescenteé usada especialmente em relação aos judeus que, em cada geração, se vão convertendo a Yaohushua, até à grande colheita final de Israelitas, nos dias da grande tribulação. Romanos 9,27-29 é passagem crucial dentro da teologia de remanescente. Só o remanescente de Israel será salvo. Esses são a semente espiritual de Abraão, em contraposição à sua descendência natural – aqueles que são tão numerosos como as estrelas, em contraste com aqueles que são tão numerosos como a areia dos mares. Portanto, é um erro equiparar a moderna nação de Israel com o remanescente profetizado. Contudo, apesar de esse remanescente visar especialmente aos judeus eleitos por Yaohu, também estão em pauta os gentios eleitos (ver Rm 9,24.25: “... a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios...”). Isso esclarece que a Igreja de Yaohushua, em seu estágio final, consistirá de judeus e gentios eleitos, tal como se deu no começo do cristianismo, fortalecendo a posição pós-tribulacional, que não concebe a Igreja gentílica arrebatada antes da tribulação, somente após o que os judeus se voltariam para Yaohushua. As promessas bíblicas, acerca do povo de Yaohu do fim, visam igualmente a judeus e gentios, pois, em Yaohushua são eliminadas todas as distinções que os separavam, formando-se um único corpo místico de Yaohushua. (Ver João 17,22.23).

         Romanos 11,4.5 é trecho que fala de um remanescente escolhido de acordo com os propósitos da graça divina. A base histórica disso é a experiência do profeta Elias, que foi relembrado, em um período de grande apostasia em Israel, que havia ali muitos que não tinham dobrado os joelhos diante de Baal. O ponto frisado pelo apóstolo foi que esses fiéis do passado são paralelos ao remanescente da graça na dispensação atual. A soberana eleição de Yaohu está em foco. Apesar de a maioria da nação de Israel ter caído em apostasia, o remanescente permaneceu fiel ao ETERNO. O mesmo sucederá no período escatológico do fim. Outro pensamento que se salienta é que Yaohu jamais rejeita os seus escolhidos, pois a eleição para a salvação não depende das realizações morais dos escolhidos, mas do beneplácito de Yaohu. A ênfase recai sempre sobre a profundíssima misericórdia do ETERNO, em todas as discussões sobe o remanescente!

        

 

 

 

         EZEQUIEL: “Ezequiel: um homem, sem dúvida, desconcertante, de gênio tão variado, tão rico, tão complexo, que seu livro se nos apresenta denso e difícil de percorrer. Todavia este livro dá testemunho de um homem que viveu um dos momentos mais dramáticos da história de Israel e cuja experiência espiritual é uma das mais aptas a esclarecer o destino do povo de Yaohu. Não será, então, de particular atualidade?

 

 

O LIVRO DE EZEQUIEL

 

         Sua estrutura se apresenta simples e lógica. Depois do relato da vocação do profeta (1,1 – 3,21), vêm os oráculos que anunciam o julgamento de Jerusalém (3,22 – 24,27), o castigo das nações (25 – 32) e a restauração do povo aniquilado (33 – 37). O livro se completa nas vastas perspectivas de um horizonte distante: aos olhos do leitor, desenrola-se inicialmente a decisiva batalha do povo de Yaohu diante de terríveis inimigos (38 – 39); depois se desenha a alta silhueta da montanha sobre a qual Ezequiel vislumbra a capital futurista do povo de Yaohu renovado (40 – 48).

         Mas, depois de ultrapassado esse esquema bastante lógico, o livro espanta por certa liberdade que aparenta desordem. Assim, no interior do cap. 34, em temas do pastor e do rebanho se desenvolvem em sentidos diversos (inspirados, é verdade, em Jr 23,1-6), e o cap. 1 contém um acúmulo de detalhes estranhos, aparentemente supérfluos – as rodas, por exemplo – ou então acrescentados em detrimento da coerência gramatical.

            Os discípulos de Ezequiel têm grande responsabilidade nessa desordem. Aparentemente indiferentes a toda lógica, fragmentaram seus oráculos: 3,22-27; 4,4-8; 24,15-27 e 33,21.22 poderiam ser os membros dissociados de um relato contínuo; ou então aproximaram indevidamente oráculos independentes, unindo-os por um vínculo fictício: assim é que o termo de encadeamento “espada” (cap. 21) serve de elo entre

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:10

parágrafos alheios uns aos outros: a espada do ETERNO (vv. 6-12), espada bem afiada (vv. 13-22), do rei da Babilônia (vv. 23-32), erguida contra os amonitas (vv. 33-37); esses discípulos chegaram a repetir várias vezes os mesmos oráculos: as considerações sobre “os justos caminhos do ETERNO” encontram-se – idênticos, ou quase – em 18,1-32 e 33,10-20.

         O próprio Ezequiel não é totalmente estranho à atual fisionomia de seu livro; foi ele o primeiro a sobrecarregar as frases com detalhes, os capítulos com parágrafos, todos portadores de uma doutrina capital, mas sem compromisso com a harmonia primitiva: assim aconteceu-lhe completar os relatos das visões (1 – 3; 8 – 11) ou de certo gesto profético (4,4-17) etc. Aliás, era o que desejava o seu gênio variado, instável, quase doentio, por assim dizer. Não o vemos prostrado (3,15), mudo (3,26), talvez paralisado (4,4-8)? Esse gênio não consegue defender-se da atração dos extremos: é fulgurante e meticuloso, pronto para o sublime e para o vulgar; deixa-se seduzir pelo peso do barroco, deixa-se levar pela embriaguez do surrealismo (ver os poemas da águia: 17,1-10; do dragão: 32,1-8), e em seguida encerra sua imaginação impetuosa e sua frase redundante nas frias distinções de um casuísta (caps. 18 e 33), na monótona descrição de uma geografia de computador (cap. 47 e 48), na seca enumeração de dados arquitetônicos (cap. 40 e 42) ou nos parágrafos cansativos de rubricas minuciosas (cap. 44; 46). É ainda ele que se deixar guiar pelos marcos precisos da história – as alusões históricas são numerosas no pano de fundo dos cap. 16 e 19, ou nos diversos oráculos contra as nações – e que mostra familiaridade com riquezas inesgotáveis, perspectivas fugidias e indefinidas da evocação mítica: o homem primordial e o jardim do Éden (cap. 28), a árvore cósmica (cap. 31), as regiões infernais (cap. 32).

 

 

O PROFETA EZEQUIEL

 

Ao longo deste livro, cuja estrutura e estilo já esboçam a silhueta de alguém, finalmente aparece um personagem, Ezequiel, o profeta.

         Contemporâneo da queda de Jerusalém (587), às vezes dá a impressão de ter começado sua pregação na capital palestina, antes de continuá-la e de leva-la a termo entre os deportados, às margens do rio Kebar. Assim se explicaria melhor, entre outras coisas, a minuciosa descrição de todos os gestos idolátricos realizados no Templo (cap. 8). Mas o argumento parece pouco convincente, e a maioria dos comentadores julga que toda a atividade profética de Ezequiel se desenrola em terra babilônica, junto a uma cidade: Tel-Abib; o profeta fora levado para lá antes da destruição de Jerusalém, por ocasião das primeiras razzias palestinas de Nabucodonosor (598). São registradas as datas de certos oráculos. A da visão inicial não é confiável (1,1-2; cf. v. 1 nota), mas as outras são dignas de atenção. A visão dos pecados de Jerusalém (8,1) é situada no sexto ano (do exílio do rei Ioiakin, que é também o de Ezequiel), ou seja, em 592; oráculo da panela (24,1) é datado do nono ano, ou seja, em 589, no mesmo dezembro em que se inicia o cerco a Jerusalém; outros são situados no décimo ano, em 588, no tempo em que o faraó do Egito se encontra em má situação (29,1); no décimo primeiro, em 587 (26,1), no décimo segundo, ou seja, no início de 585 (33,21), no vigésimo quinto, em 573 (40,1), e por fim no vigésimo sétimo, em 571 (29,17).

 

 

A MENSAGEM DE EZEQUIEL

 

         É, pois, na Babilônia que se desenvolveu a atividade daquele que era até então um sacerdote e que conservou, até o fim da vida, sua mentalidade de sacerdote perito em culto, liturgia, rubricas e sacristias (caps. 40 – 48); é lá ainda que, de repente, tudo nele se transtorna. Produzem-se dois acontecimentos: a irrupção da glória de Yaohu fez desse sacerdote um profeta, e a queda de Jerusalém transforma o pregador de condenação em pregador de salvação.

 

 

         A irrupção da Glória. Eis, pois, que a partir de certo dia, a vida de Ezequiel é como que invadida pela Glória do ETERNO. Ela se mostra em várias ocasiões (1,28; 3,23; 8,4; 10,1; 43,2), deixando-o todas as vezes atônico, extasiado (3,15).

         Que vê ele? No meio de uma grande nuvem, precedido pelo sopro da tempestade, um fogo em forma de redemoinho; e depois, seres vivos. São quatro: eles voam, sustentam um firmamento sobre o qual aparece um trono. Acima, há como que o aspecto de um homem, com uma claridade ao redor dele... É o aspecto da Glória do ETERNO (1,4-28).

         No fundo, o profeta está em vias de reviver, mas com gênio diferente e noutro contexto, a visão de seu grande predecessor, Isaías. Ele acaba de receber a revelação esmagadora da transcendência do ETERNO, da Glória daquele que é o rei de toda a terra (Is 6,3). Este último ponto está ausente da descrição inicial de Ezequiel, mas o profeta sugere sua verdade acrescentando traços secundários, com o risco de obscurecer sua intuição primordial. Assim se explica a longa descrição desses animais fantásticos, tomados do bestiário mítico dos babilônios, que o profeta se compraz em ver a serviço do ETERNO; ou ainda a presença, totalmente supérflua, de rodas alucinantes que mostram a seu modo que a Glória é onipotente em todos os lugares.

         Esmagado por essa revelação, Ezequiel percebe violentamente sua pequenez; em face da Glória, ele não passa de um ínfimo e derrisório filho de homem, hesitante, atônito (1,28; 2,2; 3,14-17.22-24); sobre ele, a mão do ETERNO (1,3; 3,22; 33,22; 37,1; 40,1) caiu (8,1) pesadamente (3,14); sobre ele também, o Espírito do ETERNORúkha – Yaohu – vem (2,2; 3,24), cai (11,5), para arrebata-lo (3,12.14; 8,3; 11,1.24; 43,5).

         Mas o profeta percebe a Glória que sai do Templo e se afasta de Jerusalém (11,22.23). O ETERNO deixa Sião! Por quê? Como?

         Ezequiel descobre no pecado de Israel o motivo de tão dramática separação; o pecado de Israel é o mal endêmico do qual ele procura entrever a gravidade, a extensão, a profundidade. O pecado é o ato de violência, o crime em que o sangue é derramado (7,23; 9,9; 16,36; 18,10 etc.), que, pelo menos uma vez, o profeta põe em pé de igualdade com a idolatria (36,18). Pois o pecado capital é, para ele, a idolatria (14,1-8), que ele vê praticada sobre toda colina, sob as árvores (6,3.6.13; 16,16; 20,28.29) e até no Templo de Jerusalém (cap. 8). Encontra seus sinais na entrada do pórtico interior (vv. 3-6), no adro (vv. 7-13), no santuário do ETERNO (vv. 14.15), entre o vestíbulo e o altar (v. 16). O pecado de Israel é também a imoralidade cotidiana; Ezequiel a descreve inspirando-se nos formulários de confissão dos pecados, em uso nos santuários (18,5-9; 22,3-12.23-30).

         Ezequiel diz e repete que esse pecado é um horror, uma abominação (5,9-11; 6,9; 16,22-52); é um gesto de infidelidade, um adultério, um ato de prostituição. O profeta desenvolve este tema na alegria da menina encontrada, adotada e depois desposada, que finalmente se transforma em “prostituta despótica” (16,30); ele retoma depois na história das duas irmãs, Oholá  (Samaria) e Oholibá (Jerusalém), esposas infiéis que se entregaram a uma insolente prostituição (cap. 23).

         O profeta finalmente chega a descobrir a raiz da impudica infidelidade à qual Jerusalém se abandona no orgulho. O pecado dos pagãos de Sodoma (16,49-50), do rei de Tiro (28,2.5.17), do Egito (30,6.18) e seus faraós (32,12; 35,13), é também o pecado de Israel (7,20.24; 33,28), esposa envaidecida com sua beleza (16,15.56); é também o pecado do príncipe (21,30-31).

         Porventura, Jerusalém não tem um origem pagã, ela que descende de pai emorita e de mãe hitita (16,3.45)? Sua corrupção, que se manifesta ao longo de toda a sua história (cap. 20), é congênita (cap. 16), e a permanência prolongada de Jacó-Israel no Egito – onde Yaohu com a mão erguida, jurou, e disse: Eu sou YAOHU vosso Deus (20,5) – deveria ter as mais funestas conseqüências: ela daria a Israel essa paixão pelos ídolos à qual depois ninguém saberia renunciar (cap. 20).

         É em meio a esse povo que Ezequiel é estabelecido profeta, com a missão de proclamar a palavra de Yaohu. Ainda que esta palavra penetre nele como um alimento e o encha de doçura (3,2.3), o filho de Buzi deve esperar encontrar em seu caminho sofrimentos e espinhos toda vez que ele clamar: Assim fala o ETERNO – Yaohu – Deus (3,11); mas não deve desistir, pois o essencial é, no fim das contas, que os deportados, por mais rebeldes que sejam, saibam que há um profeta no meio deles (2,5).

         Ezequiel será uma “sentinela a serviço de Israel”. Deverá dizer ao perverso: “Vais morrer”, a fim de que o mau abandone a sua má conduta e viva; deverá admoestar o justo para que não peque, a fim de permanecer em vida (3,16-21); pois, ao contrário do adágio que se costuma repetir em Israel, ele afirma: Quem pecar, esse morrerá, o filho não arcará com a iniqüidade do pai, nem o pai com a iniqüidade do filho (18,4-20).

         Todavia, se Ezequiel deixar de admoestar o malvado, terá de prestar contas do sangue do mau que houver perecido por falta de admoestação oportuna (3,18). Esta hipótese não é gratuita; nessa época, não faltavam pretensos profetas, que seguiam sua própria inspiração sem jamais ter tido visão. São semelhantes a pedreiros que se contentam com rebocar um muro rachado, com o risco de deixar ruir todo o conjunto. Tais são os profetas que publicam uma mensagem de paz sem se preocupar em curar o pecado (cap. 13). [está acontecendo hoje nos cultos...!]. A.

 

 

         A queda de Jerusalém. O pecado não pode deixar de conduzir o povo a um julgamento inelutável e terrível; o profeta vê sua realização bem próxima e se obstina a anuncia-lo incansavelmente, por palavras (caps. 7; 9 – 11) e atos (caps. 4 – 5). Até aquela triste manhã, em que alguém se apresenta para lhe declarar a desgraça que aconteceu: Jerusalém foi tomada, destruída, incendiada; os sobreviventes partem para o exílio.

         Foi este o segundo acontecimento capital na vida de Ezequiel. Instigado a não deixar transparecer seu pesar (24,15-27), deve ter sentido uma dor pelo menos igual à de seus companheiros de deportação. Com efeito, o sofrimento e o desespero deles foram tais que chegaram a dizer: Estão sobre nós as nossas revoltas e os nossos pecados, e apodrecemos por causa deles! Como poderemos viver? (33,10). Ou ainda: Os nossos ossos estão ressequidos, pereceu a nossa esperança, estamos esfacelados (37,11).

         Então Ezequiel reagiu; pôs-se a anunciar o castigo para as nações cujos sarcasmos intensificavam a dor dos vencidos. Israel não será o único a sofrer o julgamento. Sem dúvida, o profeta outrora entrevia que povos de fala impenetrável e de língua enrolada (3,6) o teriam escutado melhor do que a casa de Israel; contudo, esses povos agora são convocados ao tribunal de Yaohu (25 – 32). O Egito é o principal acusado (cap. 29 – 32), ele que provocou a traição de Sedecias (17,15), infiel às suas alianças (17,19). Tiro deve compadecer por ter tido intenções injuriosas contra Jerusalém. Oprimida pelos exércitos inimigos (26,2), e depois também os países vizinhos da Palestina: Amon, Moab, Edom e os filisteus, todos culpáveis de comportamento odioso com relação ao povo aniquilado (cap. 25).

         Mas eis que o profeta, arauto trágico, reduzido até aqui ao anúncio de uma desgraça inelutável, transforma-se em pregador de salvação. Já os seus oráculos anteriores não haviam excluído todo motivo de conforto. O tema do “Resto” aparece em algumas passagens; sua evocação é rápida, tão rápida, aliás, que se pode ver aí o resultado de algum acréscimo secundário; assim os vv. 5,1.2 são explicados aos vv. 12 e 13, ao passo que os vv. 5,3.4, que, ademais, comprometem a lógica do cálculo profético, não recebem nenhum comentário. Contudo, o tema é claramente atestado no cap. 9; aí vem à tona a execução dos habitantes de Jerusalém, precedida por um gesto de seleção que põe à parte os homens que gemem e se lamentam por causa de todas as abominações que se cometem no meio de Jerusalém (9,4).

         Haverá, portanto, um “Resto” (ver 6,8-10; 9,4-8; 11,13; 12,16; 14,22.23), mais irrisório, tão frágil (11,13), reduzido talvez aos cadáveres amontoados em Jerusalém (11,7), que sua evocação não pode impedir os exilados de perder sua débil esperança. Então o profeta, sentinela atenta, se posta na brecha. Os mortos viverão, proclama ele; e aí temos o maravilhoso afresco dos ossos ressequidos e revigorados (37,1-14); por mais diminuído e aniquilado que esteja Israel, ainda que fosse semelhante a um ossário abandonado pela vida, o ETERNO saberá faze-lo reviver ao sopro impetuoso de seu Rúkha – Espírito.

         Um povo que voltou à vida, mas a uma vida totalmente diferente da anterior, tal será o Israel resgatado do exílio. Porque, diz o ETERNO: eu vos tomarei de entre as nações, vos reunirei de todas as terras e vos levarei ao vosso solo. Farei sobre vós uma aspersão de água pura e ficareis puros: eu vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo; tirarei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Infundirei em vós o meu Rúkha e vos farei caminhar segundo as minhas leis, guardar e praticar os meus costumes. Habitareis a terra que dei a vossos pais; sereis para mim um povo, e eu serei para vós Deus – Yaohu (36,24-28).

         Essa vida ideal se realizará num reino reunificado (37,15-28), onde o povo não será mais entregue às prevaricações dos chefes indignos (34,1-10); ele será guiado pelo cajado do ETERNO, tornando-se ele mesmo o pastor de seu povo (34,11-16); quanto ao descendente de David, ele será simplesmente um príncipe no meio deles (34,24).

 

 

         Perspectivas finais. No fim de sua carreira profética, Ezequiel se aplica a mostrar o caminho do Israel renovado. Inicialmente ele vê o povo conseguir, no fim dos anos (38,8), a vitória que o livra de todos os seus inimigos. O povo os enfrentou num combate colossal, reencontrando todos os seus adversários de todos os tempos, por trás da face belicosa de seu campeão, Gog, da terra de Magog, grande príncipe de Méshek e de Tubal. Ele os enfrenta e a todos destrói; com seus armamentos terrificantes ele faz um fogo de alegria; abandona inúmeros mortos deles à rapacidade dos abutres e ao cuidado dos coveiros, por sete meses interminavelmente ocupados em enterrar os corpos dos vencidos (cap. 38 e 39).

         Por fim, Ezequiel imagina Israel vitoriosa já instalado numa Palestina também renovada. Vê a terra matematicamente partilhada em zonas que limitam as fronteiras com absoluto rigor (cap.47; 48); ele a vê banhada com a água maravilhosa, que jorra do Templo (cap. 47). Será o lugar privilegiado onde, conforme todas as suas regras (caps. 40; 46), desenrolar-se-á o culto que celebra a Glória do ETERNO que voltou ao santuário (43,1-12). Pois, de agora em diante, o Templo será o centro da vida do povo, o coração de um mistério que o profeta faz entrever em uma só expressão: O ETERNO está aí (48,35).

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE EZEQUIEL:

 

 

         EZEQUIEL

         Pontos fortes e êxitos:

         Foi treinado para ser um sacerdote, e chamado por Yaohu para ser um profeta.

         Recebeu visões vividas e transmitiu mensagens poderosas.

         Serviu como mensageiro de Yaohu durante o exílio de Israel na Babilônia.

         Tornou-se um homem firme e corajoso, atingindo, com sua mensagem, as pessoas mais rebeldes (Ez 3,8).

 

 

         Lições de vida:

         Mesmo os repetidos fracassos de seu povo não impedirão que o plano de Yaohu para o mundo se cumpra.

         A resposta de cada pessoa a Yaohu determinará o seu destino eterno.

         Yaohu escolhe pessoas através das quais pode trabalhar mesmo em situações aparentemente desesperadoras.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Profeta para os exilados na Babilônia.

         Familiares: Pai – Buzi; esposa – seu nome não é citado.

         Contemporâneos: Joaquim, Jeremias, Jeoaquim e Nabucodonosor.

 

 

 

         Versículos-chave: “Disse-me mais: Filho do homem, coloca no coração todas as minhas palavras que te hei de dizer e ouve-as com os teus ouvidos. Eia, pois, vai aos filhos do teu povo, e lhes falarás, e lhes dirás: Assim diz o ETERNO YAOHU, quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 3,10.11).

 

 

 

         A história de Ezequiel é encontrada no livro que tem seu nome e em 2 Reis 24,10-17.

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:10

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

DANIEL

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: Daniel.

         Propósito: Dar aos exilados e aos primeiros dentre eles que voltaram para a Terra Prometida a certeza de que Yaohu estava no controle da História e que o seu profeta, Daniel, havia falado a verdade a respeito dos prolongados sofrimentos antes do estágio final do reino de Yaohu.

         Data: Imediatamente após 539 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Daniel e seus amigos foram fiéis a Yaohu durante o tempo que passaram no exílio.

         Podia-se confiar no fato de que Daniel era verdadeiro em suas palavras porque ele nunca fez concessões aos seus captores.

         Yaohu tem o controle absoluto de toda a História.

         O exílio prolongou-se por todo o período em que quatro reinos governaram o povo de Yaohu por causa de seu contínuo pecado.

         No futuro, sofrimentos continuariam a sobrevir a Israel, mas O Ungido Yaohushua viria e traria salvação.

 

 

         Propósito e características

         Daniel contém dois tipos diferentes de material. Seis narrativas históricas aparecem nos caps. 1 – 6 e quatro visões nos caps. 7 – 12. As visões são quase exclusivamente proféticas. Entre as seis narrativas, o cap. 2 é diferenciado porque contém também material profético.

         Uma reflexão sobre o conteúdo das narrativas históricas revela que elas são unidades narrativas independentes que foram reunidas em razão de um propósito específico. As narrativas não fornecem uma história de Israel sob o governo babilônio ou persa, nem apresentam uma crônica biográfica de Daniel ou seus amigos. De um lado, as histórias enfatizam o modo como a absoluta soberania de Yaohu opera nos acontecimentos de todas as nações (2,47; 3,17-18; 4,28-37; 5,18-31; 6,25-28). Jerusalém estava destruída, o templo em ruínas, o povo estava no exílio, governantes iníquos pareciam ser triunfantes, mas Yaohu permanecia supremo. De acordo com a sua vontade soberana, ele interviria entre os reinos deste mundo para estabelecer o reino universal que duraria para sempre.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM DANIEL.

(Yaohushua):

 

         A profunda atenção dada por Daniel à restauração de Israel após o exílio chama a atenção diretamente para Yaohushua. Como outros profetas do Antigo Testamento, Daniel predisse um futuro glorioso para o povo de Yaohu que o Novo Testamento apresenta como cumprido na primeira e na segunda vindas de Yaohushua assim como na totalidade da história da Igreja.

         Muita controvérsia cerca um grande número de detalhes sobre o cumprimento dessas predições de Daniel, mas a estrutura básica da visão de Daniel sobre o futuro não deixa dúvidas de que Yaohushua cumpre as esperanças do profeta. Essa percepção é mais clara no modo como O UNGIDO se identifica como o “Filho do Homem” (p. ex., Mt 9,6; 10,23; 12,8). No uso feito por Daniel desse termo, o “Filho do Homem” era o grande rei davídico exaltado por Yaohu que representava Yaohu na terra. O UNGIDO, sendo CHRISTÓS – O YAOHUSHUA, era o rei davídico definitivo; apenas ele cumpre as predições feitas em relação ao filho do homem nas visões de Daniel (veja notas sobre 7,13-14; - “O reino de Yaohu”, em Mt 4).

         Além do mais, no cap. 9, Daniel compreendeu que a previsão de Jeremias sobre os setenta anos de exílio do povo de Israel na Babilônia, seria estendida até “setenta semanas” de anos (9,24), ou cerca de quatrocentos e noventa anos. Em termos gerais, essa predição atinge um cumprimento inicial com a primeira vinda de Yaohushua. O prolongamento do exílio corresponde à série de quatro impérios estrangeiros que oprimiram o povo de Yaohu (2,1-49) e ao aparecimento da “pedra que... se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra” (2,35), a qual Daniel mais tarde chamou de “um reino que não será jamais destruído” (2,44). Esse grande reino não é outro senão o reino de CHRISTÓS – O UNGIDO – YAOHUSHUA que teve início na sua primeira vinda, continua hoje e alcançará a consumação na gloriosa volta de Yaohushua – Mt 4; Hb 7.

         Outros acontecimentos mais específicos preditos por Daniel também aparecem em primeiro plano no Novo Testamento. Por exemplo, o próprio Yaohushua se refere à predição de Daniel sobre a “o abominável da desolação” (9,27; 11,31; 12,11), que originalmente se referia à profanação do templo pelo grego Antíoco IV Epífanes, como precursor da profanação causada pelo general romano Tito em 70 d.C. (Mt 24,15; Mc 13,14). De um modo ou de outro, a maioria dos intérpretes “cristãos” – seguidores do UngidoRemanescentes – associa intimamente essa tipologia com o anticristo, cujo espírito já está trabalhando no mundo (1Jo 2,18) e atingirá seu total desenvolvimento, talvez como uma pessoa real, perto do retorno do Ungido – Yaohushua (2Ts 2,3).

 

 

 

         DANIEL: O livro de Daniel é único em seu gênero no Antigo Testamento. A Bíblia hebraica incluiu-o no grupo dos “Escritos”, após os cinco “rolos” (encerrados por Ester) e antes de Esdras. Só este fato já bastaria para assinalar seu caráter tardio. Os manuscritos da Septuaginta, ao contrário, situam-no após Ezequiel, no grupo dos profetas.

 

 

         Estrutura do livro de Daniel. 1. Daniel na Bíblia hebraica. Na Bíblia hebraica, cujo texto consonântico fixou-se no final do séc. I de nossa era pelos doutores judeus de Iabnê (Jâmnia) e vocalizada a seguir, o livro continha doze capítulos escritos em duas línguas diferentes: de 1,1 a 2,4a, em hebraico; a seguir, de 2,4b a 7,28 em aramaico; finalmente, de 8,1 a 12,13, em hebraico. A explicação mais simples é que uma coletânea aramaica (caps. 2 – 7) foi completada por capítulos finais e uma introdução em hebraico. O editor final reagrupou os materiais em duas seções distintas: 1) relatos (caps. 1 – 6) que têm como herói Daniel (caps. 2,4 e 6), seus três companheiros (cap. 3) ou as quatro personagens juntas (cap. 1); 2) visões concedidas somente a Daniel (caps.7 – 12). Em cada uma das duas seções, os trechos seguem uma ordem cronológica. Mas este é um artifício literário, que nada indica de sua data de composição. O autor não conhece com precisão a história do Oriente Antigo entre o reinado de Nabucodonosor e o de Ciro; ele faz de Belshasar (o Baltasar de muitas de nossas Bíblias) o filho de Nabucodonosor; põe entre ele e Ciro, o Persa, certo Dario, o Medo, que a documentação antiga ignora. Este fato convida a não ler o livro como uma coletânea histórica, mas procurar seu valor em outros planos.

 

 

         2. Daniel na Bíblia grega. O judaísmo de língua grega legou à Igreja antiga duas versões diferentes de Daniel, a da Septuaginta e a de Teodocião. Ambas acrescentam ao texto trechos substancialmente idênticos: elas inserem no cap. 3 dois textos litúrgicos adaptados a este quadro narrativo (a oração de Azarias e o cântico dos três jovens); acrescentam, antes ou após o livro, a história de Susana e, no final, os episódios de Bel e do Dragão. (todos livros apócrifos, que a bíblia católica aceitou colocar nos livros inspirados por Yaohu... Anselmo Estevan.). Todavia, as duas versões estão em situações diferentes em relação ao texto da Bíblia hebraica. A Septuaginta difere consideravelmente da Bíblia hebraica, sobretudo nos caps. 4 – 6. Pode-se perguntar se o texto traduzido não seria em original semítico diferente do texto atual. Teodocião, ao contrário, mantém-se muito próximo deste, do qual ele constitui uma testemunha lateral bastante antiga. No Novo Testamento, as citações de Daniel seguem ora a Septuaginta, ora (na maioria das vezes) Teodocião. Os trechos litúrgicos acrescentados ao texto primitivo no cap. 3 baseiam-se provavelmente num original hebraico. Isto é igualmente verossímil para a história de Susana e os episódios de Bel e do Dragão, onde esse original pode ter comportado duas recensões (ou formas textuais) diferentes.

         O texto da Bíblia hebraica, fixado por volta de 90 de nossa era, não manteve essas adições. Isto teve repercussões sobre uso do livro na Igreja. Não somente a antiga versão grega foi logo a seguir suplantada pela de Teodocião, como o mostra o primeiro comentador do livro, Hipólito de Roma; mas a autoridade das passagens gregas ausentes da Bíblia hebraica via-se contestada, notadamente por São Jerônimo. Este jogou em apêndice a história de Susana (cap. 13) e os episódios de Bel e do Dragão (cap. 14), ao passo que deixava no mesmo lugar os trechos litúrgicos do cap. 3. A canonicidade destas passagens é mantida pela Igreja católica, mas não pelas Igrejas oriundas da Reforma. Em razão desta discussão, elas figuram aqui em itálico, no lugar onde as coloca a Vulgata latina de São Jerônimo.

 

 

         Data do livro e origem do seu material. 1. A redação e as edições sucessivas. O livro se apresenta ao leitor como obra de um profeta contemporâneo do cativeiro da Babilônia. Nesta perspectiva ele era lido pelos doutores judeus e na tradição “cristã” antiga. Todavia, desde o séc. III, a crítica pagã (Porfírio) via nele um livro escrito no tempo de Antíoco Epífanes (175-164). Com efeito, é preciso constatar que a grande visão dos capítulos 10 – 11 demarca passo a passo a história do Oriente Próximo e do judaísmo até 164. Em seguida (11,40s.), passa-se a uma mensagem de esperança, escrita em estilo convencional, que desemboca no juízo final e na ressurreição dos mortos (12,1-4). Esta mensagem corresponde muito bem aos problemas espirituais com os quais o judaísmo então se defrontava. Isso explica por que Daniel não é mencionado pela Sirácida (por volta de 190-180), entre os profetas de Israel (Sr 48,22; 49,7-8.10). [Livro apócrifo. Anselmo Estevan.]. Em contrapartida, o livro é conhecido pelo autor do primeiro livro dos Macabeus, entre 134-104 (1Mc 1,54 = Dn 9,27 e 11,37), e sua primeira versão grega é até mesmo utilizado pelo livro III dos Oráculos Sibilinos (por volta de 145-140). O autor conhece a profanação do Templo, em 7 de Dezembro de 167 (cf. 11,31), a condenação à morte dos judeus fiéis (11,33), a revolta dos Macabeus e os primeiros êxitos de Judas (alusão de 11,34), em 166. Se ele não dá nenhuma indicação precisa sobre a morte do rei perseguidor (acontecida no outono de 164), ele faz alusão à purificação do Templo (14 de Dezembro de 164). Pode-se, pois situar a composição do conjunto em 164. Um versículo enigmático do final (12,12, cf. 12,9) deixa talvez entender que sua edição se deu pouco depois do restabelecimento do culto no Templo purificado. Seria então o início de 163. Um remanejamento literário – talvez efetuado em hebraico para os capítulos 2 – 7, mas atualmente perdido –, deve ter acontecido antes que fosse feita a antiga versão grega (por volta de 145).

         Muitos detalhes do livro aludem aos eventos contemporâneos: pressão das autoridades pagãs para forçar os judeus a romper as interdições alimentares da Lei (1,5-8); obrigação de praticar a idolatria (3,1-12) e do culto prestado ao soberano divinizado (6,6-10), acarretando para os judeus o risco do martírio (3,19-21 e 6,17-18). Anuncio profético da morte do perseguidor (5,22-30; 7,11.24-26; 8,25; 9,26-27; 11,45). Se o autor não dispensa mais que restrita atenção à revolta militar dos Macabeus (11,34), é porque conta com uma intervenção direta de Yaohu para inverter a situação, estabelecer seu reino e salvar seu povo. Essa atitude corresponde à dos assideus (hasidim), que se retiraram para o deserto. Antes de se aliar a Judas Macabeu. O autor provavelmente pertence a esse meio.

 

 

         2. A origem das tradições recolhidas. O livro que assim se constituiu recolheu também materiais preexistentes, alguns dos quais talvez já em forma escrita. O cap. 2 parece aludir à política dos casamentos praticada seja por Antíoco II (por volta de 252), seja por Antíoco III (após 194) (cf. Dn 2,43); o modo como ele apresenta a sucessão dos impérios parece ignorar a crise de 168-166. No cap. 7, o quarto Animal, que representa o império grego, possui dez chifres (= dez reis). A menção a um décimo primeiro chifre é provavelmente uma adição, que aplica ao rei perseguidor um oráculo mais antigo (7,24b-25). A loucura e a conversão de Nabucodonosor (cap. 4), diretamente ligadas ao capítulo 2 (4,4-6, cf. 2,48), constituem da mesma maneira um relato independente que parece anterior a 168. O autor o tomou, pois, de um repertório de relatos tradicionais, dos quais alguns já tinham recebido uma forma literária determinada, enquanto outros ainda dependiam da tradição oral.

         Tudo indica que se deve procurar a origem dessa tradição nas comunidades judaicas de Babilônia, onde as antigas práticas cultuais da Caldéia, que entraram sucessivamente em contato com as civilizações persa e grega, eram muito mais conhecidas do que na Judéia. Acrescentemos que palavras persas e até mesmo gregas são encontradas no vocabulário hebraico e aramaico do livro. Explica-se muito bem que, nesse quadro, a lembrança de Nabucodonosor tenha permanecido mais viva que alhures (cf. caps. 2 – 4), absorvendo de passagem algumas reminiscências da personagem de Nabônides (cf. as notas ao cap. 4). Um texto aramaico de Qumran conserva um relato paralelo a este episódio, cujo herói é o rei Nabunai. Ademais, o episódio de Daniel na cova dos leões é retomado sob duas formas: em aramaico, no tempo de Dario (cap. 6), em grego, no tempo de um rei não-nomeado (Septuaginta), ou no tempo de Ciro (Teodocião) (cap. 14,1-30). {Colocação do apócrifo}.Constata-se assim que a tradição oral conhecia variantes, sem que, por isso, os compiladores se sentissem tolhidos. Por outro lado, a tradição do festim de Belshasar (cap. 5) é um tema que Heródoto não ignorava (Investigação, 1,191), atribuindo-o todavia ao rei Labynetos (= Nabonides). Todos esses elementos nos remetem a uma pré-história do livro, que infelizmente não se pode rastrear a risca até a época persa e ainda menos até o tempo do Exílio. Daniel e os seus três companheiros, provavelmente aproximados no livro por iniciativa de seu autor, pertencem à tradição oral do judaísmo oriental, sem que se possa saber muito mais sobre a origem histórica dessa mesma tradição.

         Então, não seria apropriado traçar, com base no livro tal qual se apresenta, uma “biografia” do “profeta Daniel”. Os diversos relatos que o trazem à cena eram originariamente independentes uns dos outros. Situando-os de modo convencional sob o rei Nabucodonosor (caps. 1 – 4) e Belshasar seu filho (caps. 5 e 7 – 8), e depois sob Dario, o Medo (caps. 6 e 9), e Ciro, o Persa (caps. 10 – 12), o autor final esboçou a carreira de um jovem judeu que, deportado em 606, teria sido escolhido para se tornar pajem real com seus três companheiros (cap. 1). Sua habilidade para a interpretação de sonhos o teria feito entrar na administração (cap. 2), onde os quatro jovens teriam seguido uma carreira brilhante até o início do império persa, a despeito das crises passageiras nos quais suas vidas teriam sido postas em perigo (cf. 3,6). Uma carreira administrativa nada tinha de impossível para judeus deportados. Mas fazendo Daniel aceder à condição de primeiro ministro (cap. 6) ou mesmo governador de província e chefe dos “sábios” (cap. 2,48-49; 3,12; 4,6; 5,11), o narrador ultrapassou largamente as margens da verossimilhança. Na verdade seu objetivo era de outra ordem que o da narração histórica.

 

 

         Os gêneros literários no livro de Daniel. A forma literária de um texto é sempre determinada por dois elementos: a função que ele desempenha na comunidade para a qual é escrito, e as convenções em uso no meio cultural que a cerca. Devolvido ao contexto de seu tempo, o livro de Daniel apresenta uma combinação original de dois gêneros que a literatura judaica empregou com predileção nessa época: a narrativa (a haggadá) e o apocalipse.

 

         1. As narrativas didáticas. A narrativa didática constitui um processo pedagógico a serviço de uma lição teológica, moral sapiencial etc. Para compreender o alcance do texto, é necessário detectar a sua “ponta”, um pouco como na interpretação de uma parábola. O herói da narrativa, suas provações, seus comportamentos etc. são apresentados de tal maneira que o leitor tira daí uma mensagem edificante, reconfortante, de fé, em relação como as necessidades espirituais de sua época. O enfrentamento do judaísmo e das civilizações pagãs que o cercam pôs aos crentes, durante a época helenística, toda sorte de problemas. Estes se tornaram agudos na Judéia, quando o império greco-sírio quis impor à força uma helenização para qual alguns membros da aristocracia local já estavam conquistados. É nessa perspectiva que é necessário situar-se para ler Dn 1; 3 – 6; 13. Ora a conduta de Daniel e de seus companheiros é exaltada como um exemplo a seguir (caps. 1; 3; 6). Ora a loucura e o orgulho humano ou do paganismo sacrílego são denunciados com vigor (cap. 4 e 5). Mesmo se a narração encontra seu ponto de partida em alguma reminiscência histórica, ela não é propriamente histórica.

 

 

            2. Os textos apocalípticos. A partir do Exílio, a literatura profética foi cada vez mais marcada pela dupla preocupação com o julgamento de Yaohu e com a Salvação que o seguirá. Essa preocupação “escatológica” foi acompanhada por uma transformação progressiva das formas literárias empregadas para responder a ela. Em um contexto cultural em que a adivinhação e a revelação das coisas ocultas ocupavam um lugar importante, a escatologia assim tomou lugar numa literatura de “revelação” (é o sentido do vocábulo grego apokalypsis). Pode-se seguir a trajetória dessa evolução. Ezequiel e Zacarias já tinham recorrido à modalidade de expressão em que a visão e sua explicação por um anjo-intérprete se tornam uma convenção literária habitual. Após o Exílio, Zc 13 – 14 e Is 24 – 27 – composições devidas a autores anônimos – punham em cena a crise final da história. No término desse processo, a literatura apocalíptica retoma os mesmos procedimentos, servindo-se freqüentemente de um estilo de reminiscências bíblicas, para apresentar uma mensagem adaptada às necessidades dos tempos novos. Como a mensagem mui freqüentemente tinha por objeto a interpretação teológica da história, coroada no seu término por um anúncio do Fim, os autores a punham na boca de um homem do passado, a fim de tomar distância com relação há seu tempo: quem lhe empresta o nome é Daniel, ou Henoc; mais tarde será Moisés, Esdras, os patriarcas, Baruc, Adão... A pseudonímia torna-se uma lei essencial do gênero. Por esse meio, os autores podem unir em uma única composição a decifração teológica de um passado que culmina no momento em que eles escrevem, e o anúncio do termo para o qual caminha o desígnio de Yaohu. Todavia, se o gênero apocalíptico se liga, de algum modo, aos profetas mais antigos, ele se distingue deles nitidamente em pontos essenciais. A mensagem de reconforto e

Comentário de anselmo estevan em 9 setembro 2012 às 20:09

o anúncio do Julgamento divino não são mais acompanhadas, como outrora, de apelos prementes à conversão. A revelação oferecida aos crentes se apresenta antes como uma sabedoria vinda do alto. Enquanto as narrativas didáticas terminam em conselhos para a vida prática, esta sabedoria revelada faz conhecer os desígnios secretos de Yaohu, nos quais a vida prática deve se inserir.

         No livro de Daniel, toda a segunda parte (cap. 7 a 12) deriva integralmente do gênero apocalíptico, com variantes na expressão. Mas seus temas essenciais são apontados desde a primeira parte, seja no sonho de Nabucodonosor, que Daniel interpreta (cap. 2), seja no sonho da grande árvore que figura o julgamento do rei (cap. 4), seja na decifração da inscrição que Belshasar vê ser traçada na parede de seu palácio (cap. 5). Esse recurso constante às visões e aos sonhos apresenta um paralelismo inegável com a literatura de adivinhação da qual o paganismo daquele tempo era grande apreciador; mas esse parentesco das formas tem como finalidade opor a impotência da adivinhação pagã à autenticidade da profecia, cuja fonte é a Sabedoria e o Rúkha – Yaohu (Espírito de Yaohu) [cap. 2; 4; 5]. Quando Daniel se torna beneficiário das visões simbólicas, um anjo intervém para lhe desvendar o sentido daquilo que ele viu: os quatro animais e o Filho do homem (cap. 7), o Carneiro e o Bode (cap. 8), e finalmente o grande afresco que delineia a história desde a época persa até 164 (cap. 10 – 12). Até mesmo uma vez, é um texto da Escritura que é tratado como revelação críptica do futuro: a interpretação dos setenta anos de Jr 25,11-12 e 29,10 é proposta com auxílio de uma técnica particular que apresenta afinidades com a interpretação das visões e dos sonhos. Esse modo de expressão literária é particularmente difícil e complexo, exigindo explicações pormenorizadas.

 

 

         Os grandes temas doutrinais do livro.

 

 

         1. Elementos fundamentais da fé e da vida religiosa. O livro de Daniel é profundamente tradicional, mas encara com lucidez os problemas postos por seu tempo. Em face das civilizações pagãs, onde pululam os deuses (5,4), onde se presta culto à suas estátuas (2,3), onde finalmente o próprio rei exige honras divinas (6,8), o monoteísmo de Israel afirma-se com vigor. Não somente ele elabora uma apologética, aliás, pouco profunda, para combater o paganismo, mas, sobretudo exalta a grandeza de uma fé pela qual se deve aceitar o risco de morrer (cap. 3; 5). Em um universo desmitizado, onde todas as criaturas cantam a glória do Yaohu único (3,52-90 grega), as próprias potências políticas devem reconhecer o domínio soberano de Yaohu (4,31-32; 5,22-23), porque é dele que elas recebem seu poder (4,22b.29b; 5,18-19). Ele é o único ETERNO do tempo e da história, o único revelador dos segredos que apenas ele detém (2,20-23). Pare evocar sua presença, a linguagem da fé recorre a representações simbólicas em que subsistem os vestígios de antigas mitologias despojadas de seu veneno: Yaohu é um Ancião sem idade, cercado por uma corte de servos (7,9-10). Neste ponto, a representação do mundo angélico tende mesmo a se complicar, ao tomar de empréstimo traços novos à simbologia iraniana. Não somente o Anjo do ETERNO intervém para salvar os três jovens na fornalha (3,49,92 grega) e Daniel na cova dos leões (5,23); não somente a chave das visões e dos sonhos pelos quais Daniel é favorecido lhe é fornecida por um anjo-intérprete, como em Ezequiel e Zacarias (7,16ss.; 9,16ss.; 9,21; 10,9 – 11,2; 12,6ss.); mas é por intermédio desses seres sobrenaturais que Yaohu governa o mundo e assegura o cumprimento de seus planos (4,14; 10,13.20s.; 12,1). Assim Yaohu se esconde, mas sua presença é reconhecida, como também sua ação nos acontecimentos maravilhosos que se dão sem a intervenção da mão humana (2,34.45; 3,11-13.20-22; 5,5; 8,25b).

         Fundado na revelação que recebeu de Yaohu, o judaísmo organiza sua vida prática em função da Lei. Esta é a razão pela qual ele insiste tanto nas prescrições legais, lá onde os pagãos não compreendem o sentido (p. ex., em matéria de proibição alimentares: 1,8). A Lei não regula apenas a organização do direito (13,62), mas dá um sentido a todas as obrigações morais e cultuais (3,18.41; 13,23). Ela determina calendário das festas, que nenhum poder humano tem o direito de mudar (7,25b). Ela fornece um quadro para a oração que, mesmo em terras de exílio, se dobra aos ritmos e às posturas fixadas pelo costume (6,11). Formulários de orações já existem em grande número: as passagens líricas do livro imitam sua fraseologia (2,20; 3,33; 4,34b; 6,27s.; 7,27b); o texto hebraico e as adições gregas conservam até mesmo duas orações penitenciais (3,25-45 gr.; 9,4-19) e um cântico (3,52-90 gr.), que são modelos do gênero; sem contar as orações privadas, mais diretamente ligadas às diversas circunstâncias da vida (13,42s.). A oração cristã não terá nenhuma dificuldade em retomar esses formulários adaptando-se às novas perspectivas abertas pelo Evangelho. (Tudo bem, mas, aqui são vontades humanas de “acréscimos” aos livros que, “NÃO FORAM INSPIRAÇÕES DIVINAS POR YAOHU! E, SIM, VONTADES HUMANAS, DE COISAS NÃO INSPIRADAS DIVINAMENTE E TAMBÉM, POR NÃO ENTENDER O TEXTO E MUDANÇAS DA GRAFIA DE DIVERSAS LÍNGUAS...” ANSELMO ESTEVAN). Em uma civilização sincretista onde o helenismo absorve as culturas e as religiões orientais, o judaísmo consegue assim salvaguardar sua originalidade. Não somente o livro de Daniel toma consciência disso, mas ele exalta a seu modo essa situação, única em seu gênero: ele insiste no sucesso excepcional dos judeus fiéis (cap. 1; 2,48; 3,30; 5,29), mostra neles os salvadores das sociedades nas quais estão integrados, e não hesita nem mesmo em considerar a conversão dos reis pagãos, que então proclamam a grandeza do verdadeiro Deus – Yaohu (2,46-47; 3,31-33; 4,34; 6,27-28). {Quero pedir desculpas, se alguns versículos tiverem acréscimos ou não constarem em suas Bíblias. É, que como estes textos, seguem a ordem das Bíblias de texto grego... Podendo ocorrer esses acréscimos... Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio, continuarei dessa forma para exemplificar os “erros” cometidos nas várias traduções de diversas línguas até o português a nossa língua original e etc.}. Anselmo Estevan. Essa perspectiva é a do proselitismo, que, na mesma época, se esforça por atrair os pagãos para Yaohu de Israel, a ponto de às vezes, integrá-los no povo da aliança levando-as a observar sua lei.

 

 

         2. Teologia da história. Yaohu realiza seu plano misterioso através da história. O universalismo de Jeremias (Jr 25) e da mensagem de reconforto (Is 41,25-29; 45,1-6) atinge agora toda a sua amplidão. Para o apresentar de modo concreto, o autor mostra na história do Oriente Próximo uma sucessão de impérios cujo enfrentamento parece esmagar o povo de Yaohu. No sonho da estátua (cap. 2) como na visão dos quatro Animais e do Filho do Homem (cap. 7). O advento sucessivo do império babilônio, medo, persa e grego é evocado com o auxílio de uma representação convencional, que não constitui o essencial da mensagem. Certo pessimismo domina esta visão das coisas, porque, de crise em crise, essa história manifesta uma degradação progressiva, um crescimento do Mal na humanidade cortada de Yaohu: a estátua com a cabeça de ouro é um colosso com pés de argila (cap. 2) e o quarto Animal sobrepuja por seus malefícios aqueles que o precederam (cap. 7). A história humana é um mistério de pecado, que caminha para seu ponto culminante. Ela é também o lugar onde se afrontam as Potências benéficas (Yaohu e seus anjos, cuja sustentação não poderia faltar ao “povo dos Santos do Altíssimo”) e das Potências adversas que se encarnam de algum modo nos impérios pagãos (cf. 10,13; 10,20 – 11,1). É por essa razão que ela está em marcha para um julgamento final do qual aparecem várias representações simbólicas: queda da estátua (2,44s.), morte de Belshasar (5,24-30), morte do Animal (7,11.24-26), destruição do Bode (8,23-25), fim do Desolador (9,27) que é também o rei perseguidor (11,40-45). Esse anúncio do julgamento está diretamente ligado às circunstâncias trágicas do reino de Antíoco Epífanes. Mas por traz deste perfilam-se já todas as provas futuras do povo de Yaohu, tanto que a profecia conservará uma atualidade permanente nos tempos de crise: o Apocalipse de João tomará dela traços para aplica-los ao império romano perseguidor da Igreja, enquanto o judaísmo subjugado por Roma tirará daí uma mensagem de esperança, sobretudo após a ruína de Jerusalém no ano 70 d.C. [Me desculpem, mas: “Romanos; Gregos – foram contra o povo judeu e etc. Mas é desses povos que: herdamos traduções dos originais perdidos, acréscimos, etc. Nas nossas Bíblias que temos hoje em dia – com Nomes e erros acrescidos desses povos... Estranho isso...”]. Anselmo Estevan. Aqui, tem tudo a ver à Estátua de “Daniel”!

 

 

         3. A mensagem de esperança. O julgamento de Yaohu, que atinge tanto os judeus infiéis como as orgulhosas potências pagãs, constitui apenas um momento crítico no desdobramento e no desvendamento do plano de Yaohu. Para além dele, as perspectivas de esperança abertas pelas promessas dos profetas permanecem mais que nunca atuais. A referência do autor a essas promessas está explicitamente patente no cap. 9, que atualiza um texto de Jeremias em função das circunstancias presentes. Todos os textos sagrados que tinham valor de promessas eram sem dúvida relidos pelo autor em uma perspectiva semelhante. Mas, conduzindo até as suas últimas conseqüências um processo já desencadeado nas profecias pós-exílicas, ele transpõe as antigas promessas para um plano que ultrapassa os limites da história terrestre e do sucesso temporal. Israel é antes de tudo o depositário e o beneficiário do Reino de Yaohu, cuja vinda constitui o termo real da história humana. É nesse Reino sobre-humano e trans-histórico que desemboca a sucessão dos impérios (2,44). Sua representação sob os traços do Filho do Homem, entronizado diante de Yaohu (7,13-14), sublinha sua transcendência; mas o povo dos Santos do Altíssimo (Israel) será o seu suporte terrestre. Para estar à altura de tal vocação, este deve, no entanto sofrer uma provação que o purificará (11,35; 12,10): tal é o sentido da perseguição com a qual o judaísmo palestino está se havendo. Esta desemboca na vinda daquilo que os rabinos chamarão o mundo vindouro; tanto na visão alegórica do cap. 7 como no oráculo de 12,1-4, esse “mundo vindouro” reveste os traços de um universo transfigurado. Certos textos da escatologia pós-exílica preludiavam essa idéia (cf. Is 25,7-8; 30,26; 65,17-25; Zc 14,6). Seus dados se organizam agora em uma representação de conjunto que deixa muito para trás de si a promessa deuteronômica de uma vida pacífica na terra santa. O que se espera é a irrupção das realidades celestes já aqui.

         Para atingir esse termo, Israel mesmo será submetido ao Julgamento divino: Somente o RESTO – REMANESCENTE – daqueles que “estiverem inscritos no Livro” (12,1) participará da felicidade do “mundo futuro”. Mas o princípio assim estabelecido não pode deixar de se aplicar também aos judeus que, no passado próximo, deram sua vida pela sua fé. Aqui o autor responde à questão suscitada pela experiência do martírio. Ele não se contenta em exortar seus contemporâneos a afrontar, se necessário, a morte, afirmando que Yaohu pode preserva-los dessa fornalha (3,38) e dessa cova de leões (6,22). Ele estabelece como princípio que sua potência triunfará do poder da própria Morte, naqueles que por ela foram vitimados. Sua participação imerecida na sorte comum dos homens lhes vale um lugar no mundo vindouro. Assim se afirma com nitidez, pela primeira vez no Antigo Testamento, a promessa da ressurreição individual (12,2-3). Do mesmo modo, para retomar uma representação clássica freqüentemente utilizada nos profetas e nos salmos, os Infernos (Sheol), domínio da Morte, tornam-se o Inferno, lugar da ausência de Yaohu e exclusão do mundo vindouro. O segundo livro dos Macabeus atesta que essa mensagem de esperança desempenhou um papel capital na sustentação da fé dos mártires (2Mc 7,9.11.14.23.29) – Livro apócrifo. O desenvolvimento ulterior da revelação não se contentará com ratificar essa doutrina. Ele encontrará aí um quadro bem preparado para que se tornem inteligíveis a morte e a ressurreição de Yaohushua. Daniel serve assim de um traço-de-união entre a teologia dos profetas e a mensagem do Novo Testamento.

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE DANIEL:

 

 

         DANIEL

         Pontos fortes e êxitos:

         Apesar de jovem quando deportado, permaneceu leal à sua fé.

         Serviu como conselheiro a dois reis babilônicos e dois reis medo-persas.

         Era um homem de oração e um estadista com o dom da profecia.

         Sobreviveu à cova dos leões.

 

 

         Lições de vida:

         As convicções silenciosas freqüentemente ganham respeito em longo prazo.

         Não espere chegar a uma situação difícil para aprender sobre oração.

         Yaohu pode usar as pessoas onde quer que estejam.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Judá e as cortes da Babilônia e da Pérsia.

         Ocupação: Um cativo de Israel que se tornou conselheiro de reis.

         Contemporâneos: Hananias. Misael, Azarias, Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro.

 

 

 

         Versículo-chave: “Porquanto se acho neste Daniel um espírito excelente, e ciência, entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chama-se, por agora Daniel, e ele dará interpretação” (Dn 5,12).

 

 

         A história de Daniel é narrada no livro de Daniel. Ele é também mencionado em Mateus 24,15.

 

 

 

         SADRAQUE/MESAQUE/ABEDE-NEGO

         Pontos fortes e êxitos:

         Posicionaram-se a favor de Daniel, não comendo o alimento da mesa do rei.

         Compartilharam uma amizade que resistiu aos testes da dificuldade do sucesso, da riqueza e da ameaça de morte.

         Recusaram-se a comprometer suas convicções próprias, mesmo em face da morte.

         Sobreviveram à fornalha ardente.

 

 

         Lições de vida:

         Existe uma grande força na amizade verdadeira.

         É importante estar com aqueles que possuem convicções iguais às nossas.

         Podemos confiar em Yaohu mesmo quando não é possível predizer os resultados.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Servos e conselheiros do rei.

         Contemporâneos: Daniel e Nabucodonosor.

 

 

 

         Versículos-chave: “Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus – Yaohu, a quem servimos, é que nos pode livrar, ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3,16-18).

 

 

 

         A história de Sadraque (Hananias), Mesaque (Misael) e Abede-Nego (Azarias) é contada no livro de Daniel.

         NABUCODONOSOR

         Pontos fortes e êxitos:

         O maior dos reis da Babilônia.

         Conhecido como um construtor de cidades.

         Descrito na Bíblia como um governador estrangeiro a quem Yaohu usou para seus propósitos.

 

 

         Fraquezas e erros:

         Considerou-se um deus e foi persuadido a construir uma estátua de ouro que todos deviam adorar.

         Tornou-se extremamente orgulhoso, o que o levou a insanidade.

         Tendia a esquecer-se das demonstrações do poder de Yaohu que havia testemunhado.

 

 

         Lições de vida:

         A história registra as ações dos servos voluntários de Yaohu e dos que inconscientemente, foram seus instrumentos.

         A grandeza de um líder é afetada pela qualidade de seus conselheiros.

         O orgulho incontrolado é autodestrutivo.

 

 

Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Rei.

         Familiares: Pai – Nabopolassar; filho – Evil-Merodaque; neto – Belsazar.

         Contemporâneos: Jeremias, Ezequiel, Daniel, Jeoaquim e Joaquim.

 

 

 

         Versículo-chave: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus, porque todas as suas obras são verdades, e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4,37).

 

 

 

         A história de Nabucodonosor é contada em 2 Reis 24 – 25; 2 Crônicas 36; Jeremias 21 – 52; Daniel 1 – 4.

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